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Coluna

Cuidado com as chapas proporcionais; leia coluna de Crispiniano Neto

Leia coluna de Crispiniano Neto
Crispiniano Neto
20/02/2024 | 08:10

Diariamente, as esquerdas têm que lembrar aos resmungões que reclamam dos acordos de Lula com direitistas da pior espécie, lembrando o velho jargão: “Não foi por falta de aviso…”.

Referem-se ao alerta que foi feito à farta, sobre o erro brutal de eleger presidente de esquerda, sem carregar a mesma energia na formação de uma bancada progressista, capaz de apoiá-lo sem pressão e sem “toma lá dá cá”.

Dez cidades decisivas na eleição em 2026 - Foto: Reprodução
Cuidado com as chapas proporcionais; leia coluna de Crispiniano Neto - Foto: Reprodução

Na escolha das prioridades, foi necessário carregar tintas na eleição presidencial, porque, convenhamos, Bolsonaro beirou a reeleição.

O erro vinha do período pré-eleitoral, do momento em que se formam as nominatas para concorrer às vagas no parlamento.

A direita jogou inteligentemente, investiu horrores para eleger empresários, latifundiários, pastores, delegados e milicos, inclusive generais saídos dos sarcófagos com muito dinheiro para ocuparem espaços no parlamento e, junto aos outros já citados, imporem pautas das cavernas, compondo as bancadas do Boi, da Bíblia, da Bala e da Suástica, capazes de fazer a vanguarda do atraso e de barrar tudo que um governo de esquerda pudesse fazer pela democracia e pela Justiça social.

“Esquerdas precisam formar de maioria na Câmara para que, em sendo eleita, Natália não venha a sofrer as dificuldades que Lula e Fátima vêm sofrendo”

A esquerda potiguar foi além. Dividiu votos, engolindo corda com uma candidatura inviável ao Senado, que, incontestavelmente, contribuiu para eleger um dos senadores mais anti-Lula do País.

No último encontro nacional do PT, Lula bateu duro noutro erro histórico das esquerdas, que é a prioridade sem limites às candidaturas identitárias, um aspecto muito importante da disputa entre o futuro e o passado, mas que não pode deixar perder de vista a disputa ideológica de classes, entre os campos progressista e o reacionarismo fascista que, fantasiado de tudo quanto é argumento falacioso tem ganhado espaços e perturbado a vida nacional, empurrando nossa democracia para trás. Além de sugerir que os candidatos têm que ter base eleitoral. Voto.

As esquerdas têm, em Natal, uma candidatura expressiva, forte, bem situada nas pesquisas. Deputada federal mais votada na eleição passada e sua eleição é prioridade para os governos federal e estadual, mas ela tem que ser reforçada por nominatas de esquerda capazes de arrebanhar votos e fazer uma bancada que lhe dê lastro no provável caso de ganhar a prefeitura.

Aqui, como em todo o Brasil, a maioria absoluta dos vereadores é de direita. São vinculados ao prefeito, que estará em algum palanque anti-Natália e ao ex-presidente da casa, deputado federal Paulinho Freire, pré-candidato a prefeito.

As esquerdas que apoiam Natália Bonavides precisam oferecer seus melhores nomes para a disputa, em busca da formação de maioria na Câmara para que, em sendo eleita, ela não venha a sofrer as dificuldades que Lula e Fátima vêm sofrendo com os respectivos parlamentos. E olha que Lula e Fátima são por demais habilidosos e flexíveis na hora de negociar.