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CPI dos Atos Golpistas

Ex-diretor da PRF nega ter promovido blitz para reter eleitores

Ex-diretor classificou a acusação como “a maior injustiça já realizada na história da PRF”
Redação
21/06/2023 | 08:15

O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques negou que a instituição tenha atuado politicamente no segundo turno das eleições presidenciais para favorecer o então candidato Jair Bolsonaro, fazendo operações de fiscalização principalmente na região Nordeste, onde o candidato Lula liderava as pesquisas de intenção de voto. Vasques depôs nesta terça-feira 20 na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro.

O ex-diretor classificou a acusação como “a maior injustiça já realizada na história da PRF” e afirmou que, em 30 de outubro, data do segundo turno, a fiscalização foi menor no Nordeste do que em outras regiões. Ele acrescentou que, dos 618 pontos fiscalizados em todo o país, 310 corresponderam a locais onde Lula ganhou a eleição, e em 316, Bolsonaro foi o vencedor. Vasques disse que não houve registro de que alguém tenha deixado de votar por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal e somente cinco ônibus foram recolhidos em operações no Nordeste.

CPMI 8 de Janeiro Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
Ex-diretor Silvinei Vasques (PRF) - Foto: Roque de Sá / Senado

Houve divergências entre a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e Silvinei Vasques sobre o planejamento das operações da PRF durante as eleições e sobre os resultados da fiscalização. O ex-diretor reafirmou que não houve foco na região Nordeste. A relatora citou pagamento de diárias e apreensão de veículos como parte da operação Transporte Seguro que mostrariam uma preferência pela região.

“A informação que nós temos é que a definição específica dos lugares para fiscalização, que na praxe de operações é definida pelos superintendentes regionais, foi definida aqui no comando central. E neste comando central, foi apresentado inclusive um rito de atuação pelo Brasil inteiro. E nesse rito não constavam, por exemplo, outras regiões, apenas o Nordeste brasileiro. Há uma clara suspeição sobre esse planejamento”, disse a relatora.

Bolsonaro exonera Silvinei Vasques da diretoria da PRF

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) exonerou o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques. A dispensa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 20, e assinada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Aliado do chefe do Executivo, Vasques é investigado por improbidade administrativa e uso indevido do cargo para pedir votos para a reeleição de Bolsonaro e pela operação da PRF nas estradas no segundo turno das eleições, que interferiu no deslocamento de eleitores, principalmente na região Nordeste, polo eleitoral do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vasques assumiu o posto de diretor-geral da PRF em abril de 2021 - Foto: reprodução
Vasques assumiu o posto de diretor-geral da PRF em abril de 2021 – Foto: reprodução

Vasques assumiu o posto de diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal em abril de 2021, quando Bolsonaro deu posse ao Anderson Torres no Ministério da Justiça. Em sua conta pessoal no Instagram, Vasques expunha fotos ao lado de Bolsonaro em eventos do governo com a presença da PRF. As legendas, normalmente, são textos de agradecimentos ao governo e ao presidente pelos investimentos no órgão. Durante as eleições, o ex-chefe da PRF usou sua conta para defender a reeleição do presidente. “Vote 22, Bolsonaro presidente”, dizia uma publicação nos stories com uma foto da bandeira do Brasil. Posteriormente, a postagem foi apagada.

Antes de Vasques virar réu, em novembro de 2022, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) pediu o afastamento imediato dele do cargo por 90 dias. Na época, o órgão já afirmava que o chefe da PRF tinha feito uso indevido do cargo para beneficiar a candidatura de Bolsonaro. O documento de defesa do MPF-RJ citava a “intenção clara” de promover “verdadeira propaganda político-partidária e promoção pessoal de autoridade com fins eleitorais”.