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RN registra 204 transplantes no primeiro semestre de 2022, diz Sesap

No estado, há 671 pessoas à espera de um doador compatível
Luana Costa
27/08/2022 | 08:35

O Rio Grande do Norte registrou 204 transplantes de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2022, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Deste total, 90 são transplantes de córnea, 75 de medula, 35 de rins, 1 de coração e 3 de pele. De janeiro a novembro de 2021, foram realizados mais de 12 mil transplantes de órgãos no Brasil pelo SUS. Em 2020, foram cerca de 13 mil procedimentos, segundo o Ministério da Saúde.

Referência mundial na área de transplantes, o Brasil é o segundo maior país transplantador, atrás apenas dos Estados Unidos. O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pela maior parte dos transplantes, fornecendo assistência integral e gratuita. Mesmo assim, a fila de espera por órgãos é crescente. Conforme dados do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, até julho de 2022, cerca de 59 mil pessoas estavam na fila para transplantes no Brasil. A maior parte aguarda por rins e córneas.

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O transplante de córnea é esperado por mais da metade da fila, com 430 pacientes, 40 pessoas a mais que em 2021. Foto: Reprodução

No Rio Grande do Norte, a Sesap registrou que 671 pessoas estão à espera de um doador compatível. O transplante de córnea é esperado por mais da metade da fila, com 430 pacientes, 40 pessoas a mais que em 2021. Além disso, 20 pacientes esperam por medula óssea e 2 por coração. Em relação aos transplantes renais, entre o ano passado e os 6 primeiros meses deste ano, a lista de espera diminuiu em 25 pessoas. Em 2021, foram registrados 244 pacientes na fila e atualmente são 219.

Durante picos da pandemia, os dados da pasta apontaram queda nos números de doações. Em 2020, 188 pessoas encontraram um doador, no entanto, apenas 60 foram efetivos. Já no primeiro semestre de 2021, o RN registrou 96 doações e 22 efetivadas.

Aqueles aptos a doar podem ser vivos ou falecidos. No caso do doador vivo, pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte do pulmão, desde que tenha mais de 18 anos, esteja em boas condições de saúde e que haja compatibilidade com o receptor. Além disso, a autorização judicial é necessária para aqueles doadores que não têm vínculo familiar. Em relação aos familiares, podem doar parentes até o quarto grau e cônjuges.

Para os casos de doadores falecidos por morte encefálica, quando ocorre a parada de todas as funções do cérebro e o caso se torna irreversível, os transplantes de rins, pulmão, coração, pâncreas, fígado, intestino, córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical podem ser realizados. É importante que o paciente antes de falecer, informe a família o desejo de ser um doador.

Doação: “Faria tudo novamente, se fosse preciso”

Antes de saber que eu era compatível, eu dizia que doaria. Quando tive a certeza, foi maravilhoso. Inesquecível. Um alívio em saber que havia alguém na família que poderia doar”. O relato é de Simone Melo, que doou um dos rins para tentar salvar a vida de Otávio Melo, o irmão mais velho.

Para ela, foi um privilégio poder ajudar alguém conhecido e que fez tanto por ela durante o período em que esteve vivo. “Era um irmão muito querido que estava sempre presente em todos os momentos da minha vida. Faria tudo novamente, se fosse preciso”, conta.

Em 2008, Otávio, mesmo sendo aparentemente saudável – praticava esportes, não era fumante e não ingeria bebida alcoólica – descobriu que apenas 25% do rim estava funcionando e a causa da doença até hoje é desconhecida. Segundo Simone, o irmão não sentia nada. Aos 46 anos, ele fez o transplan te que foi realizado com sucesso.

Otávio morreu pouco tempo depois devido a uma infecção que teria sido contraída no hospital, segundo a irmã dele.

Setembro verde

Além do combate ao suicídio, setembro também é o mês de Campanha Nacional para a Doação de Órgãos e Tecidos. O Setembro Verde, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplantes, tem o objetivo de conscientizar a população acerca da importância da doação de órgãos.

Para Simone Melo, a campanha é importante para que o processo de doação alcance muito mais pessoas. “Doar algo que não vai lhe fazer falta para amenizar o sofrimento e muitas vezes salvar a vida de outra pessoa é o mínimo que poderíamos fazer”, afirma. (*Supervisão da jornalista Nathallya Macedo).

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