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Artigo

A solidão das nossas mães

Confira o artigo de Milklei Leite desta terça-feira 17
Milklei Leite
17/05/2022 | 11:05

O Brasil tem mais de 11 milhões de mães solo, segundo o IBGE. O termo diz respeito às mulheres que são inteiramente responsáveis pela criação de seus filhos, inclusive no sustento financeiro da família. Essas mulheres precisam conciliar o trabalho e outras ocupações com o cuidado dos filhos, caindo numa rotina extremamente estafante.

A pandemia, a subida dos preços dos alimentos, o alto desemprego, tudo isso agravou a situação dessas mães. E sem uma rede de apoio, ou seja, alguém que possa cuidar das crianças enquanto as mães saem em busca do dinheiro que está faltando, o problema fica ainda mais complicado, inclusive prejudicando na manutenção de um emprego ou na conquista de um novo.

A solidão das nossas mães - Agora RN
Milklei Leite é vereador de Natal e presidente estadual do Partido Verde. Foto: CMN

Sem amparo, essas mães têm sua saúde psicológica colocada em risco com a possibilidade de desenvolverem quadros de ansiedade, depressão e estresse, por exemplo. O período que vai da gravidez até o puerpério é quando essas mulheres estão mais vulneráveis. Sem ajuda e com tantas dificuldades, muitas delas acabam sofrendo sozinhas, frustradas e com vergonha, sem serem diagnosticadas e sem receberem tratamento adequado.

No país, as mais sobrecarregadas são as mães negras e periféricas. De acordo com levantamento do IBGE, 61% das mães solo são negras – realidade que impõe ainda mais barreiras de acesso ao trabalho para essas mães. Não à toa 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza.

É fato que no Brasil é sempre a mulher que segura as pontas quando se trata dos filhos. Mas está mais do que na hora de mudar essa realidade. São fundamentais ações de conscientização dos pais. Porém isso só não basta. É extremamente necessário que o Estado atue fortemente nessa questão, criando políticas públicas não somente para dar dignidade a essas mulheres, mas também para reduzir o número de mães solo no país.

Enquanto não conseguimos resolver as questões socioculturais que levam à desintegração dessas famílias, deixando com que as mães assumam sozinhas a responsabilidade dos filhos, cabe agirmos em prol do fomento ao empreendedorismo feminino, do fortalecimento das creches, do aperfeiçoamento da rede de educação básica com a ampliação do ensino integral, assim como com a criação de auxílios financeiros que cheguem direto a estas mulheres. A maternidade, por si só, é uma tarefa difícil. O poder público tem que se fazer presente em defesa da família e das gerações futuras, atuando para não deixar que essas mães enfrentem tamanho desafio sozinhas.