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Alta

Rio Grande do Norte deve atingir pico de necessidade por oxigênio em abril, prevê estudo

De acordo com professor da UFRN, a expansão do número de leitos críticos Covid tem relação direta com a demanda por oxigênio. Segundo ele, uso de oxigênio já atingiu 10 mil litros, a mesma quantidade de julho do ano passado - quando o RN enfrentava o pico da pandemia
Redação
23/03/2021 | 08:40

Um estudo prevê alta na demanda por oxigênio nos próximos dias em hospitais do Rio Grande do Norte. De acordo com o professor da UFRN, José Dias do Nascimento, o estado deve atingir o pico de necessidade de oxigênio em abril. O especialista falou sobre o atual momento da pandemia da Covid-19 em entrevista na manhã desta terça-feira 23 ao Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi.

De acordo com o professor, a expansão do número de leitos críticos Covid tem relação direta com a demanda por oxigênio. “É uma situação crítica. O oxigênio é um insumo básico para enfrentamento da Covid-19, mas a falta de planejamento causa esse gargalo. Se o número de UTIs é extrapolado, o consumo aumenta e muito rápido”, disse José.

Após alta de inteRio Grande do Norteações por covid-19, estado se reúne com municípios para evitar falta de oxigênio no Rio Grande do Norte
Ministério da Saúde alertou para uma situação preocupante no abastecimento de oxigênio hospitalar no RN. Foto: Reprodução

Ele acrescentou ainda que o uso de oxigênio já atingiu 10 mil litros, a mesma quantidade de julho do ano passado – quando o RN enfrentava o pico da pandemia. “Essa demanda cresce no mesmo nível que as UTIs estão ocupadas. Ao mesmo tempo que chega mais oxigênio, se abre mais UTI. Essa é uma dinâmica complicada”, frisou. “Temos que quebrar o avanço da doença através da vacina ou do isolamento”, continuou o professor.

Estudo prevê pico na demanda por oxigênio no Rio Grande do Norte nos próximos dias
Estudo prevê alta de necessidade por oxigênio. Foto: Reprodução/Twitter/José Dias do Nascimento

Na entrevista, o professor apontou que o decreto mais rígido de isolamento social, que começou a valer no último sábado 20 no Rio Grande do Norte, foi definido de forma atrasada. “Ações energéticas são necessárias para diminuir a transmissão. Para saber se o decreto atual vai funcionar ou não, precisamos acompanhar a situação por 15 dias.  O termômetro atual da pandemia é a solicitação de leitos críticos. Mais de 100 solicitações diárias. Isso vai dizer se o decreto está ou não surtindo efeito.

Na noite desta segunda-feira 22, o Rio Grande do Norte recebeu na noite desta segunda-feira 22 70 concentradores de oxigênio do Amazonas. A entrega foi realizada através da Operação Gratidão, iniciada pelo estado do Norte e que faz referência ao apoio recebido durante o colapso do sistema de saúde.

A governadora do RN, Fátima Bezerra (PT), já havia comunicado que o Ministério da Saúde vai enviar 160 cilindros de oxigênio para o estado até a próxima quarta-feira 24. Neste domingo 21, o Governo do Estado informou que conquistou na Justiça do RN a ampliação do contrato de fornecimento de oxigênio para a rede estadual de hospitais, coordenada pela Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap). O acréscimo de 25% na quantidade de oxigênio entregue pela White Martins será voltado para os municípios potiguares que passam por dificuldade de abastecimento por conta do aumento de casos de Covid-19.

Ministério da Saúde diz à PGR que situação é preocupante no RN

Em tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Ministério da Saúde alertou para uma situação preocupante no abastecimento de oxigênio hospitalar em seis estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Ceará e Rio Grande do Norte. O cenário mais crítico é no Amapá, onde a Procuradoria pede uma ação imediata do governo.

O Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia de Covi-19 (Giac), da PGR, se reuniu nesta segunda-feira com membros da pasta para tratar do assunto. Estavam presentes representantes da White Martins, empresa de tanques de oxigênio. Segundo a PGR, ao longo do final de semana, o fluxo de abastecimento melhorou em Rondônia e Acre, onde o risco era maior.

“O Ministério está coordenando o transporte para os estados em situação mais grave (Rondônia e Acre), com uso de aviões da Força Aérea, e discute a possibilidade de incluir os motoristas que transportam gases medicinais como público prioritário para vacinação, já que há escassez dessa mão de obra no país”, diz a PGR em nota.

Agora, a prioridade é abastecer o Amapá. Na manhã desta segunda-feira, o Giac enviou um ofício ao Ministério da Saúde ofício alertando para o risco de desabastecimento no estado. Quatro dias antes, na sexta-feira, a PGR havia alertado também sobre o risco em Acre e Rondônia através de um ofício.

Ridauto Fernandes, diretor de Logística do Ministério da Saúde, estava presente no encontro com o Giac. Ele informou ainda que, além dos seis estados em estado crítico, Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão em estado de atenção.

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