O modelo Rosalba Ciarlini de lidar com o Legislativo tem causado um estrago tremendo na imagem do Parlamento e servido como válvula de esvaziamento da força do poder.
Ao entregar ao presidente Ricardo Motta (PMN) a tarefa de domesticar a Casa, garantindo que todas as matérias de interesse do executivo sejam aprovadas, a governadora termina contribuindo para o não debate de ideias e a não aceitação de sugestões e mesmo críticas construtivas que surjam do parlamento.
Assim, passa a ser natural o desprezo do governo com os deputados da base governista. Afinal, para que se desgastar no varejo se, no atacado, dá menos trabalho?
O problema é que esse modelo termina dando azo a fenômenos como o registrado ontem, quando deputados de oposição se destacam na sessão, se revezando em críticas mordazes às iniciativas e projetos da gestão, mas falam sozinhos, porque a bancada governista não está nem aí.
Desprestigiada, a bancada governista ressente-se deste modelo. Deputados que passaram até oito anos a pão e água, como se diz, enxergavam na gestão Ciarlini dias melhores como aliados, mas não é isso que está se vendo.
Cite-se o exemplo de Getúlio Rego, líder da bancada. Chegou ao ponto de reclamar, publicamente, em entrevista a um jornal, da falta de autonomia dos secretários estaduais e de atendimento dos encaminhamentos dos deputados.
Por tudo isso acontece um enfraquecimento do Poder Legislativo, que perde naquilo que tem de mais sublime em sua essência, que é o debate de ideias, discussões e polêmicas.
Perde também a sociedade que, ao ouvir um lado apenas, deixa de conhecer o contraponto sobre temas relevantes que dizem respeito a sua condição de vida.
E quem é o responsável por isso?