A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) obteve do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a patente de um método que trata, em uma única etapa e com um só tipo de reagente, a água que sai dos poços junto com o petróleo. É a 11ª patente de invenção da universidade, anunciada na sexta-feira 6. O processo foi desenvolvido no Departamento de Química, em colaboração científica e tecnológica com a PetroReconcavo, empresa que opera campos terrestres de petróleo na Bacia Potiguar.
O registro tem o título “Método de amaciamento na dureza da água produzida de petróleo em único estágio empregando carbonatos”. Assinam a invenção os pesquisadores Vinícius Patrício Caldeira, Ana Laura Fernandes, Weslen Ismael de Miranda e Anne Gabriella Dias. O projeto teve bolsas do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e recursos de custeio da parceria com a empresa.

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Problema
A chamada água produzida é a que vem à superfície misturada ao óleo durante a extração. No setor petrolífero, ela costuma ser “dura”, ou seja, tem altos teores de minerais como cálcio e magnésio. Esses minerais formam incrustações em equipamentos e tubulações, reduzem a eficiência e a vida útil das instalações, aceleram a corrosão, encarecem a manutenção e podem comprometer a segurança das operações. Por isso, a água precisa ser tratada antes de ser reinjetada nos poços, num processo conhecido como amaciamento.
Segundo o professor Vinícius Caldeira, esse tratamento por precipitação química costuma ocorrer em duas ou mais etapas, com a combinação de dois ou mais agentes químicos ou equipamentos industriais. A estratégia, de acordo com ele, tem desvantagens econômicas e ambientais: consome reagentes caros e gera grande quantidade de resíduo sólido heterogêneo, sem destinação adequada.
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Método
O método patenteado usa apenas solução de carbonato de sódio ou de potássio. “O processo foi capaz de superar esse obstáculo utilizando exclusivamente a solução de carbonato (sódio ou potássio), sendo possível obter em uma única etapa, um efluente suficientemente tratado e um sólido residual com características bem definidas, podendo ser utilizado como insumo para outros processos industriais”, disse o pesquisador.
Na prática, o procedimento reduz o número de operações do tratamento e entrega água em condições de reúso, seja para retornar ao poço, seja para outra finalidade. O resíduo sólido, de composição química conhecida, pode ser vendido como matéria-prima para a indústria química, o que, segundo a universidade, acrescenta ganho econômico ao processo. “A utilização de carbonato como único agente químico facilita a implementação em larga escala sem causar grandes impactos ambientais, pois, o processo gera menos produtos nocivos quando comparado aos métodos convencionais”, afirmou Caldeira.
Parceria
Para o professor, conseguir uma carta-patente para um processo ligado a um problema concreto de uma empresa mostra a capacidade da Uern de firmar colaborações que promovam o desenvolvimento científico e tecnológico da região. “A patente concedida é o reflexo da marcante competência dos pesquisadores da Uern, aliada à significativa capacidade de formação de recursos humanos de alta qualidade”, disse. Ele lembrou que o processo surgiu de uma colaboração entre instituição de ciência e tecnologia e empresa, com incentivo do programa MAI/DAI na Uern.
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