O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à família e permitirá a entrada deles no país. A informação foi transmitida por uma autoridade do Departamento de Estado à correspondente da TV Globo Raquel Krähenbühl nesta terça-feira 27.
O anúncio ocorre enquanto a Polícia Federal (PF) apura se o parlamentar deixou o Brasil apesar da proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo para entregar os passaportes terminou às 11h desta terça-feira, sem que os documentos fossem apresentados.

Mais cedo, a agência Reuters e o jornal The New York Times haviam informado, com base em fontes não identificadas, que Flávio deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. O senador foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo 25.
O trajeto da possível viagem ainda não foi esclarecido. A versão de uma passagem pela Argentina surgiu em publicação do jornal Infobae, segundo a qual Flávio teria atravessado a fronteira usando um documento de identidade e seguiria de Puerto Iguazú para os Estados Unidos em uma aeronave particular.
O avião citado era um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly. Registros da plataforma de monitoramento aéreo FlightRadar24 indicavam que a aeronave saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú às 23h45, no horário de Brasília.
Nos registros consultados, o avião ainda não havia decolado da cidade. Não havia confirmação de que Flávio estivesse a bordo ou de que tivesse utilizado outra aeronave para continuar a viagem.
Na manhã desta terça-feira, o controle migratório argentino informou que não havia registro de entrada do senador no país. A PF também não identificou passagem do parlamentar por um ponto regular de controle migratório brasileiro.
A restrição de viagem foi determinada por Moraes na noite de domingo 25, no processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro. A apuração envolve empresas do advogado e plataformas de apostas. Os dois confirmam a amizade, mas negam sociedade e irregularidades.
Flávio também é investigado em outro inquérito sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na segunda-feira 26, o senador havia afirmado que cumpriria a determinação judicial e que não pretendia sair do Brasil. Nesta terça-feira, a PF passou a investigar a possível saída do parlamentar sem a entrega dos documentos.