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Fé e sociedade

Psiquiatra relaciona fé e política em livro sobre os valores cristãos

Francisco Rodrigues apresenta reflexões sobre relações sociais e instituições e propõe destinar contribuições do livro Nova Ordem em Cristo a uma organização de assistência
Agora RN
26/10/2026 | 23:18

O médico psiquiatra e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Francisco Rodrigues defende que a recuperação de valores cristãos pode contribuir para reduzir conflitos políticos, fortalecer as relações sociais e orientar iniciativas de assistência à população. Autor do livro Nova Ordem em Cristo, ele apresentou suas reflexões durante entrevista ao podcast Conexão Saúde, da TV Agora RN, conduzido pelo jornalista Elias Luz. A publicação também está associada à proposta de criação de uma organização não governamental voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Durante a entrevista, Rodrigues relacionou o comportamento humano às influências biológicas, psicológicas e espirituais. Segundo ele, a experiência como psiquiatra e pesquisador em psicofarmacologia contribuiu para a elaboração do livro, que reúne interpretações religiosas sobre acontecimentos políticos, instituições públicas e relações sociais. “Então a mente que está localizada na estrutura cerebral vai servir como uma arena onde se gladia essas forças que vêm tanto da biologia, para a mente, como as forças que vêm do espírito”, afirmou.

Médico Francisco Rodrigues sorrindo, com camisa branca e casaco escuro
Francisco Rodrigues, médico psiquiatra e professor da UFRN, é autor do livro Nova Ordem em Cristo — Foto: José Aldenir

O médico explicou que o tratamento dos transtornos mentais envolve recursos farmacológicos e psicoterapêuticos, mas considera que a espiritualidade também pode ter importância na experiência individual dos pacientes. Essa interpretação representa sua perspectiva religiosa e não constitui, por si só, uma explicação científica para os transtornos psiquiátricos.

A obra apresenta o conceito de guerra espiritual como uma disputa entre valores que, na interpretação do autor, influenciam decisões individuais e coletivas. Rodrigues sustenta que a polarização política, a circulação de informações falsas e os conflitos institucionais devem ser analisados também sob uma perspectiva ética e religiosa.

“Então qual a estratégia do cristão? Obedecendo a lei de Deus como Cristo nos ensinou, que é o nosso mestre”, declarou. Para o psiquiatra, a principal orientação cristã está no mandamento de amar a Deus e ao próximo, princípio que considera aplicável às relações sociais e políticas.

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Ao abordar o comportamento dos eleitores, Rodrigues afirmou que utiliza os ensinamentos cristãos como referência para avaliar candidatos e propostas. “Eu só vou votar naquela pessoa que estiver mais próxima das lições de Cristo. Pode ser quem seja”, disse. Ele relatou mudanças em suas preferências partidárias ao longo dos anos, motivadas por divergências com práticas de determinados grupos políticos.

Críticas à política social e às instituições

O autor também criticou o funcionamento das instituições brasileiras e questionou a capacidade dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de exercerem controles recíprocos. Na entrevista, associou essas preocupações ao conceito de Estado delinquente, utilizado em sua obra para descrever situações em que, segundo sua avaliação, interesses particulares se sobrepõem às responsabilidades públicas.

“Então terminou todo mundo sendo compadre, todo um amigo um dos outros. Aí entrou na delinquência. Então agora nós estamos sendo vítimas desse Estado”, afirmou, ao comentar sua percepção sobre as relações entre os Poderes.

A relação entre políticas públicas, tributação e dependência econômica foi outro assunto abordado no programa. Rodrigues questionou a capacidade dos programas de transferência de renda de proporcionar autonomia financeira aos beneficiários, especialmente em regiões com elevados índices de pobreza.

“Não sai dessa situação. Aqui no Nordeste, principalmente, a gente vê como tem gente vivendo na miséria anos após anos, anos após anos, e não sai dessa miséria. Então, por que não sai?”, questionou.

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Para o médico, a assistência governamental precisa estar acompanhada de condições que permitam às famílias ampliar sua renda por meio do trabalho. Ele também criticou a carga tributária brasileira e os custos enfrentados por empresas e profissionais na manutenção de suas atividades. As declarações foram apresentadas como avaliações pessoais do entrevistado, sem exposição de levantamentos econômicos que comprovassem as relações causais apontadas.

Rodrigues também abordou a participação das instituições religiosas na política. “A política faz parte da nossa natureza humana”, afirmou. Para ele, os cristãos devem participar do debate público, mas avaliar as consequências das decisões tomadas pelos representantes eleitos.

Ao discutir os conflitos familiares e a influência das redes sociais, o professor afirmou que a formação da personalidade envolve fatores hereditários, ambientais e experiências acumuladas ao longo da vida. Segundo ele, a capacidade de avaliar informações e reconhecer tentativas de manipulação deve ser estimulada desde a formação escolar.

“Tem a narrativa? Tem. É verdade ou é mentira? Tem que investigar isso, porque se não fizer isso, pode ser manipulado. E se for manipulado, toda a nação pode sofrer com relação a isso”, declarou.

Na UFRN, Rodrigues participa de disciplinas relacionadas à psiquiatria, espiritualidade e construção da personalidade. Durante a entrevista, relatou uma atividade acadêmica na qual utilizou inteligência artificial para apresentar aos estudantes comparações entre pensamentos atribuídos a Jesus Cristo e Karl Marx. O objetivo declarado foi estimular a reflexão dos alunos sobre diferentes concepções de organização social.

Para o autor, a educação deve permitir que os estudantes questionem informações recebidas, inclusive aquelas apresentadas pelos próprios professores. “Eu vejo o mundo dessa maneira. O mundo criado por um criador que eu tenho que obedecer à vontade dele e fazer ao próximo como se fosse a mim mesmo”, afirmou, ao explicar a perspectiva que apresenta em sala de aula.

Livro financiará projeto de assistência social

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Além da discussão religiosa e política, Rodrigues apresentou a proposta de utilizar a circulação do livro Nova Ordem em Cristo para arrecadar recursos destinados à criação de uma organização não governamental.

A iniciativa pretende desenvolver ações de assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social. Entre os públicos mencionados estão mulheres que exercem trabalho sexual e enfrentam dificuldades para obter outras fontes de renda, especialmente aquelas responsáveis pelo sustento dos filhos.

“Construindo uma espécie de organização que faça frente às necessidades do nosso irmão, que lhe é o que ele precisa fazer para evoluir com dignidade”, explicou Rodrigues, ao apresentar o propósito da iniciativa.

O psiquiatra relatou situações de mulheres que precisam conciliar trabalho, deslocamentos entre municípios e cuidados familiares. “Como é que eu vou arranjar um trabalho para essa menina que tem um filho, que tem que cuidar do filho, e quando sai para trabalhar tem que pagar alguém para ficar com o menino”, questionou, ao mencionar um caso conhecido por ele.

A proposta ainda está em fase de organização. Durante o programa, não foram apresentados orçamento, cronograma de implantação ou estrutura administrativa da entidade.

O livro está disponível mediante contribuição de R$ 50, destinada, segundo o autor, à formação de uma base financeira para o projeto. Os exemplares podem ser retirados na clínica Physiocenter, na Avenida Alexandrino de Alencar, 1229, no Tirol, em Natal, e na Clínica Bem-Estar, na Rua Maria Augusta Abate de Queiroz, 111, em Ceará-Mirim.

Rodrigues informou que mais de 80 exemplares já haviam sido distribuídos gratuitamente, com possibilidade de contribuições voluntárias dos leitores.

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Ao final da entrevista, o médico resumiu em uma palavra a mensagem que pretende transmitir com a publicação: “Amor”. Ele explicou que o princípio deve orientar as relações pessoais sem impedir a responsabilização por condutas consideradas erradas.

“Amar a pessoa humana que está fazendo aquilo porque está intoxicada de alguma forma, mas aquele ato que está fazendo ali temos que ser firmes, evitar e punir quando for necessário”, afirmou.

Nas considerações finais, Rodrigues reforçou a intenção de transformar as ideias apresentadas no livro em ações de assistência social. “Eu coloco esse apelo para a gente centrar forças para trazer dignidade à nossa condição humana”, disse.

O apresentador Elias Luz encerrou o programa incentivando o público a buscar informações, ouvir opiniões diferentes e formar suas próprias conclusões sobre os temas discutidos.