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História política

De Pedro Velho a Fátima: relembre todos os governadores do RN desde 1889

Especial percorre 137 anos de poder estadual, com governos eleitos, interventores, juntas e sucessões que marcaram a história política potiguar
Agora RN
25/10/2026 | 06:17

Às vésperas de escolher quem comandará o Rio Grande do Norte pelos próximos quatro anos, o Agora RN volta ao início da República para relembrar todos os nomes que já ocuparam o principal cargo do Executivo estadual. A história começa em 17 de novembro de 1889, dois dias depois da Proclamação da República, e chega ao governo de Fátima Bezerra.

A relação é maior do que a sucessão de governadores eleitos. Ela inclui administradores provisórios, vice-governadores que assumiram o cargo, interventores nomeados pelo governo federal e uma junta governativa. Nos primeiros anos republicanos, as mudanças foram tão frequentes que o Estado passou por 13 administrações provisórias até 28 de fevereiro de 1892.

Fachada do Palácio Potengi, antiga sede do Governo do Rio Grande do Norte
Palácio Potengi, antiga sede do Governo do Rio Grande do Norte, em Natal — Foto: Matti Blume/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por que alguns eram chamados de presidentes do Estado

Durante a Primeira República, o chefe do Executivo potiguar era oficialmente chamado de presidente do Estado. A denominação governador se consolidou mais tarde. Para facilitar a leitura, este especial usa “governador” como termo geral, mas preserva as diferenças entre eleitos, nomeados, interinos e interventores.

Retrato de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão
Pedro Velho instalou o regime republicano no Rio Grande do Norte e voltou ao governo em 1892 — Foto: Autor desconhecido/Wikimedia Commons (domínio público)

A instabilidade dos primeiros anos: 1889 a 1892

Pedro Velho de Albuquerque Maranhão instalou o regime republicano no Rio Grande do Norte em 17 de novembro de 1889. Permaneceu apenas 19 dias no cargo. A partir dali, nomeações federais, disputas entre grupos republicanos e os efeitos da crise que levou à renúncia do presidente Deodoro da Fonseca produziram uma sucessão acelerada.

  • Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 17 de novembro a 6 de dezembro de 1889;
  • Adolfo Afonso da Silva Gordo — 6 de dezembro de 1889 a 8 de fevereiro de 1890;
  • Jerônimo Américo Raposo da Câmara — 8 de fevereiro a 10 de março de 1890;
  • Joaquim Xavier da Silveira Júnior — 10 de março a 19 de setembro de 1890;
  • Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 19 de setembro a 8 de novembro de 1890;
  • João Gomes Ribeiro — 8 de novembro a 7 de dezembro de 1890;
  • Manuel do Nascimento Castro e Silva — 7 de dezembro de 1890 a 3 de março de 1891;
  • Francisco Amintas da Costa Barros — 3 de março a 13 de junho de 1891;
  • José Inácio Fernandes Barros — 13 de junho a 6 de agosto de 1891;
  • Francisco Gurgel de Oliveira — 6 de agosto a 9 de setembro de 1891;
  • Miguel Joaquim de Almeida Castro — 9 de setembro a 28 de novembro de 1891;
  • Junta Governativa — 28 de novembro de 1891 a 22 de fevereiro de 1892, formada por Francisco de Lima e Silva, Manuel do Nascimento Castro e Silva e Joaquim Ferreira Chaves;
  • Jerônimo Américo Raposo da Câmara — 22 a 28 de fevereiro de 1892.

Oligarquias e mandatos mais longos: 1892 a 1930

A posse de Pedro Velho em fevereiro de 1892 abriu uma fase de maior estabilidade institucional. Famílias e grupos políticos ligados às oligarquias estaduais dominaram a sucessão. Alberto Maranhão, irmão de Pedro Velho, chegou ao governo aos 27 anos e permanece como o mais jovem a assumir o cargo na história potiguar.

  • Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 1892 a 1896;
  • Joaquim Ferreira Chaves — 1896 a 1900;
  • Alberto Maranhão — 1900 a 1904;
  • Augusto Tavares de Lyra — 1904 a 1906;
  • Manuel Moreira Dias — 1906 a 1907;
  • Antônio José de Melo e Sousa — 1907 a 1908;
  • Alberto Maranhão — 1908 a 1914;
  • Joaquim Ferreira Chaves — 1914 a 1920;
  • Antônio José de Melo e Sousa — 1920 a 1924;
  • José Augusto de Medeiros — 1924 a 1928;
  • Juvenal Lamartine de Faria — 1928 a 5 de outubro de 1930;
  • Junta revolucionária — 6 a 12 de outubro de 1930, formada por Luís Tavares Guerreiro, Abelardo Torres Castro e Júlio Perouse Pontes.

Interventores e Estado Novo: 1930 a 1945

A Revolução de 1930 encerrou a autonomia política da Primeira República. Getúlio Vargas dissolveu os governos estaduais e passou a nomear interventores. Rafael Fernandes foi eleito indiretamente em 1935 e permaneceu no cargo como interventor depois do golpe do Estado Novo, em 1937.

  • Irineu Joffily — 1930 a 1931;
  • Aluísio de Andrade Moura — janeiro a julho de 1931;
  • Herculino Cascardo — 1931 a 1932;
  • Antônio José de Melo e Sousa — fevereiro a junho de 1932;
  • Bertino Dutra da Silva — 1932 a 1933;
  • Mário Leopoldo Pereira da Câmara — 1933 a 1935;
  • Liberato da Cruz Barroso — 27 a 29 de outubro de 1935;
  • Rafael Fernandes Gurjão — 1935 a 1943;
  • Antônio Fernandes Dantas — 1943 a agosto de 1945;
  • Georgino Avelino — agosto a outubro de 1945;
  • Dioclécio Duarte — 28 de outubro a 3 de novembro de 1945.

O retorno das eleições: 1945 a 1966

A redemocratização devolveu aos potiguares a escolha direta do governador. José Augusto Varela venceu a eleição de 1947. Dix-Sept Rosado, eleito em 1950, morreu em um acidente aéreo seis meses depois de tomar posse e foi sucedido pelo vice Sylvio Pedroza.

  • Miguel Seabra Fagundes — novembro de 1945 a fevereiro de 1946;
  • Ubaldo Melo — 1946 a janeiro de 1947;
  • Orestes da Rocha Lima — janeiro a julho de 1947;
  • José Augusto Varela — 1947 a 1951;
  • Dix-Sept Rosado — janeiro a julho de 1951;
  • Sylvio Pedroza — 1951 a 1956;
  • Dinarte Mariz — 1956 a 1961;
  • Aluízio Alves — 1961 a 1966.
Retrato de Aluízio Alves em 1967
Aluízio Alves governou o RN entre 1961 e 1966 — Foto: Arquivo Nacional/Wikimedia Commons

Ditadura, eleições indiretas e abertura: 1966 a 1987

Walfredo Gurgel foi o último governador eleito diretamente antes de o regime militar suspender a escolha popular para os governos estaduais. Cortez Pereira, Tarcísio Maia e Lavoisier Maia foram escolhidos de forma indireta. Em 1982, ainda durante a abertura política, José Agripino venceu a primeira eleição direta para governador em 17 anos.

  • Walfredo Gurgel — 1966 a 1971;
  • Cortez Pereira — 1971 a 1975;
  • Tarcísio Maia — 1975 a 1979;
  • Lavoisier Maia — 1979 a 1983;
  • José Agripino Maia — 1983 a maio de 1986;
  • Radir Pereira — maio de 1986 a março de 1987.
Retrato oficial de José Agripino Maia
José Agripino venceu, em 1982, a primeira eleição direta para governador do RN em 17 anos — Foto: Cleber Medeiros/Agência Senado

A Nova República: de Geraldo Melo a Fátima Bezerra

Desde 1987, o RN foi governado por dez pessoas. José Agripino e Garibaldi Alves Filho foram eleitos duas vezes. Wilma de Faria tornou-se, em 2003, a primeira mulher a governar o Estado. Fátima Bezerra, eleita em 2018 e reeleita em 2022, exerce o cargo em 2026.

Retrato oficial de Garibaldi Alves Filho
Garibaldi Alves Filho governou o RN entre 1995 e 2002 — Foto: Agência Senado
  • Geraldo Melo — 1987 a 1991;
  • José Agripino Maia — 1991 a março de 1994;
  • Vivaldo Costa — março a dezembro de 1994;
  • Garibaldi Alves Filho — 1995 a abril de 2002;
  • Fernando Freire — abril a dezembro de 2002;
  • Wilma de Faria — 2003 a março de 2010;
  • Iberê Ferreira de Souza — março a dezembro de 2010;
  • Rosalba Ciarlini — 2011 a 2014;
  • Robinson Faria — 2015 a 2018;
  • Fátima Bezerra — desde 1º de janeiro de 2019.
Wilma de Faria durante o período em que governou o Rio Grande do Norte
Wilma de Faria foi a primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte — Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Marcos da história do governo potiguar

  • Primeiro governante republicano: Pedro Velho, em 17 de novembro de 1889;
  • Primeiro eleito diretamente: Joaquim Ferreira Chaves, em 1896;
  • Mais jovem a tomar posse: Alberto Maranhão, aos 27 anos, em 1900;
  • Primeira mulher: Wilma de Faria, em 2003;
  • Maior número de passagens pelo cargo: Antônio José de Melo e Sousa exerceu o governo em três períodos distintos, entre 1907 e 1932;
  • Governadora atual: Fátima Bezerra, desde 2019.
Fátima Bezerra durante agenda pública em 2023
Fátima Bezerra governa o Estado desde 2019 — Foto: Ricardo Stuckert/PR/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Fontes: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Tribunal Regional Eleitoral do RN, arquivos históricos do Governo do Estado, Assembleia Legislativa e bibliografia de Itamar de Souza. Datas de transições provisórias foram confrontadas com estudos acadêmicos sobre a República no RN.

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