O projeto Bezzes, de estudantes da Escola Agrícola de Jundiaí da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EAJ/UFRN), venceu a classificação geral do Desafio ELI Agro 2026. A final reuniu 29 equipes em 17 de outubro, na Festa do Boi, em Parnamirim. Na categoria carcinicultura, o primeiro lugar ficou com a Aquasenti, que propôs um sensor inteligente para viveiros de camarão.
A competição aproximou estudantes de problemas apresentados por representantes da agricultura familiar e da criação de camarões. A premiação reconhece propostas de inovação; a divulgação dos resultados não informa implantação comercial, contratos ou retorno financeiro das soluções.

Aplicativo e monitoramento dos viveiros
Liderado pelo estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas Alan Azevedo, o Bezzes teve inspiração na organização coletiva das abelhas. O grupo desenvolveu um aplicativo identificado pelo Sebrae como Zoom. A publicação não detalha funcionalidades, testes ou modelo de cobrança.
A proposta da Aquasenti é acompanhar continuamente parâmetros dos viveiros e identificar alterações que possam afetar a criação. Não foram divulgados preço, precisão ou resultados de validação do sensor. Zelo e Nova Terra ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares nesse eixo.
Da demanda do produtor ao projeto
Na etapa de inscrições, o Sebrae apresentou uma lista de problemas que poderiam orientar as equipes: qualidade da água e automação na carcinicultura, previsão climática, logística compartilhada, rastreabilidade, aproveitamento de resíduos, bioinsumos e comercialização coletiva.
O desenho da competição reservou espaço a estudantes do ensino superior de instituições públicas e privadas do RN e a profissionais formados havia até três anos. A jornada incluiu oficinas e mentorias sobre prototipagem, inteligência artificial, modelos de negócio e preparação de apresentações para potenciais parceiros.
Essas atividades colocaram a formação acadêmica em contato com necessidades de cadeias produtivas. A construção de um protótipo e de um modelo de negócio faz parte desse percurso, mas ainda precisa ser acompanhada por evidências de funcionamento nas condições de uso pretendidas.
Inovação envolve mais que a premiação
O lançamento da terceira edição, em agosto, ocorreu em Mossoró e apresentou a aproximação entre academia e setor produtivo como eixo da iniciativa. O desafio foi organizado em uma jornada de capacitações, atividades práticas, mentorias e desenvolvimento de soluções, com encerramento na Festa do Boi.
Na apresentação institucional do ELI Agro, o ecossistema adota a articulação entre diferentes atores para transformar conhecimento em desenvolvimento no campo. O resultado da competição oferece um retrato dessa mobilização estudantil, sem permitir medir efeitos sobre a produtividade das propriedades.
A continuidade dos projetos exigirá esclarecer questões como custo, facilidade de uso, manutenção e validação junto aos produtores. No caso do monitoramento de viveiros, a informação disponível ainda não permite comparar o sensor proposto com equipamentos utilizados comercialmente.
A final integrou a programação do Sebrae na Festa do Boi, ambiente que reuniu capacitações e apresentação de produtos rurais. Como mostrou o Agora RN, a estrutura também aproximou empreendedores dos consumidores e de oportunidades de comercialização.
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