Cinco projetos de inovação de empresas do Rio Grande do Norte foram selecionados para receber R$ 21,1 milhões da chamada Mais Inovação Brasil — Subvenção Econômica Regional, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O resultado coloca o estado em terceiro lugar no Nordeste em número de propostas aprovadas e em segundo no volume de recursos recomendados.
Quatro das cinco iniciativas pertencem a empresas do Grupo Interjato e somam R$ 18,7 milhões. A quinta proposta é da ISnano, empresa incubada no Metrópole Parque, ligado ao Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (IMD/UFRN), com previsão de R$ 2,4 milhões.

Os projetos atuarão em áreas como inteligência artificial aplicada à saúde pública, gestão de cidades, infraestrutura de telecomunicações e redes digitais. Parte das iniciativas terá participação científica do IMD/UFRN. Os recursos são de subvenção econômica, modalidade de apoio não reembolsável destinada a pesquisa, desenvolvimento e inovação.
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Quais projetos do RN foram selecionados
Segundo informações divulgadas pelo Grupo Interjato e pelo IMD/UFRN, as propostas potiguares incluem soluções desenvolvidas por cinco empresas:
- Zaori — Torres que Falam: usa inteligência e sensores para monitorar estruturas de telecomunicações;
- Gotiva — ORION-SUS: aplica inteligência artificial à coordenação de redes de atenção à saúde pública;
- Mesotech — PIIGEON: desenvolve uma plataforma de gêmeos digitais para mobilidade urbana e gestão de cidades;
- Evos — Orquestração Inteligente de Redes: trabalha com gestão de infraestrutura digital e autonomia tecnológica;
- ISnano: projeto de uma empresa incubada no Metrópole Parque, com R$ 2,4 milhões em recursos previstos.
O ORION-SUS tem orçamento de R$ 5 milhões e deverá integrar dados e serviços relacionados ao atendimento de crianças neurodivergentes, incluindo pessoas com transtorno do espectro autista e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. O PIIGEON receberá R$ 4,2 milhões para desenvolver uma representação digital de ambientes urbanos capaz de apoiar decisões sobre mobilidade e eficiência operacional.
Três projetos com participação do IMD/UFRN somam R$ 13,2 milhões. O instituto deverá contribuir com pesquisadores e conhecimento técnico durante a execução, aproximando a estrutura acadêmica das necessidades de desenvolvimento das empresas.
O que é subvenção econômica
Na subvenção econômica, o recurso público não funciona como empréstimo e, por isso, não precisa ser devolvido como uma operação de crédito convencional. O dinheiro deve ser aplicado nas atividades previstas no projeto aprovado, com acompanhamento, prestação de contas e cumprimento das obrigações estabelecidas pela Finep.
O instrumento é utilizado em iniciativas que envolvem risco tecnológico, quando a empresa precisa testar uma solução, validar um produto ou desenvolver um processo ainda sem resultado comercial garantido. A participação do poder público divide parte desse risco e permite que negócios invistam em pesquisa que dificilmente seria financiada apenas com capital próprio.
A seleção também não significa que os valores serão depositados imediatamente. Os projetos seguem para etapas de formalização, organização das equipes e definição da execução. O desembolso depende do cumprimento dos procedimentos administrativos e das condições estabelecidas no edital.
O que o resultado mostra sobre o RN
O desempenho potiguar ganhou peso porque quatro dos cinco projetos estão ligados ao mesmo ecossistema empresarial e três mantêm colaboração com a UFRN. O resultado indica capacidade local de transformar pesquisa aplicada em propostas que disputam recursos nacionais, especialmente em tecnologia digital, saúde e cidades inteligentes.
Para o ambiente de negócios, os projetos podem gerar demanda por pesquisadores, desenvolvedores, profissionais de dados, especialistas em telecomunicações e fornecedores de serviços tecnológicos. A dimensão das contratações, no entanto, dependerá dos planos de execução de cada empresa. Até agora, não foram anunciadas vagas, seleções ou compras vinculadas ao conjunto de R$ 21,1 milhões.
O resultado também cria oportunidades de parceria para empresas que forneçam infraestrutura de nuvem, sensores, equipamentos, segurança da informação, integração de sistemas e serviços de engenharia. Essas possibilidades ainda não correspondem a processos de contratação abertos e deverão ser acompanhadas nos canais das empresas responsáveis.
Nordeste teve 40 projetos aprovados
No Nordeste, 310 propostas solicitaram R$ 1,2 bilhão, mais de oito vezes os R$ 150 milhões inicialmente reservados para a região. Após a análise, 40 projetos foram selecionados, com aproximadamente R$ 151,7 milhões. Pernambuco liderou com 13 iniciativas e R$ 50,1 milhões, seguido pela Bahia, com dez projetos e R$ 39,8 milhões. O RN ficou em seguida, com cinco propostas e R$ 21,1 milhões.
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a chamada recebeu 587 propostas, com demanda de R$ 2,25 bilhões. O orçamento inicial era de R$ 300 milhões. Durante o anúncio dos resultados, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, informou um aporte adicional de R$ 150 milhões, elevando o total para R$ 450 milhões.
O que empresários devem observar
- Formalização: a seleção antecede a assinatura dos instrumentos e o início dos desembolsos;
- Contrapartidas e metas: cada empresa deverá cumprir o plano de trabalho e prestar contas da aplicação dos recursos;
- Parcerias: fornecedores e instituições de pesquisa podem acompanhar futuras chamadas das empresas contempladas;
- Novos editais: o aporte adicional amplia o orçamento da iniciativa, mas não representa inscrição automática de novos projetos;
- Capacidade técnica: propostas de inovação exigem maturidade tecnológica, planejamento financeiro e equipe capaz de executar pesquisa aplicada.
Para o Rio Grande do Norte, a seleção combina entrada de recursos, fortalecimento de empresas locais e cooperação com a universidade. O impacto econômico dependerá da execução dos projetos, da contratação de profissionais e da capacidade das tecnologias desenvolvidas de chegar ao mercado e conquistar clientes.