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FNE projeta R$ 4,3 bilhões para o RN e reserva R$ 569 milhões à indústria

Orçamento preliminar do fundo para o Estado cresce dentro de uma programação recorde de R$ 60,9 bilhões para a área do Banco do Nordeste; setores produtivos discutem distribuição dos recursos
Agora RN
22/09/2026 | 22:54

O Rio Grande do Norte poderá contar com R$ 4,3 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em 2027 para financiar investimentos em infraestrutura, pecuária, comércio, serviços, indústria, agricultura e turismo. Dentro da programação apresentada pelo Banco do Nordeste (BNB), R$ 569,3 milhões estão previstos especificamente para a indústria potiguar.

Os valores foram apresentados nta terça-feira 22, em Natal, durante a reunião estadual de planejamento do FNE. O encontro faz parte da rodada promovida pelo BNB nos Estados de sua área de atuação para definir como será distribuído o orçamento de R$ 60,9 bilhões projetado para o fundo no próximo ano.

Participantes acompanham apresentação de Jeová Lins na Fiern
Superintendente do BNB no RN, Jeová Lins, durante apresentação na Fiern — Foto: SISTEMA FIERN

O montante previsto para 2027 é o maior da história do FNE e representa crescimento de 15,9% sobre a programação de 2026. Os recursos poderão financiar desde a implantação e modernização de empresas até projetos de infraestrutura, expansão de cadeias produtivas e abertura de novos negócios.

A proposta de R$ 4,3 bilhões para o Rio Grande do Norte ainda passará pelo processo de consolidação do plano de aplicação. As demandas apresentadas pelos setores produtivos e órgãos públicos durante a reunião em Natal serão incorporadas ao planejamento que deverá ser submetido ao Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A aprovação precisa ocorrer até dezembro para que a programação entre em vigor em janeiro de 2027.

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) participou da discussão representada pelo vice-presidente Edilson Trindade, em nome do presidente Roberto Serquiz, e pela secretária executiva da Comissão Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia, Susie Macedo.

A previsão de R$ 569,3 milhões para a indústria levou a Fiern a propor uma aproximação com o BNB para ampliar a utilização do crédito pelas empresas potiguares. “Vou levar ao presidente Roberto Serquiz a proposta de reunião com o BNB para que a indústria possa aproveitar melhor o valor do FNE destinado ao nosso segmento”, afirmou Edilson Trindade.

O superintendente do BNB no Rio Grande do Norte, Jeová Lins, afirmou que a indústria de transformação está entre os segmentos considerados prioritários na aplicação dos recursos. “Temos diversas linhas de crédito para atender cada um dos setores e precisamos de bons projetos para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico no nosso Estado”, disse Jeová Lins.

O volume previsto para 2027 representa uma ampliação da capacidade de financiamento disponível para a economia potiguar. Em 2025, o BNB aplicou cerca de R$ 2,6 bilhões do FNE no Rio Grande do Norte. Naquele ano, a indústria recebeu quase R$ 400 milhões, praticamente o dobro do volume do ano anterior, segundo balanço apresentado pelo superintendente estadual do banco.

Para 2026, o BNB passou a trabalhar com a possibilidade de alcançar até R$ 4 bilhões em operações de crédito no Estado, considerando FNE e outras fontes. Até junho, mais de R$ 1,7 bilhão já havia sido contratado. A programação preliminar de R$ 4,3 bilhões do FNE para 2027, portanto, coloca o fundo como uma das principais fontes de financiamento de longo prazo disponíveis para novos investimentos no Rio Grande do Norte.

Fundo terá recorde de R$ 60,9 bilhões

O crescimento dos recursos destinados ao Rio Grande do Norte acompanha uma ampliação do FNE em toda a área de atuação da Sudene. Os R$ 60,9 bilhões previstos para 2027 serão destinados aos nove Estados nordestinos, além de 249 municípios de Minas Gerais e 31 do Espírito Santo.

A programação é R$ 8,3 bilhões superior à de 2026, calculada em aproximadamente R$ 52,6 bilhões. O aumento nominal chega a 15,9%. A composição dos recursos ajuda a explicar a capacidade crescente do fundo. Segundo o BNB, cerca de 70% do orçamento projetado para 2027 virá do retorno das aplicações realizadas em exercícios anteriores. O restante tem origem principalmente nos repasses previstos constitucionalmente pelo Tesouro Nacional.

O modelo permite que os valores pagos pelos tomadores dos financiamentos retornem ao fundo e sejam utilizados em novas operações, aumentando a capacidade de concessão de crédito ao longo do tempo. Cada Estado deve receber entre 5% e 30% dos recursos do FNE. Projetos de infraestrutura, por exemplo, podem consumir no máximo 35% do orçamento total. Pelo menos 62% dos recursos devem ser direcionados aos públicos prioritários do fundo, entre eles micro e pequenas empresas e beneficiários dos programas de microcrédito produtivo orientado. Considerando o orçamento de 2027, isso representa mais de R$ 37,8 bilhões. O FNE é o principal instrumento financeiro da Política Nacional de Desenvolvimento Regional para sua área de atuação e também integra o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste.

O banco utiliza os recursos para financiar investimentos produtivos com condições de prazo e juros voltadas ao desenvolvimento regional. No Rio Grande do Norte, Jeová Lins afirmou anteriormente que as taxas das operações do fundo podem variar, conforme porte e modalidade, de cerca de 6,5% a menos de 11% ao ano, enquanto financiamentos de infraestrutura podem alcançar prazo de 25 anos.

Os números divulgados pelo BNB indicam os efeitos econômicos das operações realizadas anteriormente. Estimativas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) apontam que os recursos do FNE aplicados em 2025 tiveram impacto de R$ 33,2 bilhões sobre o Valor Bruto da Produção, adicionaram R$ 15,2 bilhões à economia e movimentaram R$ 6,3 bilhões em massa salarial e R$ 1,6 bilhão em arrecadação tributária.

Indústria busca ampliar acesso ao crédito aos 167 municípios no Estado

No Rio Grande do Norte, a discussão ganha peso para a indústria diante dos R$ 569,3 milhões reservados preliminarmente ao segmento. O valor abre espaço para investimentos em implantação, ampliação e modernização de unidades produtivas, além das demais modalidades contempladas pelas linhas do FNE.

A relação entre BNB e Fiern já inclui ações para aproximar as empresas do financiamento. Em acordo de cooperação firmado anteriormente, as instituições estabeleceram iniciativas voltadas à capacitação empresarial e à ampliação do acesso ao crédito nos 167 municípios potiguares. O financiamento pode alcançar modernização, expansão, implantação de empreendimentos e necessidades de capital de giro.

A disponibilidade de dinheiro, porém, não significa desembolso automático. A efetiva aplicação depende da apresentação de projetos pelas empresas, da análise das operações e do atendimento das exigências necessárias para a contratação. É nesse ponto que Fiern e BNB pretendem ampliar o diálogo. Ao propor uma reunião específica com o banco, Edilson Trindade indicou que a Fiern quer discutir formas de fazer com que uma parcela maior das empresas conheça e utilize as linhas disponíveis.

O movimento ocorre depois de uma expansão dos financiamentos industriais no Estado. Segundo Jeová Lins, o BNB chegou a quase R$ 400 milhões em operações para a indústria potiguar em 2025, com crescimento próximo de 100% em relação ao ano anterior. O resultado representou uma mudança em relação a um período no qual, segundo o superintendente, o setor vinha recebendo um volume menor de crédito da instituição.

Em 2024, o FNE havia destinado R$ 138 milhões às atividades industriais e agroindustriais no Estado. Os financiamentos alcançaram segmentos como alimentos e bebidas, vestuário, petróleo e gás, açúcar e álcool e construção civil. Metade daquele volume ficou com pequenos negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Para 2027, a previsão de R$ 569,3 milhões coloca a indústria entre os setores que terão espaço próprio dentro do planejamento estadual. A intenção manifestada pelo BNB é transformar a disponibilidade financeira em novos projetos.

A discussão não se limita à indústria. O orçamento de R$ 4,3 bilhões deverá ser distribuído entre diferentes atividades da economia potiguar, incluindo infraestrutura, comércio e serviços, agricultura, pecuária e turismo.

Infraestrutura e comércio e serviços já figuram entre os principais demandantes de financiamento do banco no Estado. Em 2025, segundo Jeová Lins, infraestrutura liderou a demanda, enquanto comércio e serviços ocuparam a segunda posição, com mais de R$ 600 milhões em operações.

A reunião desta terça-feira 22 também contou com uma apresentação da superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio Grande do Norte, Fabiana Fábrega, sobre indicadores da agropecuária potiguar. Os dados serviram de referência para as discussões sobre as necessidades de financiamento das atividades produtivas.

A definição final da divisão dos R$ 4,3 bilhões dependerá agora da consolidação das propostas apresentadas nesta etapa de planejamento. Para o setor industrial, a discussão passa também pela capacidade de transformar os R$ 569,3 milhões previstos em projetos efetivamente contratados ao longo de 2027.