O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à última semana antes da eleição com uma sequência de benefícios, subsídios e programas anunciados ou ampliados ao longo de 2026. O “Gastômetro” criado pelo jornal O Estadão de S. Paulo calcula em R$ 327 bilhões o valor das medidas reunidas neste ano eleitoral. A cifra inclui linhas de crédito e renúncias de receita, além de despesas públicas.
O levantamento reúne 42 iniciativas em cinco grupos: R$ 173,1 bilhões em créditos e subvenções, R$ 68,1 bilhões em benefícios sociais, R$ 50,6 bilhões em renúncia de receitas, R$ 34,8 bilhões em programas fora do Orçamento e R$ 800 milhões em publicidade.

Créditos e subvenções formam o maior grupo, com 23 medidas. Entre as principais, estão R$ 30 bilhões em financiamento para a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, R$ 22 bilhões em crédito a exportadores pelo Plano Brasil Soberano, R$ 20 bilhões em financiamento reembolsável do Minha Casa, Minha Vida e R$ 15 bilhões para a compra de dívidas pelo Desenrola Brasil.
Nos programas classificados pelo levantamento como fora do Orçamento, aparecem R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas do Fies, R$ 7 bilhões para o Crédito Indústria 4.0 e R$ 5 bilhões relacionados a dinheiro esquecido nos bancos.
As seis medidas de renúncia de receitas totalizam R$ 50,6 bilhões. A maior parcela, de R$ 31,8 bilhões, corresponde à isenção e ao desconto no Imposto de Renda para quem recebe até R$ 7 mil por mês. O grupo inclui ainda R$ 6,8 bilhões associados à proibição das bets e R$ 6,7 bilhões em isenção de PIS/Cofins sobre o diesel.
Nos benefícios sociais, o levantamento atribui R$ 28,5 bilhões ao Bolsa Família, R$ 18,86 bilhões ao Pé-de-Meia, R$ 11,1 bilhões ao Programa Brasil contra o Crime Organizado, R$ 5,16 bilhões ao Gás do Povo e R$ 4,45 bilhões ao Luz do Povo. A quinta categoria registra R$ 840 milhões em publicidade da Presidência da República por meio da Secretaria de Comunicação Social.
MOSSORÓ
O desembargador eleitoral Lourinaldo Silvestre de Lima Filho proibiu o prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (Republicanos), de usar prédios, veículos, serviços ou servidores municipais em benefício de candidatos nas eleições, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A ordem foi dada em ação da coligação de Álvaro Dias (PL) contra Marcos, Allyson Bezerra (União) e o candidato a vice-governador Hermano Morais (MDB), após uma reunião na comunidade Puxa-Boi em que providências para transporte de pacientes teriam sido associadas a pedidos de voto para Allyson.
BETS
As bets terão de devolver um valor estimado em R$ 1,7 bilhão a 22,9 milhões de apostadores que têm saldo nas casas de apostas que eram regulamentadas e foram proibidas de funcionar pela MP 1394. Os dados são estimados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Os consumidores com saldo nas bets têm até 5 de outubro para retirar os valores voluntariamente.
GESTO
Na reta final da campanha, setores do bolsonarismo começaram a reforçar os apelos para que Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) retirem suas candidaturas à Presidência e apoiem Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), endossou o coro, declarou que “a matemática se impõe nesse momento” e pediu que Zema e Caiado se inspirem em Ricardo Salles (Novo), que retirou sua candidatura ao Senado em São Paulo ontem. “Existe um projeto maior, existe uma responsabilidade nossa maior com o País, com o futuro do Brasil”, afirmou Tarcísio.
RECALCULANDO ROTA
Flávio Bolsonaro (PL) ergueu uma imagem de Nossa Senhora recebida de um apoiador durante caminhada de campanha em São Paulo, nesta segunda-feira 28, e depois agradeceu à CNBB por negar participação na divulgação de uma notícia falsa envolvendo o candidato e a santa. No domingo, ele havia acusado “gente de dentro da CNBB” de ajudar a espalhar o conteúdo. A entidade respondeu que não produziu nem divulgou informações falsas e afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira”.