A Polícia Federal investiga a destinação de uma emenda de R$ 199.999,79 do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto esportivo no Rio de Janeiro. A verba foi liberada em 2023, após pedido feito por Robson Calixto, conhecido como Peixe, a uma assessora do parlamentar.
Segundo mensagens encontradas no celular de Peixe, ele procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar de Flávio Bolsonaro, para pedir apoio na obtenção de recursos. Dias depois, a emenda foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o IFOP.

Os recursos foram repassados pelo Ministério do Esporte para financiar o projeto Jogadores do Futuro, voltado ao atendimento de crianças na Taquara, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Relatório técnico do Tribunal de Contas da União, produzido em 2025, apontou indícios de desvio dos recursos. Entre os pontos citados está a contratação de uma sociedade individual de advocacia para coordenar atividades de treinamento esportivo.
O TCU afirmou que os serviços advocatícios não tinham relação com a coordenação de atividades esportivas. O relatório também apontou que o responsável pela empresa contratada era o próprio presidente do IFOP.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Por meio da assessoria, informou que a emenda foi destinada dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. O senador afirmou ainda que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os recursos não utilizados.
Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a acusação, ele atuou como elo entre executores e mandantes do crime.
A PF também identificou conversas posteriores entre Peixe e a assessora parlamentar, incluindo um pedido de ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador. Os investigadores afirmam que as mensagens não indicam quem utilizou os ingressos.