O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira 18, no Rio de Janeiro, que não aceita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante uma agenda de combate ao crime organizado, ele chamou a tentativa de golpe relacionada aos ataques de 8 de janeiro de 2023 de “terrorismo de Estado”.
Os Estados Unidos classificaram as duas facções como organizações terroristas estrangeiras em junho. A divergência voltou ao centro do debate nesta semana, depois que um documento enviado pelo governo de Donald Trump ao Congresso americano afirmou que o Brasil falhou no enfrentamento ao PCC e ao CV e se tornou um centro para o fluxo internacional de cocaína.

O Ministério da Justiça contestou a acusação. Segundo a pasta, o documento desconsidera operações contra o crime e a cooperação entre os dois países. O governo brasileiro ressaltou que o Brasil não está entre os 23 países classificados pelos EUA como principais produtores ou rotas de trânsito de drogas; a crítica aparece na parte narrativa do texto.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou Lula. Ao explicar sua posição, o presidente associou o termo “terrorismo de Estado” à tentativa de manter Jair Bolsonaro (PL) no poder depois da derrota nas eleições de 2022. Ele citou os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
No mesmo trecho do discurso, Lula mencionou o plano investigado pela Polícia Federal que previa ataques contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Isso é terrorismo de Estado”, afirmou. O presidente também disse que as facções aterrorizam as famílias que vivem nas áreas sob seu domínio.
A visita ao Rio ocorreu em meio à ampliação das ações conjuntas dos governos federal e estadual contra o crime organizado. Na quinta-feira 17, representantes das forças de segurança definiram a elaboração de planos operacionais para integrar policiamento, fiscalização e investigação em corredores logísticos usados para a circulação de armas, drogas e cargas.