Durante oito anos, Emanuismo, também conhecido como Nenel, esteve atrás das câmeras no audiovisual independente do Rio Grande do Norte, dirigindo e gravando videoclipes de músicos de Natal e da Região Metropolitana. Agora, ele se coloca na frente delas. Nesta quarta-feira 16, o artista lança “Manual de Como Perder Amigos”, disco que marca sua estreia como rapper, cantor e compositor.
O álbum traz retratos da vida urbana e da intimidade de Emanuismo, que escreveu as letras e cuidou da direção conceitual. A gravação reúne músicos com história na cena potiguar e aposta num som orgânico, que junta instrumentos tocados ao vivo a beats, sintetizadores e programações.

A ligação de Nenel com o rap é anterior ao disco. Aos 16 anos, ao se mudar de Natal para Parnamirim, ele fez das batalhas de rima, duelos de versos improvisados entre rappers, uma segunda escola e passou a frequentar o polo cultural do hip-hop da região. As amizades e parcerias desse período marcaram sua trajetória e reaparecem, anos depois, na criação do primeiro álbum.
Foi esse caminho entre beats, samples, trechos de gravações reaproveitados em novas músicas, e o rap da Grande Natal que o levou a buscar outra sonoridade. “Manual de Como Perder Amigos” foge das fórmulas prontas e aposta na sintonia entre os músicos: mantém algumas camadas eletrônicas, mas põe a música tocada ao vivo no centro.
O projeto também quer falar de conflitos e realidades próprias de Natal e do Nordeste, longe de fórmulas e temas concentrados no eixo Sudeste que nem sempre dizem respeito a quem vive desse lado do país. Inspirado no improviso livre, o disco tenta traduzir as ruas, os afetos, as contradições e as mudanças da cidade, e também acompanha as questões pessoais do artista.
As letras falam das dores de crescer, do isolamento, de relacionamentos desfeitos e de amizades que se perdem diante das renúncias que a vida impõe. Algumas letras nasceram ainda em 2017, quando o artista assinava com a persona derivada de seu apelido de criança. O trabalho tem também um lado político e funciona como uma espécie de pequeno manifesto pela autonomia do rap nordestino e potiguar.
A construção do disco foi coletiva, com cada músico cumprindo um papel. Nenel ficou com os vocais, a escrita e a direção conceitual. Gabriel Souto, que integra ou já trabalhou com projetos como Dusouto, Luísa e os Alquimistas e LEOA, cuidou da produção fonográfica, dos beats, dos sintetizadores e das programações.
João Victor Lima, o VZL Swami, que tem trabalhos com Sourebel, Gracinha e Cami Santiz, toca guitarra e baixo. Rodolfo Almeida, do Fukai e do Gracinha, reveza entre baixo e guitarra. Na bateria está Ian Medeiros, que passou pelo Mahmed e pelo Mulungu e tem também carreira solo.
Uma das referências do álbum é a parceria entre o rapper americano Ghostface Killah e o grupo canadense BADBADNOTGOOD. A partir dela, Emanuismo junta rimas, crônicas urbanas e relatos da própria vida a uma base instrumental tocada por músicos que já dividiram outros trabalhos.
A produção de Gabriel Souto amarra esse encontro com beats e sintetizadores, e Ian Medeiros, Rodolfo Almeida e VZL Swami apostam num jeito de improvisar parecido com o do jazz. O resultado passeia pelo jazz-rap, pelo hip-hop alternativo e por grooves orgânicos.
Por isso, “Manual de Como Perder Amigos” é um disco sobre ficar, recusar, romper e recomeçar. Enquanto olha para uma Natal particular e seus diferentes modos de vida, o álbum também se volta para memórias pessoais, como uma foto antiga guardada numa gaveta.
Apesar do nome, o trabalho reúne crônicas do cotidiano e funciona como um mapa para o que vem pela frente, feito com base na cidade, nas relações pessoais e nas transformações vividas por Nenel. O disco chega às plataformas digitais nesta quarta-feira 16 e já pode ser pré-salvo, recurso que adiciona o lançamento à biblioteca do ouvinte assim que sai.