A Costa Branca, principal polo salineiro do Rio Grande do Norte, entra em uma nova etapa de investimentos em infraestrutura com projetos de gás natural e abastecimento de água que, juntos, somam cerca de R$ 72 milhões. A maior intervenção já concluída é o Polo Gás Sal, da Companhia Potiguar de Gás (Potigás), que recebeu R$ 34,5 milhões e implantou 52 quilômetros de gasodutos entre Mossoró e Areia Branca. A rede tem capacidade para disponibilizar até 40 mil metros cúbicos de gás natural por dia.
A governadora Fátima Bezerra visitou, na última sexta-feira 11 a Salina Uirapuru, em Mossoró, e o novo ponto de distribuição em Areia Branca. O objetivo do governo é usar a infraestrutura energética para reduzir gargalos das empresas já instaladas e criar condições para novos investimentos em uma região cuja economia tem forte ligação com a produção de sal.

As obras do Polo Gás Sal começaram em janeiro de 2025. Em março deste ano, mais de 43 quilômetros já estavam implantados e o empreendimento se aproximava de 80% de execução. No fim de agosto, a Potigás anunciou a conclusão do projeto, com atendimento previsto para indústrias, postos de combustíveis, estabelecimentos comerciais e consumidores residenciais.
A infraestrutura substitui, em alguns processos industriais, o abastecimento por GLP transportado em caminhões. Na Salina Uirapuru, a mudança acompanha a modernização e ampliação da unidade, que pretende elevar a capacidade produtiva e buscar novos mercados, inclusive no exterior.
“Antes, eles eram abastecidos com GLP, o que exigia toda uma logística de transporte até aqui. O gás natural, além de ter menos emissões e ser mais sustentável, permite que empresas como a Cimsal trabalhem melhor o beneficiamento dos produtos, agregando mais valor ao que é destinado à exportação e ao mercado interno”, afirma Marina Melo, diretora-presidente da Potigás.
A empresa aponta também uma mudança na logística de segurança. O combustível passa a chegar por tubulação subterrânea, eliminando parte do transporte rodoviário e da necessidade de armazenamento do GLP dentro das unidades consumidoras.
“O gasoduto também é um método mais seguro. Antes, o GLP vinha de caminhão pelas estradas para abastecimento e era necessário fazer o armazenamento do produto líquido em contêineres dentro das empresas. Com o gasoduto, não. O gás vem por uma estrutura subterrânea, que pode ser ligada e desligada, tornando o processo mais seguro”, diz Marina.
Infraestrutura e incentivo fiscal
A expansão mira uma atividade de peso na economia regional. Segundo o governo potiguar, o Rio Grande do Norte responde por 98% da produção brasileira de sal marinho, concentrada sobretudo na Costa Branca. Além da infraestrutura energética, o Estado alterou seu programa de incentivos para incorporar atividades ligadas ao setor.
“Este é um dos setores mais importantes da economia potiguar e que impacta a vida de milhares de famílias. A Potigás, ao levar o gás canalizado para Areia Branca, amplia as condições para que o setor salineiro possa modernizar seus processos, ganhar competitividade e gerar mais empregos”, afirmou Fátima durante a agenda.
Em dezembro de 2024, o governo modificou as regras do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi). O Decreto nº 34.264 estabeleceu faixas específicas para atividades de beneficiamento e extração de sal marinho, independentemente da localização das empresas.
A combinação de incentivo e infraestrutura pretende aumentar a capacidade de processamento do produto no próprio Estado. Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado, a atuação pública passa pela articulação das demandas empresariais com projetos capazes de reduzir custos e aumentar a previsibilidade das operações. “A Sedec atua como ponto de articulação entre o Governo e o setor produtivo, buscando criar condições para ampliar a competitividade e a segurança das empresas”, afirma.