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Violência política

Três candidatas do PT no RN recebem ameaças de morte e de violência sexual, e partido cobra investigação

E-mails a Brisa Bracchi marcavam data para os crimes; mensagem a Natália Bonavides veio assinada por grupo que citou a Ku Klux Klan
Agora RN
08/09/2026 | 17:45

Três mulheres do PT potiguar receberam ameaças durante o feriadão da Independência, e o partido veio a público cobrar resposta. Quem falou foi Samanda de Lula — presidente da legenda no Estado e candidata ao Senado —, exigindo que os autores das mensagens sejam identificados e punidos pelo que fizeram.

Os relatos vieram da deputada federal Natália Bonavides, da vereadora de Natal Brisa Bracchi e da candidata a deputada estadual Juliana Garcia. As três descreveram episódios de ameaça, de ofensa e de intimidação ocorridos em plena campanha eleitoral. O conteúdo dos ataques inclui referência a morte, a violência sexual, a “estupro corretivo” e a esquartejamento — além da exposição de informações pessoais e de dados de familiares.

Samanda de Lula durante entrevista em estúdio de rádio
Samanda de Lula, presidente do PT no RN, cobrou identificação e punição dos autores das ameaças — José Aldenir

“Mulheres do meu partido estão sendo ameaçadas. Ameaças de morte, de violência sexual, de estupro corretivo, de esquartejamento. Ameaças graves, extensivas aos seus familiares. Ataques covardes que têm o objetivo de nos amedrontar e de nos tirar da disputa política”, afirmou Samanda.

Como dirigente estadual da sigla, ela disse que o partido vai cobrar das autoridades tanto a identificação e a punição dos responsáveis quanto a garantia de segurança para as mulheres ameaçadas. Parlamentares e partido tratam os episódios como violência política de gênero.

E-mails com data marcada e transmissão ao vivo

Vereadora em Natal e candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados, Brisa Bracchi contou que tudo chegou em 1º de setembro — nas duas caixas de e-mail que usa, a pessoal e a do gabinete.

O teor era misógino e LGBTfóbico. Havia descrição de agressão sexual e de morte, havia uma data marcada para a suposta execução, havia até menção a uma transmissão ao vivo. Num segundo e-mail vieram dados pessoais dela e de gente da família.

Uma das assinaturas nas mensagens leva o nome de um homem ligado a grupos neonazistas, com passagem pela prisão por crime violento. Nada disso, contudo, foi confirmado como autoria até aqui.

Guardado o material, ele seguiu para a Polícia Civil, que abriu investigação. Pela Ouvidoria da Mulher, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) foi avisado; e o Ministério Público Eleitoral despachou o caso para a Polícia Federal. O Ministério das Mulheres também foi avisado.

“Sociedade Secreta Carbonária”

Natália Bonavides, que tenta um novo mandato na Câmara, também denunciou e-mail com ameaça de violência sexual e de esquartejamento.

A mensagem saiu de endereço encriptado e trazia a assinatura de um grupo que se chama “Sociedade Secreta Carbonária” e invocou a Ku Klux Klan. O texto detalhava as agressões e vinha acompanhado de CPFs, endereços e outros dados de parentes e de pessoas do convívio da deputada.

A equipe da deputada entregou o que tinha a três instâncias: Polícia Civil, Polícia Legislativa e Ministério Público Eleitoral. Se há elo entre o que chegou a ela e o que chegou a Brisa, ninguém confirmou até este momento.

A deputada disse já ter passado por situação parecida em outras ocasiões e defendeu que esses episódios não sejam normalizados como se fossem parte do debate político.

Ataques que voltam ao caso do elevador

Juliana Garcia descreveu uma enxurrada de ataques, ofensas e ameaças nas redes desde que a campanha começou. Parte das mensagens voltava ao episódio de julho de 2025, quando ela quase foi morta pelo namorado da época: foram 61 socos, dentro do elevador de um prédio em Ponta Negra, na Zona Sul da capital. O caso ganhou repercussão nacional.

Diante da escalada dos ataques virtuais, a candidata passou a restringir os comentários nos vídeos que publica no Instagram. Segundo ela, a medida serve para impedir que as redes continuem funcionando como instrumento de intimidação e humilhação — e não significa recusa ao debate político.

Governo aciona a Sesed

A governadora Fátima Bezerra (PT) veio a público dizer que já mandou a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) tomar o que for preciso para apurar os casos e dar proteção a quem foi ameaçada.

As três disseram que não vão parar: seguem com a agenda política e com a campanha.

Para Samanda, as ameaças miram afastar mulheres dos espaços de decisão. “Quando uma de nós é atacada, é a democracia que fica ferida de morte. E vocês sabem como vamos responder? Incomodando ainda mais. Ocupando cada vez mais lugares. Enfrentando os covardes e os misóginos. Nenhuma ameaça vai nos fazer recuar!”, declarou.

No fim da manifestação, ela prestou solidariedade às três. “Brisa Bracchi, Natália Bonavides, Juliana Garcia, a vocês toda minha solidariedade, minha força e minha luta”, afirmou.