O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, visitou nesta quinta-feira 3 a planta-piloto de hidrogênio renovável em construção na Usina Termelétrica do Vale do Açu (Termoaçu), em Alto do Rodrigues. Liderado pela Petrobras e desenvolvido em cooperação com o SENAI-RN, por meio do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), o projeto recebe investimento de cerca de R$ 90 milhões e avança para o início das operações.
A unidade tem como objetivo testar a produção de hidrogênio por eletrólise da água, utilizando energia solar, e avaliar aplicações, integração ao gás natural e possíveis modelos de negócio. A iniciativa tem caráter de pesquisa, desenvolvimento e inovação e não prevê, nesta etapa, produção comercial em grande escala.

Durante a visita, Serquiz destacou que a implantação da planta transforma o potencial energético do Rio Grande do Norte em uma oportunidade concreta de desenvolvimento industrial.
“O Rio Grande do Norte tem duas das maiores riquezas do mundo contemporâneo: o vento e o sol. Hoje tivemos a oportunidade de conhecer uma planta-piloto em que o SENAI e instituições parceiras trabalham para transformar a energia renovável em hidrogênio. É o potencial do Estado começando a se tornar realidade”, afirmou.
A estrutura contará com um eletrolisador de 2 megawatts (MW), com tecnologia PEM — membrana de troca de prótons —, além de microturbinas e células de combustível. A usina fotovoltaica existente no complexo será ampliada para alcançar 2,5 megawatts-pico (MWp).
O projeto utiliza infraestrutura já disponível na Termoaçu, como água desmineralizada, subestação, conexão à rede elétrica, geração solar e sistema de armazenamento de energia. A unidade permitirá testar a mistura de hidrogênio com gás natural e a geração de energia por meio de microturbinas e células de combustível.
Segundo Serquiz, o empreendimento reúne elementos estratégicos para o desenvolvimento econômico do Estado, como inovação, sustentabilidade e criação de novas atividades industriais.
“Vimos um investimento voltado para um futuro no qual desenvolvimento, indústria e tecnologia caminham juntos. O Rio Grande do Norte tem excedente de produção de energias renováveis e pode avançar na transformação dessa energia limpa em novos produtos, com capacidade para atender ao Brasil e ao mercado internacional”, disse.
O presidente da FIERN também ressaltou que a unidade integra diferentes etapas da cadeia energética. “Aqui acompanhamos a geração, a transformação e o armazenamento da energia. Saímos com a certeza de que, em breve, essa planta será inaugurada e dará início a um processo importante não apenas para o Rio Grande do Norte, mas também para o Brasil”, acrescentou.
Geração de conhecimento e projetos industriais agregados
A planta-piloto deverá gerar conhecimento sobre produção, armazenamento e uso do hidrogênio, além de avaliar a integração da tecnologia à infraestrutura existente. Os estudos também poderão subsidiar futuros projetos industriais, caso as soluções testadas apresentem viabilidade técnica e econômica.
O diretor regional do SENAI-RN, Rodrigo Mello, afirmou que a implantação da unidade representa uma nova etapa para o aproveitamento do potencial renovável do Estado.
“Durante muito tempo, o Rio Grande do Norte discutiu seu potencial para produzir hidrogênio e transformar energias renováveis em combustível destinado às cadeias industriais. Agora, em Alto do Rodrigues, acompanhamos a maturidade de um projeto que se aproxima do início de suas atividades”, afirmou.
Mello destacou que o Estado começa a avançar da geração de eletricidade renovável para o uso dessa energia em atividades industriais de maior valor agregado.
“Estamos subindo um degrau. Além de gerar energia renovável, começamos a criar condições para consumi-la em maior escala no próprio Rio Grande do Norte, com destinações como a produção de hidrogênio. Isso ocorre em paralelo à formação de pessoas e ao desenvolvimento de tecnologia”, disse.
De acordo com o diretor, o projeto também contribui para inserir o Brasil entre os países que dominam as tecnologias de produção e uso industrial do hidrogênio. “Estamos falando de hidrogênio de baixo carbono, produzido a partir de uma base de energia renovável e voltado às cadeias industriais”, acrescentou.
O Rio Grande do Norte foi escolhido para receber a planta por reunir disponibilidade de energia eólica e solar, infraestrutura industrial e capacidade científica e tecnológica. Estudos do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e do ISI-ER posicionam o Estado entre as áreas mais competitivas do país para o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio.
A expectativa é que o projeto fortaleça a atuação do RN como ambiente de desenvolvimento de tecnologias para a transição energética, estimule a qualificação profissional e amplie as oportunidades para fornecedores e empresas locais. Os resultados poderão abrir caminho para aplicações em segmentos como refino, fertilizantes, cimento, mineração, siderurgia, transporte marítimo e aviação.
Também participaram da visita a coordenadora de Relações Institucionais e com o Mercado da FIERN, Ana Adalgisa; o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do ISI-ER, Antonio Medeiros; e a gerente corporativa de Comunicação do Sistema FIERN, Juliska Azevedo.