Os recifes de coral estão enfrentando períodos cada vez menores para se recuperar dos eventos de branqueamento provocados pelo aquecimento dos oceanos. Um levantamento internacional, elaborado com dados coletados durante mais de quatro décadas em quase 37 mil pontos de 120 países, mostra que o intervalo entre episódios severos caiu para apenas cinco ou seis anos.
O tempo é insuficiente para que muitas formações recuperem a cobertura de corais e restabeleçam plenamente suas funções ambientais. Em 2023, o branqueamento atingiu aproximadamente 77% das áreas de recifes monitoradas no planeta, no evento mais amplo já registrado. Desde 2010, também foi identificada uma redução acentuada da cobertura de corais duros.

Os recifes abrigam cerca de 25% da vida marinha, ajudam a proteger o litoral contra ondas e erosão e sustentam atividades econômicas ligadas à pesca, ao mergulho e ao turismo. A degradação desses ambientes ameaça a segurança alimentar e a renda de milhões de pessoas, sobretudo nas comunidades costeiras.
O alerta interessa diretamente ao Brasil e ao Nordeste. No Rio Grande do Norte, ambientes como os parrachos de Maracajaú, Rio do Fogo e Pirangi estão associados à biodiversidade, ao turismo e ao trabalho de pescadores, operadores de embarcações, mergulhadores, restaurantes e pequenos comerciantes.
Além da redução das emissões responsáveis pelo aquecimento global, especialistas defendem ações locais contra despejo de esgoto, pesca predatória, ocupação desordenada e exploração turística sem controle. Para Natal e os demais municípios do litoral potiguar, preservar os recifes também significa proteger emprego, arrecadação, alimentos e parte fundamental da identidade ambiental do Estado.
O levantamento foi publicado na edição desta terça-feira 1º do jornal O Correio de Hoje.