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Preso suspeito de vender imóveis que não existiam e transformar entrada em cota de consórcio

Investigação reúne mais de 19 boletins de ocorrência com o mesmo padrão; vítimas assinavam adesão a consórcio acreditando fechar financiamento imobiliário
Agora RN
19/08/2026 | 18:46

Um homem de 30 anos foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte, na manhã desta terça-feira 18, suspeito de liderar um esquema de estelionato com falsas vendas e financiamentos de imóveis. As investigações já identificaram mais de 19 boletins de ocorrência com características semelhantes.

Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado. A Justiça autorizou a extração e análise dos dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos. Ele é investigado por estelionato em continuidade delitiva.

P06 preso pela polícia civil suspeito de aplicar golpe
Homem teria continuado a praticar crimes mesmo após ser ouvido pela polícia — Foto: Polícia Civil

Como o golpe funcionava

O esquema começava com anúncios de imóveis oferecidos por preços abaixo dos praticados no mercado, divulgados em redes sociais e plataformas de classificados. Em alguns casos, perfis falsos faziam o primeiro contato com os interessados.

Demonstrado o interesse, as vítimas eram encaminhadas a um escritório comercial no bairro Tirol, na Zona Leste de Natal. No local, o investigado simulava a aprovação de crédito imobiliário e informava ter conseguido liberar valores superiores aos solicitados — recurso que reforçava a credibilidade da negociação.

A conversa avançava com a cobrança de uma quantia apresentada como entrada para a compra do imóvel, depositada em conta bancária vinculada ao suspeito. Em seguida, os clientes recebiam documentos que acreditavam ser do financiamento.

O ponto central do golpe estava justamente aí. As investigações apontaram que os documentos assinados pelas vítimas correspondiam a propostas de adesão a cotas de consórcio, e não aos financiamentos apresentados durante as negociações. São produtos financeiros distintos: no financiamento, o crédito é liberado de imediato; no consórcio, o bem só é obtido por sorteio ou lance, sem data garantida.

Depois vinham novas cobranças, justificadas como pagamento de impostos e taxas de documentação. Com o tempo, os clientes passavam a ter dificuldade para manter contato com o suspeito. Os imóveis não eram entregues e os valores pagos não eram devolvidos. Entre as vítimas identificadas há idosos.

Continuou mesmo depois de ouvido

A Polícia Civil apurou que o homem teria seguido captando novos clientes mesmo depois de prestar depoimento aos investigadores e tomar conhecimento da apuração em curso — circunstância que costuma pesar na decretação da prisão preventiva.

Após os procedimentos legais, o suspeito foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. A investigação continua para calcular a extensão dos prejuízos, esclarecer a participação do suspeito nos casos já registrados e identificar outras pessoas atingidas.

O caso é distinto de outra apuração recente no Estado: em 14 de agosto, uma operação mirou grupo suspeito de vender imóveis com documentos falsos na Grande Natal. A prisão desta terça foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre o esquema de estelionato imobiliário.