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Comércio Exterior

Brasil registra superávit comercial de US$ 7,1 bi em julho

Exportações somaram US$ 34,1 bilhões, enquanto importações chegaram a US$ 27,1 bilhões; corrente de comércio cresceu 6,8% no mês
Por O Correio de Hoje
10/08/2026 | 14:05

O Brasil registrou superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em julho de 2026, resultado de exportações de US$ 34,1 bilhões e importações de US$ 27,1 bilhões. Os dados consolidados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O saldo corresponde à diferença entre as vendas e as compras realizadas pelo país no mercado internacional.

A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, chegou a US$ 61,17 bilhões no mês, crescimento de 6,8% em relação a julho de 2025. As exportações avançaram 6,2% na comparação anual, enquanto as importações aumentaram 7,6%. O ritmo mais elevado das compras externas limitou a expansão do superávit.

Navio de carga com contêineres navega sob a Ponte Newton Navarro, em Natal.
Exportações crescem 6,2% em julho, puxadas por soja, petróleo e combustíveis, enquanto China amplia compras do Brasil - Foto: josé aldenir

O crescimento das exportações ocorreu nos três setores acompanhados pelo Mdic. Na agropecuária, as vendas externas subiram 9,3%, impulsionadas principalmente pela soja. Os embarques do grão geraram aproximadamente US$ 870 milhões adicionais em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Na indústria extrativa, o aumento foi sustentado pelas vendas de petróleo bruto, que acrescentaram cerca de US$ 960 milhões ao resultado mensal. A expansão da produção nacional permitiu elevar os embarques do produto e ampliar a participação do petróleo na pauta exportadora brasileira.

A indústria de transformação também apresentou crescimento, com contribuição dos óleos combustíveis. As exportações desses produtos aumentaram aproximadamente US$ 960 milhões, com alta superior a 63% em relação a julho de 2025. O resultado reflete o aumento da produção das refinarias e da oferta disponível para venda no exterior.

As importações foram puxadas pelas compras de óleos combustíveis de petróleo, que cresceram cerca de US$ 500 milhões. Também houve aumento de US$ 320 milhões nas aquisições de máquinas de processamento automático de dados e suas unidades e igual avanço nas compras de medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários.

Outros produtos que contribuíram para a alta das importações foram válvulas e tubos termiônicos, de cátodo frio ou fotocátodo, diodos e transistores, com acréscimo de US$ 290 milhões. As compras de polímeros de etileno em formas primárias cresceram aproximadamente US$ 150 milhões.

A China permaneceu como o principal parceiro comercial do Brasil. As exportações brasileiras ao mercado chinês somaram US$ 10,67 bilhões em julho, alta de 8,6% em um ano. O valor correspondeu a pouco mais de 31% de todas as vendas externas realizadas pelo País no mês.

As importações provenientes da China alcançaram US$ 6,42 bilhões, aumento de 7,8%. Com isso, o Brasil obteve superávit bilateral de aproximadamente US$ 4,25 bilhões. O resultado mostra a concentração da pauta brasileira no mercado chinês, sobretudo em soja, petróleo e minério de ferro.

Os Estados Unidos foram o segundo principal destino dos produtos brasileiros. As exportações ao país somaram US$ 3,64 bilhões, equivalentes a 10,7% das vendas externas de julho, mas recuaram 5% na comparação com o mesmo período de 2025. As importações de produtos norte-americanos cresceram 0,6%.

Os dados de julho ainda captam de forma limitada os efeitos das medidas tarifárias adicionais anunciadas pelos Estados Unidos no fim do mês. Como parte das novas regras entrou em vigor na última parte de julho, o impacto deverá aparecer de maneira mais clara nos números de agosto, que serão divulgados pelo Mdic no início de setembro. Produtos brasileiros já estavam sujeitos a tarifas adotadas anteriormente pelo governo norte-americano.

As exportações para a Argentina também recuaram. O Brasil vendeu US$ 1,42 bilhão ao país vizinho, queda de 13,9%, correspondente a uma redução próxima de US$ 230 milhões. As importações argentinas aumentaram 4,7% e chegaram a US$ 1,15 bilhão, deixando um saldo bilateral favorável ao Brasil de aproximadamente US$ 270 milhões.

A retração do comércio com a Argentina não pode ser associada diretamente à crise diplomática entre os dois governos. Os dados refletem contratos, preços, câmbio, demanda e condições de competitividade definidas antes da divulgação mensal. O resultado, contudo, coincide com o rebaixamento das relações diplomáticas após novas declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras somaram US$ 218,6 bilhões, aumento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. As importações chegaram a US$ 169,5 bilhões, alta de 5,5%. Como as vendas cresceram acima das compras, o saldo comercial acumulado alcançou US$ 49 bilhões.

A corrente de comércio totalizou US$ 388,1 bilhões nos sete primeiros meses do ano, expansão de 8,2%. O desempenho mostra crescimento do intercâmbio comercial brasileiro, com maior contribuição das exportações para a formação do saldo. Os números completos estão disponíveis na página de estatísticas de comércio exterior do Mdic.