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Política

TSE cobra dados sobre publicidade do Governo Lula

Ministro do TSE deu prazo de dez dias após PL apontar possível descumprimento do limite de propaganda institucional em ano eleitoral
Por O Correio de Hoje
05/08/2026 | 15:42

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresente, em até dez dias, a relação completa dos empenhos com publicidade institucional realizados entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. A ordem foi expedida em uma representação na qual o Partido Liberal (PL) aponta possível descumprimento do limite de despesas com propaganda oficial em ano eleitoral.

Mendonça entendeu que os dados apresentados pelo partido possuem diferenças relevantes e não permitem concluir, neste momento, que o governo tenha ultrapassado o teto legal. Para esclarecer as divergências, o ministro considerou necessário obter as informações oficiais antes de avaliar se houve irregularidade.

André Mendonça dá dez dias para o goveRio Grande do Norteo Lula detalhar despesas com publicidade institucional após questionamento apresentado pelo PL.
Despesas da gestão federal estão na mira de investigação solicitada pelo PL Foto: Ricardo Stuckert / PR

A ação tem como base o artigo 73, inciso VII, da Lei das Eleições. A norma proíbe agentes públicos de empenhar, no primeiro semestre do ano da votação, despesas com publicidade institucional superiores a seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores.

O PL apresentou dois levantamentos elaborados com bases e metodologias diferentes. O primeiro utiliza dados atribuídos à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). De acordo com esse cálculo, os empenhos efetuados entre 2023 e 2025 totalizaram R$ 814,4 milhões, o que estabeleceria um limite de R$ 135,7 milhões para os seis primeiros meses de 2026.

Segundo a legenda, os valores empenhados até 15 de junho chegaram a R$ 178 milhões. A diferença seria de R$ 42,3 milhões, equivalente a aproximadamente 31% acima do teto estimado.

O segundo estudo foi produzido com informações do sistema Siga Brasil e abrange despesas de todo o Poder Executivo federal. Nesse levantamento, os empenhos dos três anos anteriores, corrigidos pela inflação, somariam R$ 3,7 bilhões. O limite para o primeiro semestre deste ano seria, portanto, de R$ 618,1 milhões.

Os registros até 18 de junho indicariam gastos de R$ 785,7 milhões, uma possível extrapolação de R$ 167,6 milhões. Mendonça ponderou, porém, que os dois estudos não podem ser considerados confirmações de uma mesma irregularidade porque adotam fontes e critérios distintos.

Enquanto o primeiro cálculo está limitado às despesas da Secom, o segundo inclui toda a administração federal, além de ações de publicidade de utilidade pública e patrocínios. Também não está esclarecido se os valores correspondem apenas aos empenhos efetivamente não cancelados ou ao montante bruto registrado nos sistemas.

O ministro apontou ainda outras diferenças metodológicas, como a correção dos valores pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aplicada em apenas um dos levantamentos.

Antes de decidir se houve violação à legislação eleitoral, Mendonça afirmou ser necessário examinar a natureza de cada despesa e verificar a existência de cancelamentos, reforços de empenho, duplicidades e patrocínios. A análise também deverá confirmar se os mesmos critérios foram aplicados aos três anos usados como referência e ao primeiro semestre eleitoral.