Pesquisadores de 54 países estão reunidos em Natal desde o fim da semana passada para a realização da 43ª Conferência Internacional sobre Física de Altas Energias (International Conference on High Energy Physics – ICHEP 2026), evento que transforma a cidade na capital mundial da Física de Altas Energias.
Pela primeira vez sediado na América Latina, o evento reúne mais de 1 mil participantes de universidades e centros de pesquisa de todo o mundo. A programação foi dividida em dois momentos. Inicialmente, a programação ocorreu entre 30 de julho e 1º de agosto no Praiamar Natal Hotel & Convention. Depois, na última segunda-feira 3, seguiu para o Centro de Convenções de Natal, com encerramento previsto para esta quarta-feira 5.

Como parte da programação, a conferência recebeu a visita da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Organizada pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP), a ICHEP acontece a cada dois anos desde 1950 e é considerada o principal encontro internacional da área para apresentação dos avanços mais recentes da Física de Altas Energias.
Coorganizador da conferência e pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Ignacio Bediaga explicou que o evento reúne os principais resultados produzidos pela comunidade científica internacional. “Esse evento apresenta os principais resultados dessa área que a gente chama de física de altas energias”, declarou.

Segundo ele, a área trabalha em escalas superiores às conhecidas pela física nuclear. “São energias superiores àquelas energias da física nuclear, que todo mundo já conhece. São energias muito superiores e cada vez maiores. É uma física que está muito associada a grandes laboratórios, laboratórios internacionais que procuram fazer e procuram levar ao limite da tecnologia”, acrescentou.
Entre os temas debatidos, a inclusão na produção científica ocupou espaço na programação. A professora Flávia de Almeida Dias, pesquisadora da Universidade de Amsterdã e do Instituto Nacional Holandês de Física Subatômica, apresentou propostas para ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados na ciência. “A minha apresentação foi sobre como a gente pode fazer o nosso campo de física de partículas ser mais inclusivo para as pessoas que são historicamente menos representadas no nosso campo”, disse.
“A gente tem muito menos mulheres no nosso campo. E também pessoas que vêm de um contexto socioeconômico menos favorecido”, completou. Para ela, o ambiente científico precisa ser mais acessível. “A ideia é que a gente possa fazer com que o nosso campo de pesquisa seja acolhedor para essas pessoas”.
Representando a Universidade Sorbonne, em Paris, o pesquisador espanhol Diego Mendoza participou pela primeira vez da conferência e apresentou trabalhos desenvolvidos por sua equipe. “Esta é a minha primeira conferência. Vim representando a minha universidade, a Sorbonne, em Paris. E viemos apresentar todos os destaques mais recentes da nossa colaboração, tanto em termos de análise quanto em desenvolvimento de detectores, tecnologia e reconstrução”, assinalou.


Além da programação científica, Mendoza elogiou a recepção encontrada na capital potiguar. “Também gostei muito da receptividade e simpatia das pessoas. Honestamente, não consigo imaginar um lugar melhor do que o Brasil para sediar o evento”, ressaltou.
A conferência também abriu espaço para pesquisadores brasileiros apresentarem projetos desenvolvidos no País. Estudante de pós-graduação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Ana Carolina Oliveira veio do Rio de Janeiro para participar da ICHEP e afirmou que o encontro amplia o intercâmbio científico. “Para mim está sendo uma experiência muito enriquecedora, porque nós podemos ter acesso ao que está sendo feito, à pesquisa de ponta em outros países, mas também podemos mostrar o que está sendo feito aqui no Brasil”, contou.
Ela é participante do experimento nacional Connie e afirmou que o evento fortalece a divulgação das pesquisas brasileiras. “Eu participo do Connie, que fica lá no Rio de Janeiro, e é um experimento sobre neutrinos, é muito interessante poder divulgar, mostrar nossos resultados para valorizar a ciência que é feita nacionalmente também”, finalizou.