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STF

Ala do STF vê articulação para tirar Mendonça de caso envolvendo filho de Lula

Ministros avaliam que PF e PGR atuaram nos bastidores para levar pedido de investigação a sorteio; relatoria acabou com Mendonça
Redação
31/07/2026 | 16:55

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia, em conversas reservadas, que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuaram em conjunto nos bastidores para tentar retirar do ministro André Mendonça a relatoria do inquérito que investiga o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação de parte dos ministros é de que, embora a investigação não trate diretamente do esquema envolvendo descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o caso teria relação com personagens e informações obtidas a partir da apuração sobre o órgão.

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Ministros do STF avaliam, em conversas reservadas, possível articulação de órgãos de investigação para alterar a relatoria de inquérito que envolve filho do presidente Lula - Foto: Marcello Casal Jr/ Agência

Por esse motivo, integrantes da Corte entendiam que o pedido de investigação deveria ser encaminhado diretamente a Mendonça, que já conduz outros inquéritos relacionados ao caso do INSS.

Ao enviar a representação ao Supremo, porém, a Polícia Federal afirmou que a apuração envolve fatos diferentes e defendeu que o pedido tivesse um novo relator, por meio de sorteio.

O ministro Alexandre de Moraes, que presidia o STF durante a segunda metade do recesso da Corte, recebeu o pedido no dia 24 de julho e solicitou manifestação da PGR.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com a posição da PF e defendeu a distribuição livre do caso. Após a manifestação, Moraes determinou o sorteio, que acabou definindo André Mendonça como relator.

Segundo a avaliação de integrantes do STF, a escolha do momento do pedido levantou questionamentos porque Alexandre de Moraes estava na presidência temporária da Corte. Para essa ala, a solicitação teria evitado uma decisão do presidente titular, Edson Fachin, que tem dado respaldo à atuação de Mendonça nos inquéritos relacionados ao INSS e ao Banco Master.

A suspeita de tentativa de alteração da relatoria também estaria relacionada ao histórico de atritos entre Mendonça e órgãos de investigação.

Em março, o ministro criticou a posição da PGR sobre uma operação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em relação à Polícia Federal, Mendonça determinou que a corporação informasse mudanças na equipe responsável pela investigação do INSS e comunicasse o andamento das apurações.

A medida gerou reação da PF, que acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar medidas jurídicas contra a decisão.