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Turismo

Mais voos impulsionam turismo no RN e elevam ocupação dos hotéis

Presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, afirma que Estado tem 60 mil leitos e defende mais recursos públicos para promoção do destino e expansão da malha aérea
Por O Correio de Hoje
31/07/2026 | 16:24

O Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2026 com aumento da ocupação hoteleira e ampliação das conexões internacionais, mas ainda opera abaixo de seu potencial turístico. Com cerca de 60 mil leitos e um aeroporto utilizando aproximadamente metade da capacidade, o Estado precisa elevar os investimentos em promoção, infraestrutura e atração de voos, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), Edmar Gadelha.

Em entrevista ao podcast Economia & Negócios, apresentado pelo jornalista Elias Luz, da TV Agora RN, Gadelha afirmou que o turismo é o principal pilar econômico do Estado e movimenta cerca de 70 atividades. A cadeia inclui hotéis, restaurantes, transportes, receptivos, agricultura familiar, comércio e serviços. “É muito provável que todos os norte-rio-grandenses estejam trabalhando com turismo ou tenham alguém da família trabalhando com turismo”, disse.

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Edmar Gadelha, presidente da ABIH-RN, disse que o Estado é destaque no turismo - Foto: josé aldenir

À frente da ABIH-RN há 18 meses, Gadelha atribui o avanço do setor à atuação conjunta das empresas, do Governo do Estado e das operadoras de viagens. Para ele, porém, o orçamento reservado à promoção turística ainda é inferior ao de outros Estados do Nordeste. Entre as principais pautas acompanhadas pela entidade no período, Gadelha citou a prorrogação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e a regulamentação da reforma tributária.

A mobilização, coordenada pela ABIH Nacional e apoiada pelas representações estaduais, reuniu mais de 700 empresários do setor em Brasília. Segundo Gadelha, a articulação contribuiu para que a hotelaria obtivesse uma redução de 40% na alíquota prevista pelo novo sistema tributário. Sem o tratamento diferenciado, afirmou, o setor perderia competitividade diante de destinos estrangeiros. O objetivo é evitar que a carga tributária encareça as diárias e dificulte a atração de visitantes internacionais.

O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros em 2025, conforme o dirigente. O resultado rompeu um patamar que permanecia próximo de 6,5 milhões de visitantes. Na avaliação de Gadelha, além das ações de promoção, fatores externos, como a crise em Cuba, a saturação de destinos do Caribe e conflitos em outras regiões, favoreceram a procura pelo país.

A rede hoteleira potiguar possui aproximadamente 60 mil leitos, metade deles em Natal. Pipa e São Miguel do Gostoso aparecem na sequência entre os principais polos, enquanto Galinhos e destinos serranos começam a ganhar espaço. Gadelha defendeu uma divulgação que não fique restrita aos destinos mais conhecidos do litoral. Segundo ele, a inclusão de municípios do interior amplia o tempo de permanência e oferece novos produtos aos visitantes que já estiveram no Estado.

Uma das iniciativas é a websérie Destinos do RN, utilizada em feiras e encontros com agentes de viagens. O material apresenta atrativos de diferentes municípios e é distribuído nos principais canais de venda. “A principal atribuição da ABIH é justamente levar a hotelaria para as principais feiras e para os principais canais de vendas em nível nacional e internacional”, afirmou.

Em 2025, a ABIH-RN realizou 17 roadshows com a CVC, maior operadora com lojas físicas da América Latina, com quase 1,5 mil unidades. As ações capacitaram mais de mil agentes de viagens em mercados considerados emissores de turistas para o Rio Grande do Norte.

Outros 200 profissionais participaram de uma capacitação durante a Abav, no Rio de Janeiro. A ação será repetida neste ano, em São Paulo. A entidade também desenvolveu um programa de marketing cooperado com a Azul Viagens. O trabalho resultou na oferta de 258 voos extras entre meados de dezembro de 2025 e o fim de fevereiro de 2026. Posteriormente, a operadora passou a manter 16 frequências extraordinárias por semana para Natal.

Os voos partiram de São Paulo, Belo Horizonte, Uberlândia e Campina Grande. Após ações realizadas nesses mercados, a programação foi mantida até julho. Um roadshow em São José do Rio Preto também contribuiu para a criação de uma ligação direta com Natal, prevista para começar em 8 de setembro e permanecer, inicialmente, até fevereiro.

A Argentina é o principal mercado internacional trabalhado pelo turismo potiguar, seguida por Uruguai e Portugal. O número de voos provenientes do território argentino cresceu mais de 300%, segundo a ABIH-RN.

A JetSmart opera quatro frequências semanais entre Buenos Aires e Natal, com ocupação média próxima de 85%. A Gol mantém dois voos regulares por semana e prevê um terceiro durante a alta estação. A Latam anunciou três frequências semanais entre 15 de dezembro e o fim de fevereiro.

Com sete voos semanais, estima Gadelha, o Estado pode receber aproximadamente 2 mil argentinos por semana. O dirigente avalia que o visitante internacional tem gasto médio superior e permanece mais tempo no destino, beneficiando hotéis e outras atividades.

O Uruguai também entrou no planejamento. Um voo sazonal entre Montevidéu e Natal operou entre março e abril e voltou entre o fim de junho e julho. Novas frequências mensais estão previstas para dezembro.

Para apoiar a manutenção da rota, representantes da hotelaria, da Emprotur e de empresas receptivas visitaram 19 agências em Montevidéu. Mais de 200 agentes foram capacitados em dois dias, contingente que, segundo Gadelha, equivale a cerca de metade do mercado uruguaio.

Apesar do crescimento, Gadelha afirma que a malha aérea potiguar permanece distante da oferta dos Estados vizinhos. Em 2025, o Rio Grande do Norte teria disponibilizado cerca de 770 mil assentos, enquanto Ceará e Pernambuco alcançaram, cada um, aproximadamente 4,5 milhões.

O Aeroporto Internacional de Natal opera com cerca de metade da capacidade. Para o presidente da ABIH-RN, esse espaço ocioso demonstra que o Estado pode receber mais voos sem a necessidade imediata de ampliar a estrutura do terminal. “Precisamos comemorar, mas precisamos ampliar ainda mais. Temos muito espaço para crescer”, declarou.

A menor oferta aérea também aumenta a dependência do turismo regional. Em determinados meses, visitantes de Estados vizinhos representam quase 80% do fluxo. A ABIH realizou ações em Campina Grande, João Pessoa, Recife e Caruaru, além de Fortaleza e Mossoró.

Esse público costuma viajar de carro e ocupar os hotéis nos fins de semana. Já os turistas que chegam de avião planejam a viagem com mais antecedência e permanecem por períodos maiores. Entre os estrangeiros, a estadia costuma variar de sete a 14 dias.

Portugal é o principal emissor europeu por causa dos voos da TAP. Natal dispõe de sete frequências por semana, quatro exclusivas e três compartilhadas com Maceió. Lisboa também funciona como ponto de conexão para viajantes oriundos de Espanha, Itália e França. A ausência de voos diretos para outros países europeus, entretanto, reduz a competitividade. Uma viagem com conexões pode durar entre 14 e 24 horas, enquanto um trecho direto levaria de oito a 11 horas.

Depois de participar da Bolsa de Turismo de Lisboa, em março, a ABIH-RN organizou encontros em Lisboa, Porto e Madri. Aproximadamente 150 agentes foram capacitados em cada cidade. A entidade também participou da ILTM, voltada ao segmento de luxo, e pretende integrar ações em Londres e Madri.

A ocupação dos hotéis chegou a 84% em janeiro de 2026, ante 78% no mesmo mês de 2025. Em julho, o índice passou de 62% para 64%. Embora positivos, os resultados ainda são considerados modestos pela ABIH-RN diante da quantidade de leitos disponível.

Para sustentar o avanço, a entidade pretende reforçar a promoção na América Latina. Uma comitiva deverá percorrer Lima, Santiago, Buenos Aires, Córdoba e Montevidéu durante o Meet Brasil América Latina.

A ABIH-RN também prepara, em parceria com o Senac, a capacitação de mais de 400 trabalhadores da hotelaria em sete municípios. Serão oferecidos quatro cursos nas áreas de recepção, serviços de camareira, manipulação de alimentos, preparação de bebidas e gestão.

Somente em Natal, a hotelaria gera aproximadamente 20 mil empregos diretos. O impacto total é maior quando considerados os postos em restaurantes, transporte aéreo e terrestre, receptivos, táxis, aplicativos, passeios de buggy e fornecedores de alimentos.

Gadelha defendeu que o turismo seja tratado como política permanente de Estado, independentemente do grupo político no governo. Segundo ele, a promoção do destino deve contar com recursos estaduais, municipais e de emendas parlamentares.

A entidade pretende apresentar propostas aos candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026. Entre elas está a ampliação das parcerias com a iniciativa privada para administrar ou explorar equipamentos como o Forte dos Reis Magos, o Museu da Rampa, o Centro de Convenções e o Cajueiro de Pirangi. “Não é só dizer que aumentou tantos por cento. É preciso entender os valores absolutos, onde estou, onde estão os concorrentes e onde posso chegar”, afirmou Gadelha.