As varizes são uma doença venosa de alta incidência na população, especialmente entre as mulheres, e podem evoluir para complicações como inflamações, sangramentos e necessidade de cirurgia quando o tratamento é adiado. A orientação é procurar avaliação médica logo nos primeiros sintomas, como sensação de peso, dor e cansaço nas pernas, para que a doença seja diagnosticada precocemente e o tratamento seja definido conforme a gravidade de cada caso.
O angiologista Nélson Brandão explicou que, embora fatores hereditários tenham papel importante no desenvolvimento da doença, condições relacionadas ao estilo de vida e às características hormonais femininas aumentam a incidência das varizes.

Segundo o especialista, a predisposição genética é o principal fator associado ao surgimento da doença, mas situações como uso de anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal, trabalho prolongado em pé, múltiplas gestações, sedentarismo e obesidade também favorecem o aparecimento das alterações venosas.
A alimentação também pode influenciar indiretamente o quadro. De acordo com o médico, dietas que favorecem o ganho de peso dificultam o retorno do sangue pelas veias, aumentando sua dilatação e favorecendo a formação das varizes.
As varizes podem surgir ainda na adolescência em pessoas com predisposição genética, mas a frequência aumenta na fase adulta em razão da exposição aos fatores de risco. O envelhecimento também favorece o aparecimento de veias mais calibrosas devido à perda da resistência da parede venosa. “Ocorre um processo de fragilidade da própria parede da veia. Ela tende a dilatar e também é outro fator que leva ao aumento do calibre das veias”, explicou.
O angiologista afirma que o momento ideal para iniciar o tratamento é logo no aparecimento dos primeiros sinais da doença. Nessa fase, quando predominam os pequenos vasos superficiais, o tratamento costuma ser menos complexo.
Segundo ele, o adiamento da avaliação permite a progressão da doença, levando ao surgimento de varizes de maior calibre que podem exigir tratamentos como cirurgia ou técnicas a laser. A maior parte dos casos ocorre nos membros inferiores, embora pequenos vasos também possam aparecer em outras regiões do corpo.
Antes de definir a forma de tratamento, é necessário realizar exame clínico e ultrassom Doppler, responsável por mapear o funcionamento das veias e identificar refluxos na circulação. Brandão ressalta que as varizes não devem ser encaradas apenas como um problema estético.
“A variz é uma doença, é uma doença venosa, então é um tratamento para ser realizado por um cirurgião vascular, um angiologista habilitado, porque tratamentos que não são compatíveis com a sua patologia, além de não ajudar, às vezes podem até prejudicar.”
Sem tratamento, a doença pode evoluir para complicações como flebite — inflamação das veias — e varicorragia, caracterizada pelo rompimento da variz com sangramento. O risco é maior em pacientes idosos, que costumam apresentar veias mais calibrosas e paredes mais finas.
Segundo o especialista, hemorragias decorrentes dessas lesões podem provocar perda importante de sangue e evoluir para choque hipovolêmico, tornando o quadro potencialmente grave.
A escolha da terapia depende das características das veias comprometidas. Além das mudanças no estilo de vida, como controle do peso, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, existem procedimentos específicos para cada situação. Nos casos de pequenos vasos, o tratamento costuma ser realizado por escleroterapia, que pode utilizar substâncias líquidas, espuma ou laser.
Quando há comprometimento de veias de maior calibre, pode ser indicada a flebectomia, cirurgia para retirada das varizes. Em alguns pacientes também é necessário tratar a veia safena, decisão tomada após análise do ultrassom Doppler.
Entre as manifestações mais frequentes da doença estão sensação de peso, dor, cansaço e desconforto nas pernas, sintomas que normalmente pioram no fim do dia e durante o período menstrual. O médico explica que o fortalecimento da musculatura da panturrilha melhora o bombeamento do sangue em direção ao coração, reduzindo os sintomas da insuficiência venosa.
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a prática de exercícios não piora as varizes. “É muito comum ter essa dúvida. Eu tenho varizes e não posso fazer atividade física porque vai piorar. Não é esse o sentido, é pelo contrário”, afirmou.
Segundo Brandão, o fortalecimento muscular melhora o retorno venoso, embora a atividade física, isoladamente, não elimine a doença. Pacientes que permanecem longos períodos em pé também podem se beneficiar do uso de meias elásticas e, em alguns casos, de medicamentos que auxiliam a circulação.