BUSCAR
BUSCAR
Índice de confiança

Nordeste segue otimista enquanto indústria amplia pessimismo no Brasil

Levantamento da CNI mostra que 26 dos 29 segmentos industriais pesquisados registraram Índice de Confiança do Empresário Industrial abaixo de 50 pontos
Redação
27/07/2026 | 20:14

O ambiente de negócios da indústria brasileira voltou a se deteriorar em julho, com a ampliação do número de setores que demonstram falta de confiança em relação à economia e ao desempenho das empresas. Levantamento divulgado nesta segunda-feira 27, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que 26 dos 29 segmentos industriais pesquisados registraram Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) abaixo da linha de 50 pontos, patamar que separa otimismo e pessimismo. Em junho, eram 24 setores nessa condição.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a persistência do indicador em território pessimista altera o comportamento dos empresários e afeta diretamente o ritmo da atividade econômica. “A falta de confiança pontual faz com que os empresários sejam cautelosos e adiem decisões de aumento da produção, contratações ou investimentos. A falta de confiança prolongada e intensa, como a verificada para muitos dos recortes do Icei, faz com que o empresário passe a, de fato, reduzir a atividade ou até mesmo interromper planos de investimento e de contratações”, disse Azevedo.

Indústria cni
Nordeste é a região mais otimista - Foto: Arquivo/CNI

Embora 11 dos 29 setores industriais tenham registrado melhora no índice em relação a junho, o avanço não foi suficiente para levar nenhum deles acima da marca de 50 pontos. Em sentido oposto, o Icei recuou em 18 segmentos. Entre eles, os setores de produtos diversos e de impressão e reprodução passaram a integrar o grupo dos pessimistas após o indicador cruzar a linha divisória entre confiança e falta de confiança.

Segundo Azevedo, a fragilidade do ambiente econômico faz com que mesmo os setores que ainda demonstram otimismo fiquem suscetíveis a mudanças rápidas de percepção. “Mesmo naqueles setores que ainda mostram confiança, o otimismo é moderado. Assim, qualquer mudança no ânimo geral, como aconteceu na passagem de junho para julho, faz com que esses setores passem de confiança moderada para falta de confiança”, destacou Azevedo.

O levantamento também mostra comportamentos distintos entre as regiões do País. O Centro-Oeste foi a única região a migrar para o campo da confiança, com alta de 0,7 ponto no indicador, alcançando 50,4 pontos. O Nordeste permaneceu acima da linha dos 50 pontos, apesar da queda de 0,7 ponto, encerrando julho com 50,8 pontos.

No Norte, o Icei avançou 2,7 pontos, chegando a 48,6 pontos. Embora a região permaneça em território pessimista, o resultado indica redução da intensidade da falta de confiança. Já as regiões Sul e Sudeste continuam apresentando os indicadores mais baixos do País. No Sudeste, o índice caiu 0,9 ponto, para 45,7 pontos, aprofundando o pessimismo dos empresários industriais. No Sul, o Icei permaneceu praticamente estável, variando apenas 0,1 ponto e fechando também em 45,7 pontos. O comportamento do indicador também variou conforme o porte das empresas. Nas médias indústrias, o Icei recuou um ponto, passando para 46,3 pontos, o que indica aumento da percepção negativa entre os empresários desse segmento. Nas pequenas empresas, a redução foi de 0,1 ponto, para 46,2 pontos, enquanto entre as grandes indústrias o índice permaneceu estável em 48 pontos, ainda abaixo da linha que indica confiança.