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Eleições 2026

Sem apoios no Centrão, Flávio Bolsonaro chega à convenção sem vice definida

PL oficializará candidatura presidencial no sábado, enquanto partido mantém negociações com Republicanos e tenta atrair União Brasil-PP até o prazo final das convenções
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 17:37

Flávio Bolsonaro será oficializado no próximo sábado 25 como candidato do PL à Presidência da República sem um nome definido para ocupar a vaga de vice. Diante das dificuldades para atrair partidos do Centrão, a campanha decidiu manter a composição aberta e prolongar as negociações até 5 de agosto, prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para a formalização das alianças.

O senador fluminense ainda tenta conquistar o apoio da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além de negociar com Republicanos e Podemos. Até agora, porém, somente o Republicanos demonstrou alguma disposição para discutir uma composição, embora o avanço das conversas dependa da solução de impasses em diferentes estados.

Flávio Bolsonaro foto Saulo Cruz Senado
Senador Flávio Bolsonaro tem dificuldade para atrair partidos do Centrão, diferente do seu pai na eleição de 2022 - Foto: Saulo Cruz / Senado

“Até o dia 5 de agosto temos interesse em ter o apoio da federação União-PP. O tempo de televisão permite que a campanha possa mostrar o candidato e responder às críticas. Estamos construindo também com Republicanos e Podemos”, afirmou o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).

A indefinição também reflete a ausência de consenso dentro do próprio PL. Diferentes grupos da legenda disputam espaço na chapa e divergem sobre o perfil mais adequado para acompanhar Flávio na campanha presidencial.

A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, permanece entre os nomes mais cotados. Filiada ao Republicanos neste ano, ela se aproximou do senador durante a pré-campanha e passou a colaborar na formulação de propostas econômicas e de ações direcionadas ao eleitorado feminino. Sua indicação, contudo, está condicionada a um entendimento nacional entre PL e Republicanos.

Partido comandado por Marcos Pereira, o Republicanos exige que a composição presidencial seja acompanhada por acordos regionais. A legenda cobra o apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, a única negociação concluída foi no Espírito Santo, onde houve entendimento em torno da candidatura do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.

Daniella também enfrenta resistência no PL. Em entrevista ao jornal O Globo na semana passada, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, reconheceu as credenciais técnicas da economista, mas avaliou que ela não acrescentaria votos à candidatura presidencial.

Valdemar ainda tentou convencer a senadora Tereza Cristina (PP-MS) a aceitar a vaga. Os dois se reuniram na manhã de terça-feira 21, em Brasília, quando o dirigente voltou a apresentar a ex-ministra da Agricultura como a melhor alternativa para a composição. Tereza, no entanto, reafirmou que pretende concentrar seus esforços no projeto de disputar a presidência do Senado em 2027.

O presidente do PL confirmou a conversa e admitiu que a senadora não integrará a chapa. Procurada, Tereza Cristina não se pronunciou. As deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) também chegaram a ser mencionadas como opções, mas a possibilidade de escolha de uma parlamentar do PP perdeu força com a sinalização de neutralidade da federação União Brasil-PP na eleição presidencial.

Nos últimos dias, Flávio telefonou para os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. O senador pretendia conversar pessoalmente com ambos durante a convenção estadual da federação União Progressista, realizada na segunda-feira 20, em São Paulo. Os dois dirigentes, entretanto, não compareceram ao encontro. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, também esteve ausente.

Por enquanto, Flávio conseguiu agendar apenas uma reunião com Ciro Nogueira, prevista para esta quarta-feira 22, em Brasília. Não há encontros marcados com Rueda ou Marcos Pereira. O dirigente do Republicanos tem manifestado insatisfação com o que considera falta de empenho de Rogério Marinho na construção dos acordos estaduais.

A dificuldade para formar uma coalizão mais ampla contrasta com o cenário enfrentado por Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente conseguiu reunir essas legendas em torno de sua campanha à reeleição. Flávio também atravessa uma pré-campanha marcada por turbulências, como o desentendimento público com a madrasta, Michelle Bolsonaro, e o desgaste provocado pela divulgação de conversas com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os episódios já produziram reflexos nas pesquisas de intenção de voto.