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Saúde

Estudo associa excesso de televisão a alterações no cérebro

Estudo aponta associação entre o hábito na meia-idade e alterações em áreas ligadas à memória e às funções cognitivas
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 14:37

Assistir televisão com frequência durante a meia-idade pode estar associado a alterações estruturais no cérebro relacionadas ao envelhecimento e ao declínio cognitivo. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, que analisou dados de cerca de 1.700 adultos acompanhados por mais de duas décadas.

Os pesquisadores verificaram que pessoas que relataram assistir televisão “muito frequentemente” apresentaram, anos depois, menor volume em regiões cerebrais ligadas à memória e às funções executivas, além de alterações na substância branca, estrutura cuja deterioração está relacionada ao aumento do risco de demência, acidente vascular cerebral (AVC) e comprometimento cognitivo.

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Pesquisa acompanhou cerca de 1.700 adultos por mais de 20 anos e identificou mudanças em regiões ligadas à memória e funções cognitivas - Foto: magnific

A pesquisa utilizou informações do Estudo de Risco de Aterosclerose em Comunidades (ARIC), iniciado entre 1987 e 1989. Na época, os participantes, com idade média de 53 anos, responderam questionários sobre hábitos cotidianos, incluindo a frequência com que assistiam televisão durante o tempo livre e o período que permaneciam sentados no trabalho.

Mais de 20 anos depois, eles passaram por exames de ressonância magnética cerebral. A comparação dos resultados mostrou que quem passava mais tempo diante da televisão apresentava alterações em áreas consideradas importantes para a memória, o processamento visual e as funções executivas, incluindo redução dos lobos frontal e occipital.

Segundo David Raichlen, professor de Ciências Biológicas e Antropologia da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e um dos autores do estudo, os resultados sugerem que o tipo de atividade realizada durante o tempo sentado pode ser tão importante quanto o comportamento sedentário em si.

Os pesquisadores observaram que permanecer sentado no ambiente de trabalho não apresentou a mesma associação com prejuízos cerebrais. Em alguns casos, participantes que passavam mais tempo sentados trabalhando exibiram indicadores de melhor saúde cerebral do que aqueles que permaneciam longos períodos assistindo televisão.

As análises levaram em consideração fatores que poderiam influenciar os resultados, como prática de atividade física, diabetes, índice de massa corporal, tabagismo e consumo de álcool. Mesmo após esse ajuste, a associação entre o hábito de assistir televisão e as alterações cerebrais permaneceu.

O estudo também identificou diferenças entre homens e mulheres. As alterações observadas nas imagens de ressonância foram mais frequentes entre os participantes do sexo masculino.

Os autores ressaltam, no entanto, que a pesquisa apresenta limitações. As informações sobre o tempo dedicado à televisão foram fornecidas pelos próprios participantes, sem medição objetiva, e não havia exames de ressonância realizados no início do acompanhamento para comparar a evolução individual ao longo dos anos.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de avaliar não apenas o tempo que as pessoas passam sentadas, mas também as atividades realizadas durante esse período, já que elas podem produzir efeitos diferentes sobre a saúde cerebral.