A Casa do Rock, espaço cultural independente de Parnamirim dedicado à música autoral e à cena underground potiguar, ampliou um projeto de formação voltado a bandas independentes e transformou o conteúdo das oficinas promovidas neste ano no podcast Amplifica!, disponível gratuitamente no YouTube. A iniciativa busca levar orientações sobre gestão de carreira, comunicação, empreendedorismo cultural e organização profissional para artistas que atuam no mercado da música.
O podcast é um desdobramento da incubadora de bandas criada pela Casa do Rock, projeto desenvolvido com apoio do Sebrae/RN por meio do Edital de Economia Criativa 2026. Entre maio e junho, foram realizadas oficinas práticas que reuniram 44 participantes e contaram com profissionais como Cecí Oliveira, Leandro Neanderthal e Ana Morena.

Segundo Edo Sadística, coordenadora da Casa do Rock, o projeto surgiu da necessidade de enfrentar problemas identificados ao longo da atuação do espaço cultural. O primeiro deles apareceu ainda no período pós-pandemia. “A gente abriu a Casa do Rock quase que emergencialmente. A gente tinha um sonho de ter um espaço cultural, mas o que deu urgência foi a falta de lugar para tocar. Tinha acabado a pandemia e não existiam espaços para as bandas se apresentarem”.
Com o passar do tempo, outras demandas passaram a aparecer. Além da necessidade de ampliar os palcos para apresentações, a equipe identificou dificuldades relacionadas à gestão das bandas, ao financiamento de projetos e à formação de redes de colaboração entre artistas.
“A gente vai percebendo várias outras necessidades e atuando nelas. Quanto mais a gente faz, mais percebe que a carência é muito maior do que imaginava”. A incubadora de bandas nasceu justamente deste processo. De forma espontânea, grupos musicais passaram a se identificar como “bandas da Casa do Rock”, levando a equipe a estruturar uma metodologia de acompanhamento mais próxima. Atualmente, sete bandas participam do projeto.
Foi a partir dessa experiência que surgiu a ideia de formalizar as ações de formação. “A troca de conhecimento sempre existiu na Casa do Rock, mas nunca tinha sido organizada dessa forma. O Amplifica formalizou esse processo e reuniu profissionais que são referência em suas áreas para tratar de documentação, comunicação, sustentabilidade e gestão de carreira”, explica Edo.

Do encontro presencial ao podcast
As oficinas foram pensadas para um grupo reduzido, permitindo um acompanhamento mais aprofundado das bandas incubadas. Para ampliar o alcance do conteúdo, a equipe decidiu transformá-lo em episódios de podcast.
“O processo natural foi levar esse conhecimento para o audiovisual. Assim a gente consegue alcançar muito mais pessoas sem perder completamente a profundidade das discussões. Os podcasts são mais introdutórios que as oficinas, mas oferecem direcionamentos importantes”.
Entre os temas abordados estão documentação para projetos culturais, comunicação estratégica, empreendedorismo, sustentabilidade financeira e organização profissional. Na avaliação da coordenadora, a experiência prática compartilhada pelos convidados foi um dos aspectos que mais chamou a atenção dos participantes.
“As pessoas não estavam ouvindo apenas teoria. Eram profissionais contando como construíram suas trajetórias, o que deu certo, o que não funcionou e dividindo esse conhecimento de forma muito generosa.”
Fortalecimento da cena
Para Edo Sadística, um dos principais obstáculos enfrentados por artistas independentes continua sendo a falta de acesso a conhecimentos relacionados à gestão da carreira. “Quando o artista não tem acesso a essas informações, acaba ficando refém da imagem de sucesso que a indústria vende. Parece que só existe um caminho possível, quando, na verdade, existem diversas formas de construir uma trajetória.”
Ela afirma que o objetivo do podcast é justamente contribuir para que músicos estejam mais preparados para aproveitar as oportunidades que surgem. “Existe a consciência de que estamos ajudando a construir um mercado. Quanto mais informação, técnica e capacidade de autogestão as bandas tiverem, melhores serão as condições de aproveitar essas oportunidades e fortalecer a música autoral potiguar.”
Além da formação de artistas, a Casa do Rock também busca consolidar seu papel como articuladora da cena independente no Rio Grande do Norte. A coordenadora afirma que o espaço passou a ser reconhecido como um ponto de referência, mas ressalta que o fortalecimento do setor depende da atuação conjunta de diferentes coletivos, produtores e espaços culturais.
“O desenvolvimento da cena não depende de um único espaço. A gente precisa de mais palcos, mais iniciativas e mais pessoas construindo isso coletivamente.”
Entre os próximos passos, a prioridade é ampliar o diálogo com a própria comunidade de Parnamirim. “A gente já tem uma circulação muito boa dentro da cena, inclusive com pessoas de outros estados, mas ainda precisa crescer para dentro da cidade. Esse é um dos nossos principais desafios hoje.”
Os episódios do Amplifica! estão disponíveis gratuitamente no canal da Casa do Rock no YouTube.