A deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB) revelou que foi sondada para ser candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Radar 95, da 95 FM Natal, a parlamentar contou que houve conversas em torno de seu nome diante da possibilidade de o PSDB indicar o candidato a vice em uma composição para o Governo do Estado.
“Foi cogitado. Tiveram umas conversas, umas sondagens”, declarou.

Apesar das sondagens, a deputada afastou de maneira clara a possibilidade de aceitar a função.
“Eu não tenho esse desejo de compor uma chapa sendo vice em nenhum partido”, afirmou.
Segundo Cristiane, sua prioridade eleitoral permanece na disputa proporcional.
“O projeto é reeleição”, reforçou.
Ela acrescentou que pretende continuar o trabalho desenvolvido na Assembleia, com ênfase nas pautas femininas.
“Eu acho que eu tenho contribuído com o Rio Grande do Norte, principalmente com as mulheres, e pretendo dar continuidade como deputada estadual.”
A revelação ocorre enquanto o PSDB mantém indefinido seu posicionamento na sucessão estadual. O partido, presidido no Rio Grande do Norte pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, ainda não anunciou formalmente qual candidatura apoiará.
Questionada sobre o destino da legenda, Cristiane evitou falar em nome do dirigente e repetiu uma frase já conhecida nos bastidores políticos:
“Quem fala por Ezequiel é Ezequiel.”
A parlamentar sustentou que a definição ocorrerá no tempo político considerado adequado e defendeu a preservação da unidade interna.
“Como tudo na política, tudo tem um momento certo. Então, a gente tem que ter esse grupo unido”, afirmou.
Cristiane Dantas também demonstrou confiança na força eleitoral da legenda para a Assembleia.
“Temos uma nominata muito boa. Vamos eleger de quatro a cinco deputados estaduais”, projetou.
O PSDB tem, atualmente, três deputados estaduais: além de Cristiane Dantas e Ezequiel Ferreira, o outro nome é Taveira Júnior. Para as eleições de 2026, o PSDB tem uma federação com o Cidadania.
Juntas, as duas legendas pretendem apresentar 25 candidatos à Assembleia. Além dos três deputados, outros nomes de destaque que compõem a nominata são o presidente da Câmara de Natal, Eriko Jácome; a médica Júlia Almeira, esposa do prefeito de Parelhas, Tiago Almeida; e o desembargador aposentado Expedito Ferreira de Souza.
Suposta aliança com o PT
Embora tenha evitado antecipar a decisão institucional do PSDB, Cristiane deixou explícita sua posição pessoal sobre uma eventual aproximação com o campo governista.
A deputada lembrou que passou os últimos quatro anos fazendo oposição à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e afirmou que considera incoerente alterar essa postura às vésperas da eleição.
“Eu passei esses quatro anos como oposição ao Governo do Estado. Uma oposição não por ser oposição, mas uma oposição com responsabilidade, pela coerência, pela minha postura, pelas minhas bandeiras e cobrando o que eu acho que deve ser cobrado, que é o que o Estado tem que dar”, declarou.
Ao detalhar as áreas em que atuou de forma crítica, Cristiane mencionou problemas na saúde, na educação e na situação financeira estadual.
“Lá na Assembleia eu sempre me posicionando, cobrando e trazendo pautas importantes”, disse.
Na sequência, resumiu sua resistência a uma mudança de lado:
“Então, para mim, é incoerente eu chegar nesse momento e mudar a minha postura.”
A fala ganha peso diante das articulações em torno do PSDB e das especulações sobre uma eventual composição com o grupo governista, que tem como pré-candidato ao Governo o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT).
Durante a entrevista, Cristiane chegou a ser questionada sobre um cenário hipotético em que Ezequiel Ferreira decidisse compor com a candidatura petista.
A parlamentar não respondeu diretamente se acompanharia uma decisão dessa natureza e preferiu destacar que as alianças variam conforme a realidade de cada município.
“Em cada município, é impressionante, a gente tem um palanque diferente. Tem município que vota no atual governo, vota em mim como estadual, e outro federal de outra coligação”, afirmou.
Para Cristiane, as composições locais tornam o cenário eleitoral menos linear:
“É um voto muito misturado, né? É muito misturado.”