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Mundo

Trump declara fim de cessar-fogo com Irã após novos ataques entre os países

Presidente dos EUA afirma que acordo provisório “acabou” depois de ataques entre os dois países; tensão eleva preço do petróleo e amplia incertezas sobre negociações
Por O Correio de Hoje
09/07/2026 | 14:38

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã, após uma nova troca de ataques entre os dois países. A declaração foi feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia, poucas horas depois de forças americanas bombardearem mais de 80 alvos iranianos e de Teerã responder com ataques contra bases militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait.

“Para mim, acho que acabou. No que me diz respeito, isso é apenas perda de tempo”, afirmou Trump. Apesar da declaração, o presidente disse que não pretende impedir a continuidade das negociações diplomáticas entre representantes dos dois países.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou encerrado o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã - Foto: Reprodução

“Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo. Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam”, declarou.

A nova escalada ocorre poucos dias após Washington suspender uma autorização temporária que permitia ao Irã vender petróleo bruto e derivados no mercado internacional. A licença, emitida pelo Departamento do Tesouro em 22 de junho, suspendia parcialmente sanções econômicas e autorizava exportações até 21 de agosto. Com a revogação, os Estados Unidos estabeleceram o dia 17 de julho como prazo para encerramento das operações comerciais em andamento.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ofensiva teve como objetivo impor custos ao Irã após ataques contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás natural.

Os bombardeios atingiram mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea, centros de comando e controle, radares costeiros, sistemas de vigilância, baterias de mísseis superfície-ar, mísseis de cruzeiro antinavio, locais de lançamento de drones e mais de 60 embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária Iraniana.

Em comunicado, o Centcom afirmou: “[As Forças Armadas estão] preparadas para responsabilizar o Irã quando o acordo não for cumprido ou respeitado.”

A imprensa estatal iraniana informou explosões em diversas regiões do país, entre elas Bandar Mahshahr, onde um integrante da Guarda Revolucionária morreu. Também foram registrados ataques próximos ao complexo nuclear de Bushehr.

Em resposta, a Guarda Revolucionária anunciou ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait e informou ter derrubado um drone americano MQ-9 que, segundo Teerã, tentava interferir nas operações militares.

O governo do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos e 13 drones iranianos. Parte da infraestrutura elétrica do país sofreu danos após estilhaços atingirem linhas de transmissão. Bahrein, sede da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, e Kuwait, que abriga tropas do Exército americano, emitiram alertas de mísseis durante a manhã.

O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, classificou a ofensiva americana como “um ato flagrante de agressão”, prometeu uma “resposta devastadora” e afirmou que o país não permitirá interferência dos Estados Unidos na administração do Estreito de Ormuz.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que os ataques americanos e a retomada das restrições ao petróleo tornaram “ineficaz” o acordo firmado entre os dois países no mês passado. Segundo o governo iraniano, a decisão viola o entendimento que previa 60 dias de negociações para um acordo permanente.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, também responsabilizou Washington pelo agravamento da crise. “A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar nenhum. Nós não recuamos”, escreveu em publicação na rede X.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã responderá com “ações decisivas” às medidas adotadas pelos Estados Unidos. Grande parte da tensão entre Washington e Teerã continua concentrada no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde, antes da guerra, transitava aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural comercializados mundialmente.

Como parte do acordo provisório firmado entre os dois países, navios poderiam atravessar a hidrovia durante 60 dias sem pagamento de tarifas. O Irã, porém, passou a defender a cobrança de taxas futuras para embarcações que utilizassem a rota, medida rejeitada pelos Estados Unidos e por países árabes do Golfo.

Os ataques mais recentes ocorreram após três embarcações serem atingidas na região. Um petroleiro incendiou-se próximo à costa de Omã, enquanto outras duas embarcações sofreram danos, segundo o centro britânico Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO). A televisão estatal iraniana informou que o navio incendiado foi atacado após ignorar advertências, sem assumir oficialmente a responsabilidade.

Apesar da ruptura anunciada por Trump, autoridades americanas afirmam que as negociações diplomáticas não foram encerradas definitivamente. Um integrante do governo dos EUA informou que representantes dos dois países continuam trabalhando para buscar um acordo permanente, embora reconheça que as perspectivas se tornaram ainda mais incertas.

Entre os principais pontos de impasse estão o programa nuclear iraniano, o desbloqueio de ativos financeiros do Irã, o futuro das exportações de petróleo e a definição das regras para navegação no Estreito de Ormuz.

As conversas haviam sido retomadas na semana anterior, mas voltaram a ser interrompidas em razão das cerimônias fúnebres do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Segundo o governo do Catar, mediador das negociações, uma nova rodada deverá ser marcada após o encerramento dos funerais.

A nova escalada militar teve impacto imediato no mercado internacional. O petróleo Brent chegou a subir mais de 6%, aproximando-se de US$ 79 por barril em Londres, enquanto bolsas internacionais registraram queda.

Dados do setor marítimo indicaram que pelo menos quatro navios petroleiros e transportadores de gás desistiram de atravessar o Estreito de Ormuz após a intensificação dos confrontos, aumentando as preocupações sobre a segurança da principal rota mundial de exportação de petróleo.