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Cultura

Após 5 décadas, Galeria Newton Navarro é reinaugurada em Natal

Espaço recebeu investimento de R$ 600 mil e inaugura mostra com cerca de 60 obras, documentos e recursos de acessibilidade
Redação
08/07/2026 | 05:56

A Galeria Newton Navarro, da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), será reaberta na próxima quinta-feira 9, às 18h, com a inauguração da exposição “Paisagens inquietas em Newton Navarro”. A mostra reúne cerca de 60 obras do artista potiguar, além de cadernos originais, livros, documentos, vídeos, entrevistas históricas e recursos inéditos de acessibilidade.

A exposição marca a retomada das atividades da galeria após um processo de requalificação completa do espaço, que recebeu melhorias na iluminação, climatização, áreas expositivas e reserva técnica. As obras foram realizadas com investimento de R$ 600 mil, por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura.

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Galeria Newton Navarro reabre nesta quinta-feira 9 com a exposição “Paisagens inquietas em Newton Navarro”, que reúne cerca de 60 obras do artista potiguar - Foto: Divulgação

Construída em 1975, a Galeria Newton Navarro não passava por uma intervenção estrutural dessa dimensão desde sua inauguração. A requalificação contemplou a modernização das instalações elétricas, da iluminação, do sistema de refrigeração e da ambientação climática. O espaço também ganhou uma reserva técnica destinada à guarda, manutenção e conservação do acervo municipal, equipada com controle de temperatura, umidade e luminosidade para ampliar as condições de preservação de pinturas, esculturas e outras peças.

Além das melhorias na estrutura, a Prefeitura do Natal iniciou, com recursos próprios, a recuperação de obras do acervo municipal que apresentavam danos provocados pela ação do tempo, como fungos e manchas.

Reconhecido como um dos principais nomes da arte moderna no Rio Grande do Norte, Newton Navarro teve atuação como pintor, desenhista, escritor, dramaturgo, cronista e incentivador da cultura potiguar. Sua produção artística ajudou a construir a identidade visual e cultural de Natal e do estado, retratando paisagens, personagens e tradições locais.

Segundo a Funcarte, a mostra percorre diferentes fases da produção do artista por meio de obras provenientes de acervos públicos e coleções particulares. Também estarão expostos nove cadernos de rascunhos originais, livros, reportagens, seis obras animadas e entrevistas raras, entre elas um depoimento concedido ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo na década de 1980.

A secretária de Cultura de Natal e presidente da Funcarte, Iracy Azevedo, afirmou que a exposição representa um reencontro da cidade com um de seus maiores criadores.

“Newton Navarro volta a nos conduzir, com delicadeza e força, ao coração da cidade que ele tão profundamente amou e soube traduzir em sua arte. É com orgulho que reapresentamos Navarro aos natalenses, especialmente às novas gerações, como um reencontro com Natal em suas dimensões poéticas e solares, em suas cores, memórias e traços”, destacou.

Segundo a secretária, a nova configuração da galeria permite receber até três exposições de pequeno porte simultaneamente, ampliando a capacidade de utilização do equipamento cultural. Após a mostra inaugural, a programação prevê a realização da exposição “Anos 90”, proposta por um estudante universitário. Em seguida, a Funcarte negocia uma mostra dedicada ao artista Dorian Gray.

Com curadoria de Sanzia Pinheiro e Danielle Brito, “Paisagens inquietas em Newton Navarro” apresenta uma leitura ampliada da trajetória do artista, abordando não apenas sua produção nas artes visuais, mas também sua atuação como poeta, dramaturgo, jornalista, muralista e agitador cultural.

Segundo as curadoras, a paisagem retratada por Navarro vai além da representação geográfica e constitui uma “invenção contínua”, em que rios, mar, sertão e cidade ganham movimento, ritmo e dimensão poética.

“Ao reunir obras, documentos e entrevistas, a exposição convida o público a reencontrar um artista cuja presença permanece viva e continua inspirando reflexões sobre a cidade, a cultura e a identidade norte-rio-grandense”, destacam.

A mostra foi concebida com foco na inclusão. Dez obras possuem versão sensorial, acompanhadas de fichas técnicas em braille e audiodescrição. Também foi criado o sinal de “Navarro” em Libras.

Além disso, todas as demais obras contam com identificação em braille, tornando a exposição a primeira no Rio Grande do Norte a reunir esse conjunto de recursos de acessibilidade, segundo a organização. A exposição também dispõe de imagens em 3D e recursos voltados para pessoas com deficiência visual, deficiência auditiva, pessoas autistas e outros públicos, desenvolvidos com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A Funcarte informou ainda que a Galeria Newton Navarro funcionará de terça a domingo, das 9h às 16h, com entrada gratuita. A utilização do espaço para futuras exposições seguirá normas voltadas à preservação do equipamento e do acervo municipal, sem cobrança pelo uso da galeria, desde que os proponentes atendam aos critérios de conservação e às contrapartidas estabelecidas.

Newton Navarro

Nascido em Natal em 8 de outubro de 1928, Newton Navarro estudou pintura com Lula Cardoso Ayres, frequentou o ateliê de Hélio Feijó, no Recife, e aperfeiçoou-se em gravura com Oswaldo Goeldi e pintura com André Lhote.

Ao longo da carreira produziu pinturas, desenhos, gravuras, poemas, contos, crônicas e peças teatrais. Também fundou a Escolinha de Arte Cândido Portinari, dirigiu a Galeria de Arte da Prefeitura de Natal e expôs em cidades como Recife, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris e Washington.

Entre suas obras literárias estão “Subúrbio do Silêncio”, “Solitário Vento do Verão”, “Os Mortos são Estrangeiros” e “Do outro lado do rio”. Nas artes visuais, tornou-se conhecido pelas séries dedicadas aos jangadeiros, vaqueiros, pescadores, rendeiras e às paisagens do rio Potengi e da Redinha.

Newton Navarro morreu em 18 de março de 1992, em Natal, deixando um legado para a cultura potiguar.