O lipedema, doença crônica que provoca acúmulo desproporcional de gordura principalmente nas pernas e nos braços, ainda é pouco conhecido pela população e frequentemente confundido com gordura localizada ou retenção de líquido. O alerta foi feito pela cirurgiã vascular Camila Antunes. Segundo a médica, a falta de diagnóstico precoce pode permitir a progressão da doença e comprometer a mobilidade dos pacientes.
Camila Antunes explicou que o objetivo é informar a população sobre os principais sinais da doença e estimular o diagnóstico precoce.

“É um movimento nacional de conscientização sobre a doença, em busca do diagnóstico precoce, levar informação de qualidade para os pacientes, fazer com que o público conheça sobre a doença. Para a gente é muito importante trazer esse alerta para a população.”
Segundo a especialista, o lipedema acomete predominantemente mulheres e é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura em determinadas regiões do corpo.
“Lipedema é uma doença que atinge predominantemente mulheres, que a gente identifica pela desproporção do acúmulo de gordura, principalmente nas pernas e nos braços. Algumas vezes só na região dos quadris, outras vezes nas coxas e nas pernas.”
Ela ressalta que o quadro não se resume ao aumento de gordura corporal.
“Ele é acompanhado de outros sintomas também. Então o paciente tem muita dor ao toque, uma sensibilidade importante nas pernas, manchas roxas, sensação de edema, que não é aquele inchaço habitual, que incham os pés, mas é uma retenção de líquido dentro da camada de gordura.”
De acordo com Camila, quando esses sinais não são reconhecidos, a doença pode evoluir.
“São algumas alterações que, se não são reconhecidas de forma precoce, a doença pode evoluir. É uma doença progressiva e a gente pode ter complicações até articulares de mobilidade dos pacientes.”
Uma das principais dificuldades, segundo a médica, é diferenciar o lipedema do acúmulo comum de gordura. Ela explica que pacientes com a doença costumam apresentar um conjunto de sintomas que não está presente na gordura localizada.
“As pacientes que possuem lipedema vão ter uma série de sinais e sintomas. Principalmente a sensibilidade, dor ao toque, aparecimento de manchas roxas nas pernas, sem ter relação com nenhuma batida.”
Já nas pessoas que apresentam apenas gordura localizada, essas manifestações normalmente não aparecem.
“As pacientes que têm apenas um acúmulo de gordura localizado, que é comum, a gente fala até que é o tipo de gordura ginecoide, região de quadril, a maioria delas não vai ter esses outros sintomas associados.”
Camila lembra, porém, que nem todos os pacientes apresentam dor.
“Existem pacientes com lipedema sem sintomas de dor? Existem. A gente costuma dizer que são os pacientes que não estão inflamados. O grau de inflamação é variado de um para outro.”
Segundo ela, como não existe exame específico para confirmar o diagnóstico, a avaliação clínica é fundamental.
“Como é uma doença de diagnóstico apenas clínico, não existe um exame que a gente solicite para que a paciente faça e confirme. O ideal é que, se a paciente suspeita que tem lipedema, está em dúvida se é apenas celulite ou se é um acúmulo localizado de gordura, ela precisa procurar um especialista para que ele avalie e consiga ajudar em todo esse processo.”
A médica destaca que o comportamento da gordura também ajuda a diferenciar os casos.
“A gordura localizada responde com emagrecimento, com atividade física e às vezes alguns tratamentos corporais. Já o lipedema, não. São dietas específicas, atividades físicas voltadas para cada estágio da doença.”
Camila Antunes afirma que o lipedema é uma doença crônica e progressiva e, por isso, não possui cura.
“Assim como diabetes, assim como hipertensão, não existe cura. A gente consegue controlar e conviver.”
Segundo a especialista, o tratamento depende do estágio da doença e pode envolver diferentes abordagens.
“Alguns pacientes a gente consegue resultados excelentes com atividade física, alimentação anti-inflamatória, uso de terapia compressiva, que pode ser meia elástica, bermuda, fisioterapia vascular, que não é só drenagem linfática. A gente tem alguns outros dispositivos que a fisioterapeuta acaba utilizando.”
Ela também comentou sobre os medicamentos mais recentes utilizados no tratamento da obesidade, conhecidos como análogos do GLP-1, destacando que ainda não há consenso sobre uso específico no lipedema, mas há observações clínicas positivas.
Camila Antunes destacou que o lipedema frequentemente está associado às varizes.
“As varizes aparecem em 70% a 80% das mulheres com lipedema. Então realmente são duas doenças que se sobrepõem e os sintomas acabam se sobrepondo também. É importante o tratamento e avaliação das varizes nesse caso.”