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Tensão no PL

Michelle diz que foi maltratada por Flávio por discordar de aliança do PL no Ceará

Ex-primeira-dama afirma que enteado a tratou de forma ríspida após divergência sobre alianças do PL no Ceará e diz que decidiu se afastar das discussões partidárias
Por O Correio de Hoje
25/06/2026 | 14:37

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira 24 que foi desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma conversa telefônica motivada por divergências políticas envolvendo a estratégia do partido no Ceará. Em dois vídeos publicados nas redes sociais, Michelle disse que o enteado deu a entender que não desejava seu apoio à pré-candidatura dele à Presidência da República.

Segundo Michelle, o conflito teve início após ela manifestar oposição à aliança do PL com o pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), e defender o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE). Ela afirmou que Flávio fez críticas públicas antes de procurá-la e que, inicialmente, sequer atendeu suas ligações.

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Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em vídeo no Instagram - Foto: Instagram / Reprodução

“Voltei a falar com o Flávio por telefone, mas, sinceramente, teria sido melhor se ele não tivesse retornado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou. Disse que eu deveria ficar fora das decisões do partido, que havia chegado ontem e não entendia nada de política”, declarou.

Michelle afirmou que, após a conversa, concluiu que seu apoio não era desejado. “Diante dessa humilhação, eu entendi que ele não queria o meu apoio ou que ele era insignificante. Então, me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, disse.

Flávio foto Andressa Anholete Senado
Senador Flávio Bolsonaro negou que tenha sido grosseiro – Foto: Andressa Anholete / Senado

Pouco depois da divulgação dos vídeos, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo usando a camisa da seleção brasileira, no qual afirmou que era “dia de jogo” e que “hoje, nada nem ninguém me aborrece”, sem mencionar diretamente a madrasta.

Nos vídeos, Michelle também afirmou que vem sendo tratada “como se fosse idiota” e acusou pessoas próximas ao senador de disseminarem informações falsas à imprensa, entre elas a de que estaria insatisfeita por não ter sido escolhida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidata à Presidência. Ela negou essa versão e disse que sua prioridade atualmente é cuidar da família e do marido.

A ex-primeira-dama ressaltou que preside o PL Mulher e atribuiu à atuação da legenda o aumento no número de mulheres eleitas. Ainda assim, afirmou que Flávio e pessoas de seu entorno insistem em dizer que ela não entende de política.

Michelle também declarou que o senador frequenta sua residência semanalmente e que, se realmente quisesse conversar, teria procurado um diálogo. Segundo ela, os episódios narrados ocorreram antes de Bolsonaro indicar Flávio como seu sucessor político, decisão que, mesmo assim, disse ter apoiado.

“Desde aquele telefonema sobre o palanque no Ceará ele nunca mais me procurou. E eu também não o procurei, porque estou respeitando o que ele me disse”, afirmou. Em outro trecho, acrescentou: “O Flávio vai à minha casa toda semana. Se realmente considerasse importante o meu apoio, já teria conversado comigo. Continuarei recolhida”.

O episódio ocorre às vésperas de um evento marcado para o próximo dia 10, no Ceará, quando Michelle e Flávio dividiriam o mesmo palanque no lançamento das candidaturas de Priscila Costa (PL), aliada da ex-primeira-dama, e de Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL), ao Senado.

Aliados de Michelle afirmam que, após ela sinalizar publicamente que participaria do evento ao lado do enteado, apoiadores ligados a André Fernandes e a Ciro Gomes passaram a divulgar informações negativas sobre ela. Segundo esse grupo, havia o temor de que a ex-primeira-dama fosse alvo de vaias durante o ato político, o que motivou a divulgação dos vídeos para esclarecer sua versão dos fatos.

Michelle também rebateu notícias de que teria condicionado seu apoio a Flávio a um pedido público de desculpas dos filhos de Bolsonaro ou ao rompimento da aliança com Ciro Gomes. De acordo com aliados, ela decidiu se manifestar após considerar que estava sendo alvo de uma campanha de ataques e informações falsas, que classificam como coordenada e marcada por machismo.

Em carta aberta publicada horas depois, Flávio disse que “nunca” desrespeitou, maltratou e humilhou uma mulher na vida. “Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”. As divergências entre ele e Michelle são parte de um processo natural, argumenta o senador. Mas mesmo que “pessoas comprometidas com o mesmo propósito enxerguem caminhos diferentes para chegar ao melhor resultado”, o “foco” é “livrar” o Brasil “de Lula e do PT”.

Flávio disse ainda que tentou convidar a ex-primeira-dama para participar de uma reunião com as lideranças femininas conservadoras, mas que ela nem atendeu a ligação nem respondeu a mensagem. “Fiz mais um gesto não correspondido”, enfatizou.

Relembre

O atrito entre Michelle e os filhos do ex-presidente remonta a dezembro, quando ela criticou o acordo político costurado por André Fernandes com Ciro Gomes no Ceará. Na ocasião, Flávio, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro saíram em defesa de André e criticaram a madrasta nas redes sociais.

Nos vídeos divulgados nesta quarta-feira, Michelle afirmou ter percebido uma ação articulada dos enteados. “Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos muito parecidos. Fiquei com a impressão de que tudo havia sido combinado e premeditado”, declarou.

Ao justificar sua oposição à aliança no Ceará, Michelle relembrou críticas feitas por Ciro Gomes ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à família dele. “Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Falou que as esposas do meu marido eram ladras e chamou meus enteados de corruptos e ladrões, dando a eles o apelido de ‘ovos de serpentes nazistoides’”, afirmou.

Ela defendeu o apoio do PL ao senador Eduardo Girão, a quem classificou como “o único candidato verdadeiramente de direita”, além de reivindicar que uma das vagas da legenda ao Senado no Ceará seja destinada à vereadora Priscila Costa.

“Tenho o direito de considerar equivocada uma aliança com alguém que sempre se declarou inimigo do pai deles. Quero ser coerente com os valores em que acredito. Não vou trocar princípios por pragmatismo político oportunista. Também não impeço ninguém de fazer isso, mas considero um erro no primeiro turno”, declarou.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) compartilhou os vídeos da ex-primeira-dama nas redes sociais e escreveu: “Coerente! Forte! Corajosa! Verdadeira! Amo você, amiga!”.

Flávio Bolsonaro foi escolhido por Jair Bolsonaro, no fim do ano passado, para disputar a Presidência da República. Antes da definição, Michelle chegou a ser cogitada como possível candidata do PL, hipótese que acabou descartada após resistência do ex-presidente. A expectativa é que a ex-primeira-dama concorra ao Senado pelo Distrito Federal.

Réplica

Após a repercussão do primeiro vídeo, Michelle Bolsonaro voltou a se manifestar nas redes sociais nesta quinta-feira 25. Na nova publicação, a ex-primeira-dama diz que não tem raiva de ninguém e que “não há briga, nem competição”.

“Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga nem competição. Peço apenas que não retirem trechos de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, diz a postagem de Michelle Bolsonaro no Instagram.

“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle na ocasião.