A Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor dos últimos anos, com temperaturas superiores a 40°C em diversas regiões e impactos que já incluem mortes, interrupções de atividades escolares, alertas máximos de emergência e pressão crescente sobre os sistemas de saúde. França, Reino Unido, Espanha, Itália e Bélgica estão entre os países mais afetados pelo fenômeno, que ocorre em meio a registros de temperatura muito acima das médias históricas para esta época do ano.
Na França, ao menos cinco mortes foram associadas aos efeitos das altas temperaturas durante o fim de semana. Três das vítimas eram idosos com idades entre 80 e 95 anos que morreram na região de Bordeaux após agravamento de problemas de saúde relacionados ao calor extremo. A cidade do sudoeste francês registrava previsão de temperaturas superiores a 42°C, enquanto 49 departamentos do país permaneciam sob alerta vermelho.

“Estamos caminhando para, no mínimo, vários dias de calor muito, muito intenso. Ainda não sabemos quando as temperaturas começarão a cair”, afirmou a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, à emissora TF1.
As autoridades francesas também registraram a morte de dois irmãos, de 2 e 4 anos, encontrados inconscientes dentro do carro da família na cidade de Carpentras. As crianças não resistiram aos efeitos da exposição prolongada ao calor extremo.
Além dos óbitos diretamente relacionados às altas temperaturas, o país registrou um aumento das mortes por afogamento. Treze pessoas morreram durante o fim de semana em praias, rios e áreas de lazer aquáticas. Segundo a Segurança Civil francesa, o fenômeno tem se intensificado durante os períodos de calor extremo, repetindo uma tendência observada em 2025.
“Nadem somente em lugares supervisionados”, alertou Jerome Boulanger, porta-voz da Segurança Civil da França.
O impacto da onda de calor levou milhares de escolas francesas a suspender atividades presenciais ou adaptar horários para reduzir a exposição de estudantes e profissionais às temperaturas elevadas.
No Reino Unido, o serviço meteorológico nacional, Met Office, emitiu o mais alto nível de alerta para calor extremo em áreas do centro e do sul da Inglaterra. O aviso abrange cidades como Londres, Birmingham e Bath e é considerado incomum para os padrões climáticos britânicos.
“Espera-se um período excepcional de tempo quente e úmido nesta região”, informou o órgão em comunicado.
Meteorologistas estimam que algumas localidades poderão registrar temperaturas acima de 39°C nos próximos dias, superando com ampla margem o recorde histórico de junho no país, de 35,6°C, registrado em 1957 e repetido em 1976. O alerta ocorre poucas semanas após o Reino Unido registrar o maio mais quente desde o início das medições meteorológicas, quando os termômetros atingiram 35,1°C.
Na Espanha, a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) colocou o País Basco sob alerta vermelho. Em San Sebastián, cidade tradicionalmente conhecida pelo clima ameno do litoral norte espanhol, as temperaturas previstas alcançaram 40°C, superando marcas normalmente observadas em centros urbanos do sul do país, como Sevilha e Córdoba.
Segundo a Aemet, diversas regiões espanholas estão registrando temperaturas entre 5°C e 10°C acima da média histórica para o período. O fenômeno também se estende às madrugadas, com registros noturnos acima de 25°C e, em algumas localidades, superiores a 30°C, dificultando o resfriamento natural dos ambientes.
Diante da situação, o Ministério do Trabalho da Espanha informou que monitora a aplicação das normas que permitem a adaptação da jornada laboral durante episódios climáticos severos. A legislação também prevê até quatro dias de licença remunerada para trabalhadores impossibilitados de se deslocar em razão das condições meteorológicas.
Dados de monitoramento climático apontam que a Europa apresenta atualmente o maior desvio positivo de temperatura em relação às médias históricas entre todos os continentes. As máximas registradas estão cerca de 4°C acima dos padrões observados entre 1961 e 1990.
Os efeitos da onda de calor também atingem outros países europeus. Na Itália, 12 cidades emitiram alertas de risco, enquanto turistas e moradores buscavam abrigo em fontes públicas, parques e ambientes climatizados em Roma e outras localidades. Na Bélgica, centros de recuperação de animais silvestres relataram aumento expressivo no número de aves resgatadas após sofrerem com a exposição prolongada ao calor.
Especialistas apontam que a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos têm aumentado nos últimos anos, elevando os desafios para sistemas de saúde, infraestrutura urbana e proteção civil. Com a persistência das temperaturas elevadas e sem previsão imediata de alívio, autoridades europeias mantêm o monitoramento em nível máximo e reforçam recomendações para reduzir riscos à população mais vulnerável, especialmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.