A influenciadora Juliana Garcia Soares afirmou que a decisão da Justiça do Rio Grande do Norte de levar a julgamento popular o caso em que foi vítima de uma tentativa de feminicídio representa uma “resposta para a sociedade”. A manifestação foi publicada por ela nas redes sociais após a divulgação da decisão da 1ª Vara Criminal de Natal, que determinou que o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral seja submetido a júri popular por tentativa de feminicídio.
“E finalmente saiu a decisão que determina que o meu caso, a minha tentativa de feminicídio vai ser julgada como tal, como tentativa de feminicídio. Não tem hora para o julgamento ainda, não existe data marcada, mas desde então, essa é uma resposta para a sociedade, para uma sociedade doente que acha que vai ficar impune, para uma sociedade que não tem medo das leis. A prisão foi mantida e o julgamento vai acontecer, vai ser júri popular. E que todas as outras mulheres que passaram por isso tenham justiça aplicada”, declarou Juliana nos stories.

A decisão judicial foi divulgada nesta terça-feira, 23. Denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Igor Cabral responderá por tentativa de feminicídio com duas qualificadoras. Ele permanece preso preventivamente desde 26 de julho do ano passado, data em que ocorreu o crime.
Ao encaminhar o processo para julgamento pelo Tribunal do Júri, a 1ª Vara Criminal de Natal destacou a gravidade do caso, a forma como as agressões foram praticadas e os elementos reunidos durante a instrução processual.
“A gravidade concreta do crime, evidenciada pelo modus operandi de extrema violência e crueza — traduzido no espancamento contínuo de sua namorada em ambiente confinado, desfigurando-lhe a estrutura óssea facial e impondo-lhe severa sequela neurológica permanente —, demonstra a acentuada periculosidade social do agente e o risco real de reiteração delitiva caso restituído à liberdade”, registra a decisão.
O caso teve repercussão nacional após a divulgação das imagens do circuito interno de segurança do condomínio onde ocorreu a agressão, em Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. As gravações mostram Igor Cabral desferindo 61 socos contra Juliana dentro do elevador. Nas imagens, a vítima aparece encurralada em um espaço reduzido e atingida repetidamente na região da cabeça e do rosto.
Segundo a Justiça, há elementos suficientes para que a acusação seja analisada pelos jurados. A decisão destaca que a materialidade do crime está demonstrada por provas técnicas e documentais, incluindo laudos médicos que comprovaram a gravidade das lesões sofridas pela vítima.
Juliana sofreu múltiplas fraturas no esqueleto facial e precisou passar por uma cirurgia reconstrutiva. O procedimento exigiu a implantação de sete placas de titânio e 31 parafusos para reconstrução dos ossos atingidos. Conforme os autos, ela evoluiu com sequela neurológica permanente, caracterizada por paralisia facial periférica total à direita, classificada como grau VI.
Ao fundamentar a decisão, o juízo também ressaltou a relevância das imagens captadas pelas câmeras de segurança.
“A autoria material é inequívoca e repousa, primordialmente, nas contundentes mídias gravadas pelo circuito interno de segurança do elevador. As imagens revelam o acusado encurralando a ofendida no interior do cubículo e desferindo contra ela uma sucessão ininterrupta e violenta de socos concentrados na região vital da face, prolongando as agressões enquanto a vítima se encontrava caída e indefesa no chão”, aponta a decisão.
Durante o processo, a defesa sustentou que, embora graves, as lesões não teriam colocado Juliana em situação de perigo imediato de vida sob a ótica pericial. O argumento foi rejeitado pela Vara Criminal.
Para o juízo, a inexistência de risco imediato de morte não afasta, por si só, a possibilidade de configuração da tentativa de homicídio. A decisão acrescenta ainda que o acusado teria utilizado a própria estrutura do elevador para aumentar a força dos golpes.
“O ato de desferir múltiplos golpes concentrados na cabeça e na face da vítima, utilizando-se, inclusive, de apoio em barra do elevador para conferir maior potência mecânica aos impactos, impede a rejeição sumária do intento homicida por parte do juiz togado”, registra o documento.
As agressões ocorreram após uma discussão entre o casal durante um churrasco com amigos na área de lazer do condomínio. De acordo com a Polícia Civil, antes do espancamento, Igor Cabral jogou o celular de Juliana na piscina. Em seguida, já dentro do elevador, aconteceu a sequência de agressões registrada pelas câmeras.
Após os golpes, Juliana deixou o elevador com o rosto coberto de sangue e foi socorrida para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. O segurança do condomínio acompanhou a cena em tempo real pelas câmeras e acionou a Polícia Militar. Quando o elevador chegou ao térreo, moradores conseguiram conter o agressor até a chegada dos policiais.
Dias depois, a vítima foi submetida a uma cirurgia de mais de sete horas no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), destinada à reconstrução dos ossos da face e do maxilar.
Igor Cabral foi preso em flagrante, tornou-se réu no início de agosto de 2025 e permanece custodiado na Cadeia Pública de Ceará-Mirim. Durante a tramitação do processo, o ex-jogador divulgou uma carta em que pediu perdão e afirmou que sua conduta teria sido influenciada por “um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional”.