A poucas rodadas do fim da fase de grupos da Copa do Mundo, um bar localizado no bairro da Mooca, em São Paulo, tem chamado atenção por reunir brasileiros que decidiram torcer pela Argentina. Conhecido como Moocaires — junção dos nomes Mooca e Buenos Aires — o estabelecimento, criado e administrado por argentinos, tornou-se ponto de encontro de torcedores da seleção comandada por Lionel Messi.
Durante a vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria, na segunda-feira (22), pela segunda rodada do Mundial, o local recebeu dezenas de brasileiros que acompanham os jogos vestindo as cores azul celeste e branca. Entre eles estava Elivelton Silva, de 33 anos, morador de Guarulhos.

“Pô, meu. Aí, não, Messi. Bate forte, pô. Mas ele tem crédito com a galera”, afirmou após o camisa 10 desperdiçar uma cobrança de pênalti.
Outro frequentador assíduo é o corretor de seguros Renato Coudes, de 51 anos, que afirma torcer para a Argentina desde a Copa do Mundo de 1998.
“Eu sou argentino da divisa de São Paulo com São Bernardo”, brincou.
Segundo ele, a decisão de abandonar a torcida pela seleção brasileira ocorreu após a Copa do Mundo de 1998.
“Depois que a Copa da França foi comprada, não tem mais sentido torcer para a seleção brasileira”, disse.
Coudes afirma que deixou de acompanhar apenas a seleção de futebol da CBF, mas continua torcendo por atletas e equipes brasileiras em outras modalidades.
“Torço para o João Fonseca no tênis, torço para o Brasil no vôlei e no basquete. Só para o futebol que não”, declarou.
Fundado em 2007, o Moocaires passou a ganhar notoriedade a partir de 2014, quando brasileiros começaram a frequentar o espaço para acompanhar os jogos da seleção argentina. Naquele ano, após a derrota da Argentina para a Alemanha na final da Copa do Mundo, moradores da região provocaram os torcedores presentes no local. Houve um princípio de confusão e a Polícia Militar foi acionada.
Desde então, as provocações continuam ocorrendo, segundo frequentadores. Guilherme Pereira, de 34 anos, que torce para a Argentina desde 2010, afirma não se incomodar com as críticas.
“Eu não ligo. Podem falar o que quiserem. A nossa seleção tem muito mais garra e muito mais união que a deles”, disse.
O movimento durante os jogos também ultrapassou os limites do bar. Um posto de combustíveis localizado em frente ao Moocaires passou a reunir torcedores que acompanham as partidas em um telão instalado no local. A área costuma receber pessoas que preferem não pagar os R$ 100 cobrados na entrada do estabelecimento.
O valor dá direito a seis vouchers que podem ser trocados por cervejas, empanadas produzidas pelo próprio bar ou choripán, sanduíche tradicional argentino. Para muitos brasileiros que adotaram a seleção vizinha, a experiência inclui também a adaptação aos hábitos gastronômicos dos hermanos.
“Nesse caso eu ficaria mais satisfeito com nosso famoso e paulistano espetinho ‘de gato’”, brincou Guilherme Pereira.