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Intenacional

EUA pressionam Otan por mais gastos

Governo israelense cobra retratação de Kaja Kallas e amplia tensão diplomática com o bloco europeu em meio à guerra em Gaza
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 14:51

Os Estados Unidos elevaram a pressão sobre os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao anunciar uma ampla revisão de sua presença militar na Europa e condicionar futuras contribuições financeiras ao cumprimento das metas de gastos em defesa estabelecidas pela aliança. A medida foi apresentada nesta quinta-feira 18 pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, durante reunião ministerial da Otan em Bruxelas, e reforça a estratégia de Washington de transferir aos europeus uma parcela maior da responsabilidade pela segurança do continente.


Segundo Hegseth, a revisão terá duração de seis meses e avaliará a estrutura militar americana instalada na Europa, incluindo bases, acordos de acesso e direitos de sobrevoo. O objetivo, afirmou, é acelerar uma transição em que os países europeus assumam papel predominante na defesa regional. “Esta será uma revisão de verdade. Será pensada para garantir que a Otan avance de forma rápida e irreversível rumo a uma Europa na liderança, assumindo a responsabilidade principal pela defesa da Europa”, declarou.

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Secretário de Defesa, Pete Hegseth, pressiona Otan a gastar com armas - Foto: reprodução / Internet


O secretário acrescentou que a análise servirá para identificar quais aliados estão alinhados às expectativas de Washington. “É uma avaliação na qual alguns países serão reprovados e outros passarão com louvor”, afirmou. O Pentágono também pretende revisar acordos logísticos após críticas a restrições impostas por alguns governos europeus durante operações americanas relacionadas à guerra no Oriente Médio. “Foi vergonhoso. Estes aliados colocaram em risco os filhos e filhas dos EUA. Não há desculpa para isso”, disse Hegseth.


A iniciativa ocorre às vésperas da cúpula da Otan marcada para julho, na Turquia, e amplia as cobranças dos Estados Unidos para que os membros da aliança elevem seus investimentos militares. O governo americano informou que as contribuições destinadas à manutenção da estrutura administrativa da Otan — estimadas em cerca de US$ 790 milhões em 2026 — passarão a ser vinculadas ao cumprimento das metas de gastos acordadas entre os aliados.


“Quando outros aliados não gastarem com urgência, nossas contribuições vão diminuir”, advertiu Hegseth. A declaração foi recebida como um sinal de alerta por diversos governos europeus, que acompanham com preocupação as mudanças na política externa e de defesa dos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.


Em 2025, durante a cúpula da Otan realizada em Haia, os 32 países-membros concordaram em elevar para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) os investimentos relacionados à segurança até 2035. Desse total, pelo menos 3,5% deverão ser destinados diretamente a despesas militares. A nova meta representa um salto em relação ao compromisso anterior, estabelecido em 2014, de investir 2% do PIB em defesa — objetivo que foi alcançado por todos os integrantes da aliança no ano passado.


Apesar do tom crítico, Hegseth reconheceu avanços recentes entre os aliados. “Alguns de nossos aliados receberam a mensagem e deram um passo à frente. Eles sabem quem são, e agradecemos muito por isso”, afirmou. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reforçou a avaliação positiva ao destacar que Europa e Canadá deverão investir em 2025 cerca de US$ 90 bilhões adicionais em defesa na comparação com 2024, o equivalente a um aumento próximo de 20%.


A revisão da presença militar americana reflete uma mudança estratégica mais ampla da política de defesa dos Estados Unidos. Washington tem deixado claro que pretende concentrar mais recursos e atenção na competição geopolítica com a China, enquanto espera que os aliados europeus assumam maior protagonismo na contenção de ameaças convencionais no continente.


A perspectiva de uma redução gradual do envolvimento militar americano na Europa alimenta preocupações entre governos da região, especialmente diante da continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia. Para muitos países da Otan, o apoio militar e logístico dos Estados Unidos permanece indispensável para garantir a capacidade de dissuasão da aliança frente a Moscou.


O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, reconheceu que os países europeus ainda precisam de tempo para compensar eventuais lacunas deixadas por uma menor presença americana. “Vamos conseguir compensar muitas coisas, mas precisamos de um pouco mais de tempo, e essa é a mensagem clara”, afirmou. A declaração sintetiza um dos principais desafios da Otan: fortalecer a autonomia militar europeia sem comprometer a capacidade de resposta da aliança em um cenário internacional cada vez mais instável.