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FGTS

Mais de 17 mil trabalhadores usaram recursos do FGTS para quitar dívidas pelo Desenrola 2.0

Valor médio utilizado para renegociação foi de R$ 604,73; governo aponta melhora na saúde financeira das famílias
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 12:54

Os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) têm ganhado relevância como instrumento de reorganização financeira das famílias brasileiras. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que mais de 17 mil operações utilizaram valores do fundo para quitação de dívidas por meio do programa Desenrola 2.0. O valor médio retirado pelos trabalhadores para pagamento de débitos junto a instituições financeiras foi de R$ 604,73.

A iniciativa integra a segunda fase do programa federal de renegociação de dívidas, que reservou R$ 10,3 milhões para facilitar acordos entre trabalhadores e credores. A proposta é ampliar o acesso à regularização financeira por meio de descontos, alongamento de prazos e redução de encargos. O Desenrola foi criado pelo governo federal para reduzir os índices de inadimplência e ampliar o acesso ao crédito, especialmente para famílias de baixa renda e trabalhadores com restrições cadastrais.

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Desenrola 2.0 proporcionou 17 mil operações com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) - Foto: Joédson alves / Agência Brasil

O levantamento também mostra o impacto da liberação extraordinária de recursos vinculados ao saque-aniversário. Segundo o ministério, 14,6 milhões de trabalhadores com contratos de trabalho encerrados ou suspensos entre 2020 e 2025 foram beneficiados pela medida. Ao todo, R$ 16,7 bilhões foram disponibilizados para saque, dos quais R$ 14,9 bilhões já foram efetivamente pagos aos beneficiários.

A modalidade saque-aniversário permite ao trabalhador retirar anualmente uma parcela do saldo do FGTS, mas impõe restrições ao acesso integral dos recursos em caso de demissão sem justa causa. Desde sua criação, o modelo tem sido alvo de debates entre governo, centrais sindicais e especialistas, que apontam efeitos sobre a proteção financeira do trabalhador em momentos de desemprego.

De acordo com o Ministério do Trabalho, o volume de recursos liberados por meio de saques extraordinários desde 2023 alcançou R$ 34,7 bilhões. Essas liberações ocorrem em caráter excepcional e costumam ser adotadas em períodos de crise econômica, calamidades públicas, emergências sanitárias ou como mecanismo de estímulo à atividade econômica e ao consumo das famílias.

O uso crescente do FGTS para quitação de dívidas reflete um cenário em que parte dos trabalhadores busca reduzir o comprometimento da renda em um ambiente ainda marcado por juros elevados e restrições de crédito. Para o governo, a combinação entre renegociação de passivos e ampliação da liquidez das famílias contribui para melhorar a saúde financeira dos consumidores e sustentar o nível de atividade econômica.