Os três instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmaram à Polícia Civil que não sabem explicar como a jovem foi lançada sem a corda de segurança durante um salto de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
Trechos dos depoimentos, obtidos pela EPTV nesta terça-feira 16, mostram que Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, não conseguiram esclarecer a falha que resultou na tragédia ocorrida no último sábado 13.

Luis Felipe e Maicon admitiram que eram responsáveis pela colocação das cordas antes dos saltos, mas não detalharam como as tarefas eram divididas entre os integrantes da equipe. Já Vitor afirmou que sua função era auxiliar no lançamento da participante. Ele também declarou não saber o que aconteceu com a câmera que Maria Eduarda carregava no momento do salto.
Os três integravam um grupo que promovia saltos de aproximadamente 40 metros de altura na Ponte do Esqueleto. No dia do acidente, o evento reuniu cerca de 100 participantes. Cada salto custava R$ 180.
A defesa dos instrutores informou que irá solicitar habeas corpus e contestou a classificação do crime. Segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, os acusados não tiveram intenção nem assumiram o risco de provocar a morte da jovem. Ele voltou a classificar o episódio como uma “triste fatalidade”.
Maria Eduarda optou pela modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o participante é impulsionado pelos instrutores em vez de realizar o salto por conta própria. Imagens gravadas no local mostram a jovem sendo carregada até a borda da plataforma e lançada em seguida.
As investigações apontam que a corda de segurança não foi conectada ao equipamento preso ao corpo da vítima. Testemunhas registraram o momento do salto e os gritos de desespero logo após a queda.
Uma enfermeira que participava do evento e saltaria em seguida relatou à polícia que prestou os primeiros socorros à jovem. Segundo ela, Maria Eduarda utilizava parte do equipamento de segurança, mas não estava conectada à corda principal responsável por interromper a queda.
O caso também levantou questionamentos sobre a realização de atividades na Ponte do Esqueleto. A Secretaria de Patrimônio da União informou que nunca autorizou a prática de rope jump no local e estuda, junto às prefeituras de Limeira e Cordeirópolis, a remoção ou implosão da estrutura para evitar novos acidentes.
As duas administrações municipais defendem a demolição da ponte, alegando que o local acumula histórico de ocorrências e continua atraindo visitantes mesmo com restrições de acesso.