O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, manifestou solidariedade ao vereador mossoroense Cabo Deyvison (PL), vítima de um atentado a tiros na noite de segunda-feira 15, e voltou a defender que facções criminosas brasileiras sejam oficialmente classificadas como organizações terroristas.
Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira 16, o parlamentar afirmou que o ataque ocorrido em Mossoró é um exemplo da atuação de grupos criminosos organizados e mostra a necessidade de endurecimento no combate a essas organizações.

Na mensagem, Flávio desejou recuperação ao vereador e prestou solidariedade aos familiares do assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais, morto durante o atentado. Segundo o senador, “quem enfrenta facções narcoterroristas se torna alvo”, acrescentando que o episódio “não é criminalidade comum” e sim “terrorismo”.
O senador também destacou que os criminosos utilizaram um fuzil calibre 5.56, arma de uso restrito, para sustentar o argumento de que essas organizações possuem estrutura semelhante à de grupos militares. Segundo ele, facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) “operam com estrutura militar, dominam territórios e executam ataques planejados”. Ele defende, portanto, que sejam tratadas juridicamente como organizações terroristas.
O atentado contra o vereador Cabo Deyvison, em Mossoró, é um choque, mas infelizmente não chega a ser uma surpresa. No Brasil de hoje, quem enfrenta facções narcoterroristas se torna alvo.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) June 16, 2026
Minha solidariedade ao Cabo Deyvison, a quem desejo uma pronta e plena recuperação. Minha… pic.twitter.com/sAtD2SsDRR
“É por isso que a classificação dessas organizações como terroristas é uma necessidade urgente. Enquanto o Estado insistir em tratá-las como um problema comum de segurança pública, elas continuarão agindo como exércitos paralelos, intimidando, aterrorizando e assassinando quem ousa enfrentá-las”, afirmou Flávio.
No início de junho, o governo dos Estados Unidos decidiu classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas estrangeiras e também como terroristas globais especialmente designados, medida anunciada após uma viagem de Flávio Bolsonaro a Washington. O senador havia informado que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump a adoção da medida durante encontro na Casa Branca. A classificação entrou em vigor no início deste mês e passou a impor restrições financeiras e legais contra as organizações e seus apoiadores, segundo o governo norte-americano.
Também nesta terça-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, divulgou vídeo em que relacionou o atentado ao avanço das facções criminosas no Rio Grande do Norte e criticou a política de segurança pública do Estado.
Rogério afirmou que Cabo Deyvison foi alvo do atentado enquanto exercia sua atividade parlamentar e sugeriu que o ataque pode estar ligado às denúncias que o vereador vinha fazendo contra organizações criminosas. O senador declarou que bairros inteiros de cidades como Mossoró e Natal estariam sob domínio de facções envolvidas com tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro.
O parlamentar voltou a defender a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, lembrando que Flávio Bolsonaro levou essa pauta aos Estados Unidos durante recente visita oficial. Segundo Rogério, esses grupos “ocupam territórios” e “praticam terror contra o cidadão brasileiro”, justificando o enquadramento jurídico.
Durante a gravação, Rogério também afirmou que o Rio Grande do Norte “perdeu a capacidade de proporcionar segurança” à população, criticou a gestão estadual na área da segurança pública e declarou que “não podemos transigir com esse tipo de situação”. O senador informou ainda que solicitou formalmente providências da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) para garantir proteção ao vereador Cabo Deyvison.
A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que determinou prioridade máxima para a investigação e disse que acompanha pessoalmente o caso. Em vídeo gravado na sede da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), ao lado do secretário Francisco Canindé de Araújo Silva, do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, e do delegado Márcio Lemos, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a governadora afirmou que o atentado é “intolerável”.
Segundo Fátima, todas as forças de segurança do Estado estão mobilizadas para esclarecer o crime e prender os responsáveis “o mais breve possível”. Ela também prestou solidariedade à família do assessor morto, ao vereador e à população de Mossoró, afirmando que os envolvidos serão responsabilizados “com todo o rigor da lei”.
“Todas as nossas forças de segurança aqui empenhadas para que possamos, o mais breve possível, elucidar esse caso. Isso é intolerável. E o Governo do Estado não vai, de maneira nenhuma, permitir, tolerar que autoridades como o vereador sofram um atentado desse nível, com essa brutalidade, inclusive, que vitimou o seu assessor, o Dyego”, enfatizou a governadora.