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Argentina

Chefe de Gabinete da Argentina admite omissão de US$ 500 mil em declarações patrimoniais

Manuel Adorni afirma que regularizará situação, atribui recursos a investimentos em criptomoedas e é alvo de investigação sobre evolução patrimonial
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 14:33

O chefe de Gabinete da Argentina, Manuel Adorni, reconheceu ter omitido aproximadamente US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) de suas declarações patrimoniais e informou ter apresentado uma versão corrigida dos documentos ao Escritório Anticorrupção do país. A admissão ocorre em meio a questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio e a uma investigação judicial que apura possíveis inconsistências em suas informações financeiras.

Em entrevista ao canal LN+, Adorni afirmou que a omissão foi um erro e disse que pretende regularizar integralmente sua situação perante as autoridades fiscais.

Milei e ministro Copia
Milei e Manuel Adorni após discurso - Foto: Reprodução / Internet

“Claro que cometi um erro. Vou pagar até o último imposto que me corresponder, até a última multa, todos os juros, tudo o que decorrer desse erro”, declarou.

Segundo o ministro, os recursos não declarados tiveram origem em atividades privadas e em investimentos realizados no mercado de criptomoedas entre 2014 e 2018, período anterior à sua entrada no governo do presidente Javier Milei.

Adorni relatou que ele e sua esposa investiram aproximadamente US$ 200 mil e obtiveram ganhos de cerca de US$ 300 mil ao longo dos anos seguintes.

“Reconstituindo a história, investimos cerca de US$ 200 mil e ganhamos aproximadamente US$ 300 mil”, afirmou.

O chefe de Gabinete também reconheceu que optou por manter os recursos fora das declarações oficiais. Segundo ele, a decisão refletia uma prática comum entre argentinos que buscam proteger patrimônio em meio à histórica instabilidade econômica do país.

“A maneira de escapar da velha política era ter uma poupança por fora”, disse.

A revelação representa uma mudança relevante em relação às declarações prestadas anteriormente pelo ministro. Em audiência no Congresso argentino, realizada em 29 de abril, Adorni havia afirmado que “nunca houve ocultação” de patrimônio.

As informações corrigidas serão incorporadas à investigação conduzida pela Justiça argentina, que apura possíveis irregularidades relacionadas à evolução patrimonial do ministro. Até o momento, Adorni não foi convocado para prestar depoimento no processo.

A controvérsia envolvendo o chefe de Gabinete ganhou força em março, quando reportagens da imprensa local passaram a questionar despesas e movimentações patrimoniais da família. Entre os episódios que atraíram atenção estiveram uma viagem oficial a Nova York acompanhada pela esposa e deslocamentos particulares realizados em jatos privados.

Posteriormente, novos vazamentos de informações levaram à abertura de apuração sobre a aquisição de imóveis nos últimos dois anos que, segundo as suspeitas investigadas, não teriam sido devidamente informados nas declarações patrimoniais.

Aos 46 anos, Adorni tornou-se uma das figuras centrais do governo Milei. Inicialmente nomeado porta-voz presidencial após a posse do governo, em dezembro de 2023, ele ganhou projeção nacional ao atuar como principal interlocutor da Casa Rosada com a imprensa.

Em novembro passado, deixou a função para assumir a chefia de Gabinete, cargo considerado um dos mais influentes da estrutura governamental argentina.

Apesar das controvérsias, Milei tem mantido apoio público ao principal auxiliar. Em diferentes manifestações, o presidente afirmou confiar na regularidade da situação patrimonial do ministro.

“Tem tudo em ordem”, declarou o chefe de Estado em ocasiões anteriores.

O caso amplia a pressão sobre o governo argentino em um momento em que a administração Milei busca sustentar um discurso de austeridade fiscal, combate à corrupção e transparência na gestão pública. A evolução das investigações poderá determinar se as inconsistências identificadas terão apenas repercussões administrativas e tributárias ou se resultarão em desdobramentos judiciais mais amplos.