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Carros

Dongfeng anuncia baterias com autonomia de 1.000 km e prevê produção em 2026

Montadora chinesa, que estreia no Brasil em agosto sob a marca DFM, aposta em tecnologia de estado sólido para ampliar alcance e segurança dos veículos elétricos
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 13:12

A montadora chinesa Dongfeng anunciou avanços no desenvolvimento de baterias de estado sólido e informou que pretende iniciar a produção da nova tecnologia no segundo semestre de 2026. A novidade foi apresentada poucos meses antes da estreia oficial da empresa no mercado brasileiro, prevista para ocorrer a partir de agosto, quando a fabricante passará a operar sob a marca DFM.

A aposta da companhia está concentrada em uma das tecnologias consideradas mais promissoras para a próxima geração de veículos elétricos. Segundo a fabricante, as novas baterias poderão proporcionar autonomia de até 1.000 quilômetros e densidade energética de 350 Wh/kg, índice superior ao observado em grande parte das baterias de íons de lítio atualmente disponíveis no mercado.

Vigo
Montadora chinesa prevê iniciar produção de baterias de estado sólido este ano - Foto: Reprodução

O avanço tecnológico busca resolver um dos principais desafios da eletrificação automotiva: ampliar a autonomia sem aumentar significativamente o peso ou as dimensões dos sistemas de armazenamento de energia. De acordo com a Dongfeng, o projeto entrou em uma nova fase de industrialização, aproximando a tecnologia da produção em larga escala.

Além do ganho de autonomia, as baterias de estado sólido prometem oferecer recargas mais rápidas e níveis adicionais de segurança em comparação às tecnologias convencionais. A expectativa da companhia é que os primeiros modelos equipados com a nova solução cheguem ao mercado chinês após a consolidação da produção industrial.

O anúncio reforça a intensificação da disputa tecnológica entre fabricantes chinesas por liderança no segmento de eletrificação. Nos últimos anos, empresas como BYD, CATL, Changan e SAIC Motor também apresentaram projetos voltados ao desenvolvimento de baterias sólidas ou semissólidas.

Embora a tecnologia ainda enfrente desafios relacionados aos custos de produção, à escalabilidade industrial e à estabilidade operacional, o setor automotivo a considera uma das principais evoluções em desenvolvimento para os veículos eletrificados. A corrida deixou de se concentrar apenas em protótipos e passou a avançar para etapas mais próximas da fabricação comercial.

A movimentação ocorre em um momento de forte expansão das marcas chinesas no mercado global de veículos elétricos. O Brasil tornou-se um dos destinos prioritários para essa estratégia, impulsionado pelo crescimento das vendas de modelos eletrificados e pela ampliação gradual da infraestrutura de recarga.

A estreia da Dongfeng no país está prevista para agosto. A empresa adotará a sigla DFM como identidade comercial, estratégia voltada a facilitar o posicionamento e o reconhecimento da marca entre os consumidores brasileiros. Os primeiros veículos anunciados para o mercado nacional serão o hatch elétrico compacto Box e o utilitário esportivo Vigo.

O Box deverá disputar espaço diretamente com modelos de entrada já consolidados, como o BYD Dolphin Mini, enquanto o Vigo buscará competir no segmento de SUVs eletrificados. Ambos utilizarão baterias convencionais do tipo LFP (fosfato de ferro-lítio), tecnologia distinta das futuras baterias de estado sólido anunciadas pela fabricante.

A empresa aposta em uma combinação de autonomia, recursos tecnológicos e preços competitivos para ganhar participação em um mercado cada vez mais disputado por fabricantes asiáticas. A estratégia acompanha o movimento de expansão de diversas montadoras chinesas que chegaram recentemente ao Brasil.

Paralelamente à operação comercial, a Dongfeng também avalia alternativas para estabelecer presença industrial no país. A fabricante tem demonstrado interesse em aproveitar a capacidade ociosa de fábricas já instaladas no mercado brasileiro, modelo que vem sendo analisado por outras empresas chinesas como forma de acelerar operações locais e reduzir investimentos iniciais.

A estratégia reflete uma tendência crescente de cooperação entre grupos automotivos estrangeiros e estruturas industriais já existentes no Brasil. Para as fabricantes chinesas, o modelo oferece uma alternativa mais rápida para ampliar a produção local, ao mesmo tempo em que aproveita ativos industriais que operam abaixo de sua capacidade.

Com a chegada ao mercado brasileiro e os investimentos em tecnologias de próxima geração, a Dongfeng busca posicionar-se em um segmento que deve ganhar relevância nos próximos anos. O desenvolvimento das baterias de estado sólido, por sua vez, pode representar um dos principais diferenciais competitivos da companhia em uma indústria cada vez mais orientada pela inovação em armazenamento de energia.