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Carros

Brasil pode atrair R$ 5,1 bilhões para ampliar rede de recarga de veículos elétricos até 2035

Estudo aponta que País é o segundo maior mercado potencial entre economias emergentes e precisará de cerca de 86 mil carregadores públicos e semipúblicos
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 13:07

O Brasil poderá atrair até US$ 980 milhões (R$ 5,1 bilhões) em investimentos para a implantação de infraestrutura pública de recarga de veículos elétricos até 2035, segundo estudo elaborado pela C40 Cities e pela International Finance Corporation (IFC), braço do setor privado do Banco Mundial. O levantamento indica que a expansão acelerada da frota de veículos eletrificados no país exigirá um crescimento expressivo da rede de eletropostos nos próximos anos.

O relatório, que foi divulgado na última sexta-feira 12, aponta que o Brasil é o segundo maior mercado potencial entre quatro economias emergentes analisadas — atrás apenas da Índia — e reúne condições para atrair capital privado em larga escala para atender à demanda crescente por recarga de veículos elétricos puros e híbridos plug-in.

posto elétrico Copia
Primeiro posto elétrico do Rio de Janeiro e a agora tendência é multiplicar - Foto: Reprodução / internet

A pesquisa foi desenvolvida em parceria com o The Climate Pledge e com o governo da Suíça. Intitulado “Análise de Mercado da Infraestrutura Pública de Recarga para Veículos Elétricos em Cidades”, o estudo avaliou tendências de mercado, necessidades de investimento, ambiente regulatório e iniciativas conduzidas por governos locais no Brasil, México, Colômbia e Índia.

Nos quatro países analisados, os investimentos necessários somam US$ 3,8 bilhões (R$ 19,5 bilhões) até 2035. A Índia lidera a projeção, com necessidade estimada de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,8 bilhões), seguida pelo Brasil, com US$ 980 milhões (R$ 5,1 bilhões), México, com US$ 760 milhões (R$ 3,9 bilhões), e Colômbia, com US$ 184 milhões (R$ 942 milhões).

O avanço da demanda por veículos eletrificados tem sido um dos principais fatores por trás dessas projeções. De acordo com Bianca Macedo, líder global de finanças para transporte limpo da C40 e coautora do relatório, o mercado dos quatro países analisados saltou de aproximadamente 40 mil veículos eletrificados em 2020 para mais de um milhão em 2025, registrando crescimento médio anual de 130%.

No Brasil, o movimento foi ainda mais expressivo. As vendas passaram de 7,3 mil unidades em 2020 para 400,9 mil veículos eletrificados em 2025, o equivalente a 6,5% de todos os automóveis novos comercializados no País. O crescimento da frota, contudo, não foi acompanhado no mesmo ritmo pela infraestrutura de abastecimento.

Em 2020, o país contava com cerca de 800 carregadores públicos e semipúblicos instalados em locais como estacionamentos, centros comerciais e hotéis. Em cinco anos, esse número avançou para aproximadamente 17 mil pontos. Ainda assim, o estudo projeta que serão necessários cerca de 86 mil carregadores até 2035 para atender adequadamente a expansão da mobilidade elétrica.

Segundo Bianca Macedo, a infraestrutura brasileira permanece concentrada principalmente nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Essa distribuição desigual limita a expansão do mercado e contribui para a chamada “ansiedade de autonomia”, fator frequentemente apontado pelos consumidores como obstáculo à migração dos veículos movidos a combustíveis fósseis para modelos eletrificados.

“O crescimento da infraestrutura de recarga necessária para atender a demanda por veículos eletrificados representa uma oportunidade de investimento enorme, principalmente para os investidores privados. E o Brasil é o segundo maior mercado entre os quatro analisados”, afirmou.

O relatório atribui aos municípios um papel relevante na aceleração desses investimentos. Entre as medidas apontadas está a disponibilização de terrenos públicos e espaços urbanos para a instalação de estações de recarga, reduzindo custos de implantação e ampliando a atratividade econômica dos projetos.

A avaliação é que governos locais podem funcionar como catalisadores do desenvolvimento da infraestrutura, especialmente em áreas onde a iniciativa privada ainda encontra dificuldades para viabilizar investimentos em larga escala.

O Rio de Janeiro é citado como exemplo dessa estratégia. Em parceria com a rede C40 Cities, a prefeitura implementou projetos-piloto de recarga em 2025 e 2026. Entre eles estão o Eletroposto Carioca, instalado na Barra da Tijuca e considerado o primeiro eletroposto público do país, além de uma unidade localizada na Avenida Brasil. Ambos contam com carregadores rápidos e ultrarrápidos.

A meta da administração municipal é ampliar a rede para 18 eletropostos públicos até 2028, iniciativa que pode servir de modelo para outras cidades brasileiras interessadas em ampliar sua participação na transição para uma economia de baixo carbono.

Para os autores do estudo, a expansão da infraestrutura de recarga será determinante para consolidar o crescimento da mobilidade elétrica no País. Sem uma rede robusta e capilarizada de abastecimento, a evolução das vendas poderá enfrentar limitações, reduzindo o potencial de atração de investimentos e de descarbonização do setor de transportes nas próximas décadas.