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Dança Contemporânea

Gaya Dança Contemporânea celebra 36 anos no TAM

Grupo apresenta “Ressonância” nesta quinta-feira 11, no Teatro Alberto Maranhão, explorando vínculos, afetos e transformações por meio da dança contemporânea
Por O Correio de Hoje
11/06/2026 | 13:35

Poucos grupos artísticos conseguem atravessar mais de três décadas mantendo-se ativos, relevantes e em permanente processo de criação. No Rio Grande do Norte, o Gaya Dança Contemporânea integra esse grupo raro de iniciativas que resistem ao tempo sem abrir mão da experimentação. Ao completar 36 anos de trajetória, o coletivo celebra sua história olhando para aquilo que sempre esteve no centro de sua pesquisa: o corpo como lugar de encontro, memória, conflito e transformação.

A comemoração acontece nesta quinta-feira 11, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão, com a apresentação de “Ressonância”, espetáculo dirigido pela professora Katia Agg, do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Deart/UFRN). A montagem reúne intérpretes em uma investigação cênica que busca compreender os vínculos que conectam indivíduos e coletividades, revelando como emoções, pensamentos e comportamentos reverberam uns nos outros.

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Foto: Divulgação

Mais do que uma sucessão de coreografias, “Ressonância” propõe uma observação das dinâmicas humanas por meio da linguagem da dança contemporânea. Em cena, os corpos transitam por diferentes estados de convivência, explorando tensões, aproximações e afastamentos que fazem parte da experiência cotidiana.

A obra percorre questões relacionadas ao pertencimento, aos padrões de pensamento e às formas de interação que moldam a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, abre espaço para movimentos que apontam para a esperança, o acolhimento e a possibilidade de transformação. O resultado é uma experiência que convida o espectador a reconhecer nos intérpretes fragmentos de si mesmo, estabelecendo uma relação marcada pela empatia, pela reflexão e pela sensibilidade.

A escolha do título não é casual. Assim como na física o fenômeno da ressonância descreve a amplificação de uma vibração quando ela encontra frequência semelhante, o espetáculo sugere que sentimentos, ideias e afetos também reverberam entre as pessoas. Os gestos de um indivíduo encontram resposta no outro, criando uma rede invisível de influências, conflitos e conexões que sustenta a vida coletiva.

Essa investigação artística dialoga diretamente com a trajetória do próprio Gaya Dança Contemporânea. Criado em 1989, o grupo tornou-se uma das iniciativas mais longevas da dança potiguar e um importante espaço de formação, pesquisa e produção artística vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Ao longo de sua história, o Gaya construiu uma identidade baseada na busca por uma dança que ultrapassa a dimensão estética para se afirmar também como discurso, reflexão e expressão de experiências humanas. Cada criação acrescenta novas camadas a uma pesquisa contínua sobre o corpo contemporâneo e suas relações com a sociedade.

Vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da UFRN (Proex), o projeto ocupa um papel estratégico na aproximação entre universidade e comunidade, promovendo a circulação da produção artística para além dos espaços acadêmicos. Sua atuação também dialoga com as metas institucionais voltadas ao fortalecimento das ações culturais, reafirmando a arte como componente fundamental da formação humana e da vida universitária.

Ao celebrar 36 anos de existência, o grupo reafirma uma trajetória construída entre palco, pesquisa e extensão. Mais do que marcar uma data comemorativa, “Ressonância” surge como continuidade de uma caminhada que fez da dança uma ferramenta de pensamento e do corpo um território de narrativas. No palco do Teatro Alberto Maranhão, a proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: lembrar que toda experiência humana produz ecos. E que, muitas vezes, é justamente no encontro com o outro que esses ecos encontram sentido.