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Alimentação

Comer rápido pode prejudicar digestão, peso e saúde mental

Especialista explica como o ritmo das refeições influencia digestão, saciedade e comportamento alimentar
Por Belita Lira, O Correio de Hoje
11/06/2026 | 12:35

Na rotina contemporânea, onde tudo precisa ser rápido, a forma de se alimentar acompanhou esse ritmo. Comer deixou de ser um momento dedicado e passou a ser encaixado entre compromissos. Esse hábito, cada vez mais comum, pode afetar não apenas o corpo, mas também a relação com a comida.

A nutricionista Agnes Bezerra explica que a forma como se come é tão importante quanto o que se come. “Comer rápido influencia diretamente a saúde digestiva, metabólica e até emocional.”

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Comer rapidamente pode prejudicar a digestão, dificultar a percepção da saciedade e favorecer desconfortos como estufamento, gases e refluxo, alerta a nutricionista Agnes Bezerra. - Foto: Freepik

Segundo ela, quando a alimentação acontece de forma acelerada, o cérebro não consegue registrar corretamente os sinais de saciedade, o que leva a um consumo maior do que o necessário.

Esse processo começa já na boca. A mastigação, muitas vezes negligenciada, é uma etapa essencial da digestão.

“A mastigação é a primeira etapa da digestão. Quando mastigamos adequadamente, os alimentos são quebrados em partículas menores e misturados à saliva, que contém enzimas importantes para iniciar o processo digestivo ainda na boca”, conta.

Quando esse processo é feito de forma insuficiente, o organismo precisa compensar.

“Quando a mastigação é insuficiente, o sistema digestivo precisa trabalhar mais intensamente para compensar essa etapa mal realizada”, explica.

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A nutricionista Agnes Bezerra – Foto: Cedida

Isso pode provocar uma série de desconfortos, como sensação de peso no estômago, estufamento, gases e digestão mais lenta.

Além disso, há um fator hormonal importante envolvido. Comer rápido reduz o tempo necessário para que o cérebro receba os sinais de saciedade.

“Isso favorece a necessidade de ‘comer mais’”, afirma a nutricionista.

Com o tempo, esse padrão pode contribuir para ganho de peso e até alterações metabólicas, como resistência à insulina.

Mas os efeitos não são apenas físicos. A forma acelerada de se alimentar também impacta a relação com a comida.

“Comer rápido reduz a percepção do sabor, favorecendo uma relação mais automática, ansiosa e menos consciente com a comida.”

Nesse contexto, a alimentação deixa de ser uma experiência e passa a ser apenas mais uma tarefa.

Esse comportamento está diretamente ligado ao estilo de vida atual.

“A rotina acelerada, o excesso de tarefas e o hábito de fazer várias coisas ao mesmo tempo contribuíram para transformar a alimentação em uma atividade automática e apressada.”

Comer enquanto trabalha, usa o celular ou assiste a algo reforça esse padrão e dificulta a percepção do próprio corpo.

Em muitos casos, esse hábito também se conecta ao estado emocional.

“Em ansiedade se come mais rápido, ‘engole a comida’, porque o corpo permanece em estado de alerta e tensão.”

A alimentação, então, passa a acontecer no chamado “piloto automático”, sem atenção ao que está sendo consumido.

Com o tempo, o organismo começa a dar sinais. Entre os principais estão estômago pesado após as refeições, refluxo, excesso de gases, fome pouco tempo depois de comer e até a dificuldade de lembrar o que foi ingerido. “Esses sintomas podem indicar que o padrão alimentar está impactando tanto a saúde digestiva quanto o comportamento alimentar.”

Outro ponto de atenção é a chamada alimentação automática. “Comer de forma automática pode ser um sinal de desconexão com os próprios sinais de fome, saciedade e emoções.”

Em alguns casos, a comida passa a ser usada como resposta imediata ao estresse ou à ansiedade.

“Isso não significa que todo comportamento automático seja um transtorno, mas pode indicar que a alimentação está sendo usada além da função nutricional”, explica a especialista.

Diante desse cenário, a mudança não exige grandes transformações, mas sim ajustes consistentes. “Pequenas mudanças fazem diferença”, afirma Agnes.

Entre elas, comer sentado, evitar o uso de telas durante as refeições, mastigar com mais atenção e respeitar pausas ao longo do dia.

A especialista também destaca a importância de criar um tempo mínimo para se alimentar. “Mesmo em dias corridos, reservar pelo menos 15 a 20 minutos para comer com atenção plena pode fazer diferença importante na digestão, na saciedade e até na saúde mental.”

Mais do que uma recomendação técnica, trata-se de uma mudança de percepção. “Tente transformar as refeições em um momento de pausa e coma de forma consciente”, orienta.

Para ela, desacelerar não é apenas uma escolha alimentar, mas um cuidado com o próprio corpo.