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Construção

Construção civil movimenta R$ 5,9 bilhões e emprega mais de 32 mil pessoas no RN

Pesquisa do IBGE mostra predominância da construção de edifícios no estado e destaca participação das empresas locais na geração de emprego e renda
Por O Correio de Hoje
11/06/2026 | 12:09

A indústria da construção civil movimentou R$ 5,92 bilhões no Rio Grande do Norte em 2024, considerando o valor das incorporações, obras e serviços realizados ao longo do ano. O montante corresponde a 7,1% de toda a produção do setor no Nordeste, que somou R$ 83,3 bilhões no período, segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada nesta quarta-feira 10 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra que o setor mantinha 976 empresas em atividade no estado, responsáveis pela ocupação de 32.551 trabalhadores. Juntas, elas desembolsaram mais de R$ 1,01 bilhão em salários, retiradas e outras remunerações. A remuneração média dos empregados ficou em 1,7 salário mínimo, abaixo da média nacional da construção, que alcançou 2,1 salários mínimos em 2024.

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Pesquisa constatou que a construção civil no RN está entre os Estados com menor contingente de trabalhadores - Foto: José Aldenir

Os números colocam o Rio Grande do Norte entre os estados nordestinos com menor contingente de trabalhadores na construção civil. Em termos absolutos, o Estado ocupou a quarta posição entre os menores empregadores do setor na região, à frente apenas de Sergipe, Piauí e Alagoas. Os trabalhadores potiguares representaram 7,6% do total de ocupados na construção nordestina. A Bahia liderou o ranking regional, concentrando 29,9% da mão de obra do segmento.

Do total de empresas registradas no Rio Grande do Norte, 864 possuíam sede no próprio estado. Essas companhias responderam pela ocupação de 29.027 pessoas e por aproximadamente R$ 940 milhões em salários, retiradas e demais formas de remuneração. O dado evidencia o peso das empresas locais na dinâmica econômica do setor potiguar.

A pesquisa revela ainda uma característica que diferencia o mercado da construção no Estado em relação ao cenário nacional. No Rio Grande do Norte, a construção de edifícios respondeu por 45,8% do valor total gerado pela atividade, consolidando-se como o principal segmento da indústria da construção.

A categoria engloba edificações residenciais, comerciais e industriais, além de reformas, ampliações, manutenção predial e incorporações imobiliárias.

As obras de infraestrutura apareceram na segunda posição, com participação de 39,9% no valor total produzido, enquanto os serviços especializados para construção responderam por 14,3%. Esses serviços incluem atividades como instalações elétricas, hidráulicas, pintura, acabamento e outras operações complementares à execução das obras.

Segundo o analista da pesquisa do IBGE Marcelo Miranda, a predominância da construção de edifícios no Rio Grande do Norte contrasta com o panorama nacional. No Brasil, as obras de infraestrutura lideraram a geração de valor em 2024, respondendo por 38,4% do total movimentado pelo setor.

O especialista ressalta, contudo, que a realidade observada no Estado não é isolada. De acordo com ele, a construção de edifícios também foi a principal atividade em dez das 27 unidades da federação analisadas pela pesquisa, indicando que a dinâmica do mercado imobiliário continua desempenhando papel relevante em diversas regiões do País.

Em âmbito nacional, a indústria da construção gerou R$ 522,5 bilhões em incorporações, obras e serviços em 2024. O indicador considera apenas a produção efetivamente realizada durante o ano, independentemente do prazo total de execução dos empreendimentos. O cálculo inclui custos, despesas e a parcela do lucro estimado correspondente ao estágio de execução das obras no período.

O levantamento divulgado pelo IBGE inaugura uma nova série estatística para o setor. A edição de 2024 incorpora mudanças metodológicas decorrentes da substituição da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) como fonte de atualização do Cadastro Central de Empresas (Cempre).

A transição provocou alterações no universo pesquisado e nos critérios de seleção das empresas, tornando inviável a comparação direta dos resultados atuais com os dados das séries anteriores. Segundo o IBGE, ajustes metodológicos foram adotados em 2023 para reduzir os impactos da mudança, mas a pesquisa de 2024 marca oficialmente o início de uma nova base histórica para os indicadores estruturais da construção civil.

Considerada uma das principais referências para análise econômica do setor, a Paic reúne informações sobre emprego, salários, receitas, custos, valor das obras e serviços e geração de valor. Os dados também servem de subsídio para a elaboração das Contas Nacionais e para o acompanhamento da evolução de uma atividade que permanece entre as mais relevantes para a geração de emprego e renda no país.

No caso do Rio Grande do Norte, os números mostram uma indústria fortemente apoiada na construção de edifícios, com participação relevante das empresas locais e capacidade de movimentar mais de R$ 5 bilhões por ano, reforçando sua importância para a economia estadual e para o mercado de trabalho potiguar.